Coroa de Ochún
Taça de Yemanjá
Pote de ferro de Oggún
Oricha Oko
Escrito por Okanbi / Omo AggayúOricha Oko
Junto com Olokum é o Oricha mais poderoso neste mundo e um dos mais venerados no panteão Yoruba. Oricha Oko é a terra, pois certo é uma parte deste planeta em que a outra é a água.
Ele é mesmo Brumu em pessoa (Brumu significa um caminho de Oddua). Do seu casamento da terra e do mar, nasceram rodos os Orichas da nossa religião, nasce também o amor de Oricha Oko e Yemanjá e nasce também o amor que fala na letra (7-8). Este santo tem duas caras, de dia é um homem correcto e harmonioso mas de noite tudo é ao contrario.
Este Ocha fala pela boca de Yemanjá. Todo o Santeiro ou praticante deve ter este santo no seu Itá, pois é a mesma terra que pisamos e dela iremos um dia voltar. O motivo que devemos receber é para estarmos firmes na terra na nossa caminhada. Oricha Oko e Yemanjá são Ocaninis (o mesmo coração) e não há um sem o outro.
Ele é tão velho como Obatalá e tem a sua primeira etapa na criação do chão que pisamos e que nos ampara em toda esta Ara (terra). Toda esta terra tem a haver com Oricha Oko todo o que vive e morre. Daí a sua grandeza com os humanos vivos e os mortos, e ele possui o mistério para a vida e da morte.
Lenda
Orixá Okô
era filho de Iemanjá e Obatalá. Quando o mundo
foi criado, ainda não existia nada plantado.
Aqui morava um homem que nada fazia. Este homem
se chamava Oko, o nome que ele tinha recebido do
grande criador. Um dia, Olorum chamou este velho
e lhe disse: - Olha, eu criei o mundo, porém,
faltam as plantações, e eu não sei com fazê-las,
como plantar. Você vai ser incumbido desta
tarefa.
Oko ficou
sentado no chão, pensando:Que grande incumbência
Olorum me deu! O que eu vou fazer? Pensou,
pensou, e aí se lembrou de que nas suas andanças
pelas estradas tinha encontrado uma palmeira, e
que em baixo dessa palmeira sempre tinha uns
molequinho. Esse moleque era muito sapeca e
muito sagaz, com um corpo bem reluzente. Ele
estava sempre com um pedaço de pau mexendo na
terra.
Oko se
lembrou de que um dia ele perguntou a esse
rapazinho: - Que estás a fazer?
E o rapaz lhe
respondeu: Você não sabe que a terra mexida e
plantada dá frutos? Plantada como? – perguntou
Oko. - É... A gente arruma semente, e tudo isso...-
Como arruma semente, se ainda não existe arvore,
não existe nada? – interrompeu Oko.
O
molequinho lhe disse: - Olhe que para
Olorum nada
é difícil! Oko ficou admirado com as palavras
daqueles molequinho. Quando Olorum lhe deu essa
empreitada, ele logo se lembrou de molequinho.
Voltou ao mesmo lugar e encontrou o molequinho
sentado embaixo da palmeira, cavando terra. O
buraco já estava maior, e daquele buraco já
estava saindo uma terra mais avermelhada. Oko
perguntou ao menino: - Porque esta terra está
saindo mais vermelha? - É sinal de que algo de
diferente existe nas profundezas da terra.
Você vê que
eu estou cavando e aqui em cima a terra é mais
seca; agora, esta outra parte, é mais molhada, e
agora já está saindo uma parte mais densa, mais
dura – respondeu o menino, mostrando a terra a
Oko. - Continue a cavar – falou Oko. Mas
enquanto o menino estava cavando, a madeirazinha
que ele estava usando quebrou.
Ele aí
pelejou, esfregou no chão, e fez uma ponta na
madeira. O menino estava descobrindo naquele
momento uma ferramenta na hora em que ele raspou
a madeira no chão. E com ela ele recomeçou a
cavar juntos e tiraram uma lasca dessa terra,
que era a pedra. Oko disse:- Vamos fazer algo
para a gente cavar a terra. Vamos ver se
conseguimos qualquer coisa com aquela lasca de
pedra. O molequinho continuou a trabalhar e Oko
lhe disse:
- Eu vou me
embora, você veja se sozinho consegue pensar em
algo mais útil para nós trabalharmos.
E foi
embora, foi embora, foi embora. Foi andando e
matutando pelo caminho. No outro dia quando Oko
voltou, o molequinho estava com o fogo aceso e
com vários pedaços daquela pedra de fogo. Quando
o moleque fez aquele fogo, ele fez também um
canal saindo de dentro do fogo.
No que as
tais pedras iam de derretendo iam escorrendo e o
menino ia formando lâminas. Assim foi criado o
ferro. E sabe quem era esse molequinho? Era Ogum,
o criador do ferro. Daí em diante, Orixá Oko, o
grande rezador e plantador, com suas idéias
sobre plantação, colheita e lavoura , e Ogum,
com as suas ferramentas para ajudar a cavar a
terra, o arado, o machado, a foice e a enxada,
continuaram a trabalhar juntos nas plantações
que têm grande importância na criação do mundo




