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Massagistas
cegos criam técnicas de estudo e buscam reconhecimento

RIO
DE JANEIRO - O toque que proporciona alívio e relaxamento em sessões de massagem
é também a principal arma do deficiente visual. Massoterapeutas cegos
desenvolvem técnicas inovadores de estudo e procuram o reconhecimento e a
valorização no mercado de trabalho.
- Temos o tacto apurado, o que faz a terapia ficar mais completa – afirma Omar
Pinho Filho, presidente da Associação Brasileira de Massoterapia dos Deficientes
Visuais (Amasso). Com 55 anos, o ex-publicitário e portador, há 13 anos, de
retinóide pigmentar, doença que leva à cegueira total, está se formando em
Fisioterapia.
- Existem diversas técnicas e cada profissional se adapta da melhor forma
possível. Atendo a uma senhora que está 30 quilos acima do seu peso, é diabética
e apresenta retenção de líquido. Procurei buscar o equilíbrio da bexiga e do rim
usando técnicas de shiatsu mesclada com a drenagem linfática - explica o
massoterapeuta, que comandou uma equipa responsável pelo atendimento aos atletas
do Pan e do Parapan.
- A experiência na Vila Olímpica nos deixou muito satisfeitos. Atendemos atletas
de todos os países e no Parapan tivemos que aperfeiçoar algumas técnicas para
lidar com portadores de outras deficiências – afirma Omar, contando que a equipa
da Amasso foi contratada pelo Comité Olímpico Brasileiro para realizar o
trabalho.
A Amasso, primeira entidade no país comandada por massoterapeutas cegos, foi
criada em 2004 e conta com profissionais formados pelo Instituto Benjamin
Constat (IBC).
Apesar de qualificação, ainda existe preconceito.
A fisioterapeuta Leonídia
dos Santos Borges, cega desde a adolescência, coordena os cursos
profissionalizantes do IBC. Segundo
Leonídia, apesar da dedicação, os deficientes ainda encontram dificuldades para
trabalhar.
- Como o
mercado é fechado para eles, os alunos se dedicam de corpo e alma e viram
destaque, trabalhando em clínicas, hospitais e clubes – afirma a professora, que
desenvolveu um método inovador para ensinar a técnica do shiatsu.
-
Os cegos têm dificuldades para localizar as linhas e meridianos trabalhados com
o shiatsu. Para facilitar, fiz uma adaptação, passando traçando os meridianos
com uma corda e posicionando alfinetes que marcam os pontos em um boneco de
borracha. Com isso, eles sabem onde começam os meridianos e, principalmente, o
trajecto que deverá ser percorrido pelas mãos – explica a professora.
Leonídia, que também é professora de português aposentada do Estado do Rio,
afirma que mesmo com a qualidade técnica dos profissionais cegos, o preconceito
ainda é um obstáculo muito difícil de ser superado.
- A prefeitura de Rio das Ostras, por exemplo, abriu 15 vagas em um concurso
para fisioterapeutas, mas nem uma é dedicada aos deficientes. E, o que é pior:
somos proibidos de fazer a prova, mesmo disputando de igual para igual com os
outros candidatos – denuncia Leonídia.
Os massagistas formados no IBC oferecem técnicas de
massoterapia, drenagem linfática, alongamento e terapias alternativas, como a
massagem Ayurvédica, reflexologia, reiki e shiatsu, que utiliza o princípio da
acupuntura para tratar desde problemas na coluna até doenças crónicas.
Noticia do dia 03 de Julho de 2008
Fonte: Jornal On Line Parami (Rio de Janeiro
- Brasil)
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