Publicidade


você está na Cidade da Maia (Porto). A data de hoje são

Cozinhar para os Orishas
Escrito por Omo Okanbi   



 

 

Cozinhar para os Orishas não é uma tarefa simples, e no entanto muita gente sabe cozinhar, mas nem todo o mundo sabe faze-lo para as funções religiosas. O Alashé é a pessoa - usualmente uma mulher - que cozinha nas actividades religiosas Lukumí. Este título quase desapareceu, substituído pela palavra Cozinheira em português.

 

O Alashé é provavelmente uma das pessoas mais importantes num evento religioso Lukumí, já que ela está com o cargo de preparar os alimentos dos Orishas e dos seus representantes e devotos. O Alashé cozinha para todo o mundo do divino e também para o profano, ambos igualmente exigentes e que deve realizar-se com todo o rigor, referente aos seus gostos e aversões.

No passado, durante uma ordenação, a Ojugbona realizava muitas das funções da Alashé. Inclusive, a Iyá ou o Babalorisha contratariam uma Alashé para cozinhar para a cerimonia, a Oyugbona estava obrigada a cozinhar diariamente ao Iyawó. A Ojugbona era totalmente responsável de qualquer coisa relacionada com o Iyawó.

 

Se algo afecta o Iyawó durante o período de reconhecimento, a Ojugbona teria que prestar contas. Também a Ojugbona estava obrigada a cozinhar os iñales para os Orishas do Iyawó.

Na manha do segundo dia – o dia do meio - a Ojugbona teria que, primeiro lavar os Orishas do Iyawó, logo cozinhar os iñales e os seus acompanhamentos - ekó, ekurú, olelé, akará, ñame, milho, e demais - e ter postos encima dos Orishas do Iyawó antes das doze do dia.

Cozinhar para as Divindades é uma tarefa de muita responsabilidade, mas muito enriquecedora, pois cada Orisha têm preferências específicas referentes aos alimentos que aceita e a sua preparação. O Alashé deve ser bem versado nestas preferências Divinas para não cometer nenhuma infracção das proibições.

 

As comidas de Eleggwá, Oggún, Oshosi, e Orishaoko se devem assar, e não guisar.

As comidas de
Obbatalá se preparam com manteiga de cacau, nozes, sem sal, pimenta, nem vinho seco. Tampouco se pode empregar óleo de palma para cozinhar para Obatalá. Sem problemas, as comidas de Oduduwá podem levar óleo de palma e sal.

O carneiro é a maior proibição de
Oyá, e não se deve cozinhar a comida de ela numa taça na qual se cozinhou antes carneiro. As comidas de Shangó e de Agayyú são pimentosas e picantes. Babaluayé também gosta da pimenta, o picante, e gengibre, mas não agrada muito o sal. Yemajá, Erinle e Oshún gostam das comidas doces, quase caramelizadas. As comidas de Oba e Yewá as deve cozinhar uma mulher.

 

Há muitas observações nas quais a Alashé deve seguir com exactidão e rigor, se ela vai exercer a sua função correcta e respeitosamente. Ademais do conhecimento e da precaução, a Alashé deve também praticar uma higiene impecável. A limpeza é imprescindível numa cozinha Lukumí. Ela deve banhar-se logo quando se levante da cama, antes de entrar na cozinha. Deve ter o seu cabelo apanhado e preso com um lenço branco e conservar as suas mãos e unhas especialmente limpas.

 

A cozinha Lukumí deve ser imaculada. Quando a Alashé chega ao Ilé (casa), deve verificar com cuidado a cozinha para assegurar que têm tudo o que necessita, inclusivamente os artigos de limpeza como detergentes, panos de cozinha, papel toalha e outros artículos mais. Deve lavar pessoalmente todos os utensílios e as panelas, mesmo que pareçam estar limpas.

Muito importante em cada vez que ela usa um utensílio ou uma panela, deve assegurasse de que esta limpo, e como mínimo, enxaguar com agua quente antes de usa-la. Ela deve assegurar que cada comida tenha a sua própria colher. É incorrecto e perigoso usar a colher usada para revolver um alimento e utilizar para revolver outro, pois os Orishas e os Olorishas têm os seus ewós – tabus ou proibições - específicos e a Alashé deve ter extremo cuidado de não misturar os alimentos o as colheres de modo que ela não viole um ewó.

 

A área da cozinha deve estar livre de estorvos, incluindo as pessoas que estão na actividade. A única pessoa que pode estar na área da cozinha, durante a preparação dos alimentos religiosos, é Alashé e algum ajudante. Destapar uma panela sem o consentimento da Alashé é um acto que a maioria dos Alashés consideram altamente irrespeitoso. Nada, nem se quer o dono da Ilé, têm o direito de imiscuir dos assuntos da cozinha quando há uma Alashé responsável a cargo de ela.

 

As condições ideais na cozinha Lukumí deve ter utensílios para cozinhar e servir para cada Orisha. Cada Orisha deve ter as suas próprias panelas, pratos, taças, colheres, terrinas, chavetas, facas e demais utensílios de cozinha. Obbatalá deve ter uma taça na qual se pode cozinhar as suas comidas, livre de sal, pimenta, e óleo de palma, de modo que não seja contaminada com as comidas e sabores dos outros Orishas.

Oyá deve ter panelas para seu uso exclusivo nas quais não se cozinha carneiro ou os iñalés de Shangó, Yemajá, e outros Orishas que comam carneiro. Lamentavelmente, devido a numerosas razões, isto nem sempre é possível. As casas modernas carecem do espaço necessário para poder ter uma cozinha que seja adaptada com as necessidades dos Orishas.

 

As cozinhas contemporâneas são pequenas, apertadas, e carecem de suficientes espaços para armazenar todos os produtos necessários. Inclusive as Ilés equipadas especialmente para as ordenações e os rituais Lukumís não têm todos os recursos e o espaço necessários para instalar uma cozinha com as condições apropriados. As vezes, a Alashé têm que trazer os seus próprias panelas e utensílios porque os que estão disponíveis na Ilé não são os adequados.

 

Aparte do necessário para as Divindades, cada Ilé deve também ter copos e pratos dedicados exclusivamente para o uso dos Olorishas e os visitantes que ajudam nas funções religiosas da Ilé. A maioria dos Oloshas entendem que os pratos em plásticos são mais higiénicos e menos trabalhosos do que os de loiça. No entanto, para as mesas formais que se montam para as ordenações de Osha ou Ifá, e para os Pinaldos, Honras, e outras cerimonias importantes, os de loiça, ou de cristal, são obrigatórios.

 

A maioria dos Orishas, não têm preferências específicas referentes as panelas e utensílios que se usam para preparar os seus alimentos. As colheres de madeira são preferidos aos de metal ou plástico, e as panelas e frigideiras de alumínio pesado ou ferro inoxidável são preferíveis as outras. No obstante, há algumas excepções.

Naná Burukú e Nanú.

Como o metal é ewó para Naná devido a sua zanga com Ogún, os seus alimentos se devem cozinhar em taças de barro e revolver com colheres de madeira. Ela deve ter as suas próprias chávenas, pratos, e taças, separados dos demais artigos de cozinha da Ilé. Nanú também tem brigas com Oggún. Ela também proíbe o metal, pelo qual se deve usar taças de barro e colheres de madeira para preparar a suas comidas. Os sacrifícios para estas duas Orishas se devem realizar com uma faca de cana brava. Apesar da proibição do metal, é difícil cortar as carnes para os iñalés de Naná e de Nanu sem usar um faca de metal. Em relação a este respeito, os Alashés não têm outro remédio que passar por cima desta proibição pois não há melhores opções.

Yewá e Oduduwá

Estes dois Orishas são muito meticulosos. Cada um deve ter panelas individuais, colheres, pratos, taças, chávenas e demais artigos para seu uso exclusivo. Estes devem ser claramente identificados para que não se utilizem para nenhum outro Orisha. Se ocorrer uma mistura, o utensílio se considera contaminado e não deve ser utilizar mais para Yewá ou Oduduwá. Ademais, nem todo o Alashé pode cozinhar para Yewá. A pessoa ideal para cozinhar para Yewá é uma jovem ou uma mulher maior que tenha atravessado a menopausa. Preferivelmente uma oló de Oshún ou uma oni Yemajá. Os homens nunca devem cozinhar a Yewá.

 

Shangó
Ainda que a maioria das Alashés sejam mulheres, alguns homens também cozinham. No entanto é aceitável que um homem cozinhe os iñalés e outros adimús, os homens não podem cozinhar nem amalá ilá - farinha e kiabo – nem kalalú a Shangó. Estes devem ser cozinhados por uma mulher.

Oyá
Nunca se deve cozinhar carneiro numa taça de barro na qual se cozinha os alimentos de Oyá. Tampouco se devem contaminar com a carne de carneiro as colheres usados para revolver as suas comidas, nem as chávenas, os pratos ou as fontes usados para servir. Oyá também têm aversão a carne de tartaruga, no entanto este ewó não é bem conhecido nem é tão rigoroso como o de carneiro.

 

Oba
Alguns Oloshas afirmam que há um pouco de fricção entre Oba e Oyá. Como tal, fazem um esforço de mantê-las separadas. Esta separação também se pode estender a cozinha.

 

Okanbi

Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá

 

 

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o e-mail e darei mais explicações ou retirarei duvidas.

Contador de visitas

Ilé de Omo Okanbi e Omo Onibodé

O que é a Santeria
A maneira de introdução rápida, a religião da nação Yoruba da  Nigéria, em Africa Ocidental, chegou a América via Cuba, onde  se havia preservado sintetizada com o catolicismo. A religião se conhece também como "Regla de Ocha", ou a religião lucumí
.

Saiba mais

 

Quem são os Orichas
Cada pessoa é um ser único e diferente dos demais. Em Africa, como no resto do mundo, existem distintas crenças, fundadas em algo original e histórico.

Saiba mais


Oráculo do Dilogun
A Comunicação com os Orixás pode ser feita pelo Oráculo de Ocha ou pelo Jogo de Ifa. Olodumarê, o Deus Criador, deu para Orunla enquanto divindade manifestada no mundo, o Diloggún.

Saiba mais

Palavras em Yorubá
Saiba um pouco das palavras em Iorubá dos nossos antepassados africanos. Comunicar com os Orichas, no seu próprio dialecto é uma obrigação de cada devoto.
Saiba mais

Ervas dos Orichas
A Mãe Natureza proporciona ao homem uma infinidade de plantas com valores medicinais. A flora brasileira constitui uma fonte inesgotável de saúde e nossos ancestrais sempre souberam se aproveitar desta riqueza, pois o uso das plantas medicinais existe desde o início dos tempos.
Saiba mais

História Povo Yorubá
Falado principalmente na Nigéria, o idioma yorubá é complexo e arraigado em tradições. É o segundo maior idioma da Nigéria, é falado em várias seitas difundidas pelo mundo, entre estes estão a República do Benin, Cuba, Brasil, Trinidad, e Estados Unidos.
Saiba mais

Tarefas e Obrigações
Neste texto que a seguir apresento, mostro algumas das tarefas e obrigações que alguém que deseje entrar na Prática Yorubá, principalmente na Regra Osha/Ifá e que não tenha uma ideia firme sobre esta religião.  
Saiba mais

Palo Monte
Sou um Mestre Espiritual, O Tata Fundador de Palo Monte Mayombe Regra Kimbiza Sagrada Sarabanda nos Estados Unidos da América,  e Somos quem somos, Paleros ao Serviço da Humanidade e somos um Cabildo (Templo), Fundamental e Independente e nos sentimos orgulhosos de ser o que somos e levar a religião por todo o mundo.
Saiba mais


Boveda Espiritual
Aqui deixo breve uma explicação de como se desenvolve uma sessão espiritual, baseando em testemunhos e por experiência própria. Levanto um bocado do véu do que se passa numa sessão espiritual e como devemos procurar nesta sessão os nosso guias e espíritos do passado.
Saiba mais

Os Egguns
Os mortos (ikús) os espíritos que nos rodeiam (egguns) devem serem atendidos, com o mesmo respeito tanto como aos SANTOS (Orishas). A reverencia aos antepassados é um dos pilares das religiões africanas.
Saiba mais