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Iniciação no Candomblé


Escrito por Okanbi / Omo Aggayú

Tem me chegado pedidos de informação como se processa uma iniciação ou raspagem no Candomblé. Como sabem não foi iniciado pelo Candomblé mas respeito profundamente quem é o fez. Desta maneira dando seguimento aos inúmeros pedidos aqui coloco a informação enviada por uma seguidora do candomblé no Brasil.

Por questões puramente de sigilo não será colocado a origem desta informação por pedido expresso da pessoa. Como também sabemos estes passos evolutivos variam de tenda ou casa de santo e podem ser mais completos ou curtos.

 

As etapas evolutivas de um Filho de Santo

O futuro filho de santo quando da inicio aos seus passos nesta religião passa primeiramente por uma limpeza espiritual denominada de "SACUDIMENTO".

Após o Sacudimento o médium é levado até o terreiro onde recebe o Amaci. Nesse momento, o futuro médium assume definitivamente um compromisso com o ritual, ficando de branco e de cabeça coberta por 24 horas. O futuro médium assume também o compromisso de acender durante 7 sextas-feiras ou 7 segundas-feiras, uma vela de cera para o Anjo de Guarda.

O Amaci é produzido na Sexta-Feira Santa feito com o sumo de ervas amassadas pelos próprios médiuns e também com bebidas representando cada Orixá. No Amaci, bem como nos banhos de descarga, as folhas é que são utilizadas, pois são ricas em energia. Devem ser colhidas quando não estão expostas ao sol (antes das 6 horas/depois das 18 horas) pois com os raios solares as plantas realizam a fotossíntese e esse momento não é bom para colher folhas.

      

O Amaci é utilizado durante o ano todo, principalmente nos sacudimentos, obrigações de camarinha, nos baptizados (pois representa a Água Benta) e em determinadas trabalhos de limpeza. São guardados em garrafões de vidro (5 litros) em local reservado no terreiro.  Após ingressar na corrente (trabalhos espirituais) o médium passa por um período de desenvolvimento. Nesse período é desenvolvida a mediunidade e o novato passa a ser conhecido como médium em desenvolvimento. O desenvolvimento é realizado nas quartas-feiras em ritual fechado, só participam desses trabalhos os médiuns mais antigos da casa, que auxiliam a Mãe de Santo dirigente do terreiro. Nesses trabalhos o médium passa a "girar" com o seu Pai e Mãe de Cabeça, ou seja, após o jogo de búzio são vistos os Orixás do futuro médium e são esses que serão chamados a desenvolver o iniciado. Durante alguns meses (ou anos conforme o médium) essa pessoa só pode receber o Pai e a Mãe de cabeça.     

      

 

 

Nas sessões de desenvolvimento são realizadas palestras e doutrinas para o médium que está iniciando sua "vida dentro do ritual". As palestras servem para situar o médium dentro da prática assumida, bem como orienta-lo quanto ao seu papel (função) no terreiro.  Durante o período de desenvolvimento o médium passa pelo baptismo. Nesse momento recebe a guia de Anjo de Guarda (colar feito com contas branco/leitosas). O baptismo só pode ser realizado em situações muito especiais: na Sexta-feira Santa, na Cachoeira ou em semana de Obrigações de Camarinha (Sexta-feira). O médium escolhe um padrinho e uma madrinha que representarão dois Santos de Igreja Católica. O padrinho representa o Santo Católico e a madrinha a Santa Católica. O Sincretismo é muito presente no ritual de ALMAS E ANGOLA.

 

 

As sete etapas evolutivas de um Filho de Santo 

 

Primeira Etapa – Baptismo

Segunda Etapa – Obori

Terceira Etapa - Feitura de Pai ou Mãe Pequena

Quarta Etapa - Feitura de Babá ou Babalaô

Quinta Etapa - Reforço Sete Anos

Sexta Etapa - Reforço Catorze Anos

Sétima Etapa - Reforço Vinte Um Anos

 

As obrigações após o Obori devem ser realizadas respeitando um intervalo de sete anos, pois assim, após passar por todas as etapas, o Pai ou Mãe no Santo recebe a denominação de TATA no Santo (Pai Velho ou Mãe Velha no Santo).

 

Para cada etapa o médium é submetido a uma série de obrigações, principalmente a partir da terceira etapa, ou seja, obrigação de Pai ou Mãe Pequena. Para realizar essa obrigação o médium, obrigatoriamente, deverá Ter passado pelo Baptismo e o Obori. Nessa obrigação que tem início na Segunda-feira, o médium recebe a coroa do seu Orixá Maior.   

Após cada obrigação realizada, o médium passa a usar guias (colares) diferentes. O médium Oborizado usa uma guia branca leitosa e duas outras guias coloridas, que representam o Pai e Mãe de Cabeça (Orixá Maior - Feminino e Masculino).

 

O médium que já passou pela obrigação de Pai ou Mãe Pequena usa uma guia toda branca (leitosa) e outra guia onde aparecem em destaque duas cores, que representam o primeiro e segundo Orixás. Após a obrigação de Babá ou Babalaô o médium passa a usar uma guia branca e outra colorida onde estão representados todos os Orixás. No reforço de sete anos o médium recebe uma guia com sete fios da cor do seu Orixá Maior, intercalada com sete firmas representando o segundo Orixá. Na Obrigação de Catorze anos o médium recebe uma guia com 16 fios da Cor do seu Orixá Maior e uma outra guia, também de fios representando o segundo Orixá. A Segunda Guia recebe o número de fios conforme o número corresponde ao Orixá.        

Após a obrigação de 21 anos o médium recebe uma guia de búzios denominada BRAJÁ. Essa guia representa para o médium a "última" etapa ritualística dentro do ritual de Almas e Angola.

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

 

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio electrónico e darei mais explicações ou retirarei duvidas.

 

 

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