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As
margens do rio sagrado Canges

Para místicos e estudiosos de práticas orientais como ioga, medicina
ayurvédica, reiki e meditação, não há destino mais sonhado do que a Índia.
Afinal, o país é berço de mestres e fundadores de várias religiões que até
hoje despertam a curiosidade e conquistam seguidores no Ocidente, como
Vardhamãna Jnatriputra Mahãvira (540-468 a.C.), fundador do jainismo;
Krishna (que teria existido por volta de 3.500 a.C.); e Buda (563-483 a.c),
que percorreu o país depois de meditar e atingir o nirvana (estado de
graça). Para os indianos, aliás, tanto Buda quanto Krishna seriam
encarnações de Vishnu, um dos três deuses mais importantes da religião
hindu, ao lado de Brahma e Shiva.
Somam-se à maioria hinduísta cristãos, islâmicos, sikhs, judeus e até
zoroastristas. E para compreender como toda essa gente convive em paz, não
basta visitar o Taj Mahal ou a capital Nova Délhi. É preciso visitar os
vilarejos do Rajastão, os monastérios erguidos nos vales do Himalaia - a
‘morada dos deuses'', em sânscrito - e assistir a um ritual de purificação
às margens do Rio Ganges em Varanasi.
Há peregrinos que percorrem centenas de quilómetros para ter a oportunidade
de elevar seus karmas com um mergulho no Ganges. "Varanasi é o local onde as
pessoas têm mais reacções. Há turistas que choram, que dizem ser o local
mais emocionante da Índia, e há outros que ficam horrorizados e preferem se
trancar no hotel até o dia da partida. A morte mexe com as pessoas e
Varanasi é a cidade da morte, porque a crença deles diz que se você for
cremado e suas cinzas forem jogadas no Ganges, você terá o perdão de todos
os pecados da vida", explica os especialistas que realizam passeios de barco
a remo pelo rio até o Dasaswamedh Ghat, ponto onde centenas de fiéis se
purificam durante o nascer e o pôr do sol.
PUSHKAR
- Outro lugar sagrado é Pushkar. Lá a maioria dos frequentadores pertence à
alta casta dos brâmanes, formada apenas por filósofos, educadores e
sacerdotes. O motivo para a concentração da elite social indiana reside no
lago que circunda a vila em meio à aridez do deserto de Thar.
Diz a lenda que o deus Brahma teria deixado cair uma flor de lótus no meio
da imensidão de areia e determinado que todos aqueles que se banhassem no
lago durante os quatro dias da primeira lua cheia de Novembro teriam vaga
garantida no céu.
Resultado: todos os dias, ao raiar do sol, as escadarias de mármore à margem
do lago ficam lotadas de devotos, cujas preces ecoam por toda a vila com o
auxílio de alto-falantes.
E a religiosidade não se restringe aos templos. Ela se revela no modo de
vida da população e ao longo das ruas, onde camelos, macacos, pavões,
cobras, lagartos e vacas transitam tranquilamente, como que já acostumados
ao título de animais sagrados.
Os macacos, aliás, parecem fazer questão de abusar da honraria: pulam por
toda a parte e, não raras vezes, invadem quartos de hotel para roubar
comida.
Peixes também não podem ser pescados. Por isso, esqueça a oportunidade de
ingerir proteína animal em Pushkar. E não se iluda se topar com uma filial
do Mc Donald''s. Não, não é miragem. Mas na Índia a rede de fast food só
serve hambúrgueres vegetarianos. Jogos, álcool e ovos também são proibidos
em Pushkar. Em compensação, os restaurantes vegetarianos não deixam nada a
dever para um bom churrasco.
Noticia do dia 6 de Fevereiro de 2009
Fonte: Anastácia Centro de Terapias
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