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Mata vira retiro contra
o stress

A mata do Jardim Botânico de Coimbra está a servir de
«retiro» para quem deseja libertar-se do stress dos dias e
deixar-se envolver pelo chilreio dos pássaros e um
embriagante aroma floral. O «passeio de relaxamento», como
lhe chama a «guia», Nídia Salgueiro, é uma das novas
actividades do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra,
no coração da cidade, construído em 1772, por iniciativa do
Marquês de Pombal.
Ainda à entrada para a mata, de acesso
vedado ao público em geral, o grupo de participantes
submete-se a um «banho seco», a «libertação de energias
gastas, que não lhes pertencem».
Reunido em círculo, o grupo segue atentamente as
orientações da enfermeira aposentada e mestre em Reiki, «sacudindo» as
tensões acumuladas sobretudo na zona do pescoço e ombros.
Depois, parte para as «entranhas» da mata, acomodando-se
nos bancos de um largo, previamente «abençoado» pela guia e
onde decorre a sessão de relaxamento e meditação. No meio
da calmaria do espaço, Nídia Salgueiro propõe técnicas de
concentração e de filtração de sons e convida cada um a
«inspirar harmonia, paz e amor, e a expirar, visualizando,
todas as inquietações, os desamores, as insuficiências, as
raivas, os rancores».
«Sê feliz, não te irrites» Aprender a
harmonizar-se com a natureza e a «livrar-se» das
inquietudes é «a postura, o caminho» traçado pela antiga
enfermeira, às quintas-feiras de manhã, para «uma vida mais
saudável e como forma de prevenir doenças, nomeadamente
degenerativas». A «comunhão com o santuário da natureza»
que é a mata do Botânico de Coimbra, passa, em boa medida,
por orientações baseados no Reiki, como «Sê feliz, não te
irrites», «Sê grato por todas as coisas», ou «Faz o teu
trabalho com gosto, com honestidade».
Após uma «limpeza
respiratória», segue-se a meditação, baseada numa oração,
desta vez, a de S. Francisco de Assis, pela paz no planeta,
pela tolerância para com os outros. Pelo meio, os
participantes experimentam o exercício do «toque-carícia»
nas mãos, que, segundo Nídia Salgueiro, leva o pensamento
às «memórias afectivas mais arcaicas». Segue-se a
caminhada, individual, e, no fim, exercícios, para libertar
a «energia em excesso» adquirida ao longo do percurso.
«Não podia ter encontrado melhor remédio» Lurdes
Correia, enfermeira aposentada, conta como o passeio trata
da fibromialgia que carrega todos os dias. «Ando sempre
cheia de dores e esta manhã que passo aqui fico tão sedada,
tão bem disposta, em harmonia comigo e com tudo, que não
podia ter encontrado melhor remédio», disse. Também Guiomar
Jorge, outra antiga enfermeira, que na véspera do passeio
«mal podia andar com as dores da tendinite da anda», diz
que, se calhar, «fabricou energias na mata, porque já não
lhe dói nada». Isabel Rute, docente, sai da sessão «com
muita paz e alegria», enquanto Isabel Castelo-Branco,
também professora, encontra nos ensinamentos de Nídia
Salgueiro «ajuda para entender os miúdos de outra maneira».
Noticia do dia
30 de Abril de 2009
Fonte:
Tânia Goncalves
Actualizada dia
30 de Abril de 2009
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