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Falsas seitas religiosas na Santeria |

Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Os Terreiros ou Ilés
pertencentes às Religiões Afro-brasileiras ou Afro-Cubanas,
possuem uma relação de interligação entre si, na
forma de adorar, respeitar os Orichas e o Divinal,
independentemente de ser ciência, filosofia, arte
ou religião. Esta harmonia existe, pois os seus
dignos representantes compreendem a pluralidade de
pensamentos, sentimentos e ações que geram
afinidades que se aproximam por semelhança. Este
facto fica bem claro quando o analisamos na ótica
do conceito Universal da Diversidade Religiosa.
Respeitamos todos os caminhos oferecidos pelas Ilés
em Portugal e no mundo, pois todas levam ao ponto
da convergência espiritual.
Já agora imaginem meus
irmãos de Ocha (Santo) a proliferação de tantos
cursos expressos de mediunidade, magia, vidência,
sacerdócio, teologia livre e outros temas pelo
nosso país. Como todos sabemos as tradições de cada
Ilé são tão diferentes pela existência territorial,
e a nossa identidade é marcada pela pluralidade
cultural e esta ficaria seriamente comprometida com
o avanço destas táticas de marketing religioso
promovidas pelas seitas novas.
Graças aos nossos
Orichas somos uma quantidade realmente grande de
Ilés e terreiros que valorizamos o Sacerdócio
conquistado na iniciação, levando à frente aquilo
que aprendemos com o nosso Pai e Padrinho de Ocha.
O que temos observado é
como alguns indivíduos, muitos recentemente
chegados da Umbanda ou a grupos religiosos pouco
definidos, procuram meios rápidos para alcançar o
sacerdócio. Isto infelizmente é possível
atualmente, pois existem cursos de formação de
sacerdotes de duração relâmpago (literalmente em
finais de semana), onde o único pré-requisito é
pagar a mensalidade. O pior é que estes cursos são
dados por pessoas que também foram formados em
cursos, ou seja, não possuem vivência real na Ilé
através da sagrada relação afilhado e Padrinho.
Ainda tenho visto em alguns casos, cursos
classificados como “sacerdote vocacional” onde os
alunos nem mediunidade de incorporação precisam
ter. Pior é que observamos essa tática, uma
tentativa de transformar da Religião Afro-Cubana
num simples processo económico-financeiro. O pior
de tudo isto é querer através dessas formações
rápidas na religião obter uma independência
financeira. Aquilo que os nossos Orichas e Guias
entregaram para o Oloricha trabalhar, pelo bem
coletivo da humanidade, é transformado em
interesse monetário para poucos. Dentro desta
concorrência selvagem, todos perdemos.
Gostaria de deixar bem claro que não me refiro aos incansáveis trabalhadores que trabalham nos diversos Ilés do nosso país, trabalham no templo bem orientados pela formação dada pelos seus Padrinhos e mães espirituais. O que quero dizer é que precisamos de lutar com todas as nossas forças de forma a privilegiar a linhagem espiritual que possuímos, mas também denunciar as falsas lideranças dessas denominadas seitas religiosas.
Okanbi
Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá
Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio electrónico e darei mais explicações ou retirarei duvidas.
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