Perdoar

Perdoar

Aprender a perdoar é perseverar num treino mental. É um grande e difícil passo. É tirar alguma coisa que incomoda, que nós fizemos ou que fizeram para nós.

A vida pode ser comparada a uma mochila que contém tudo o que realizamos. Se não treinamos o perdoar, este saco de viagem vai ficando cada vez mais pesado. É necessário buscar a habilidade mental de constantemente fazer uma reorganização desta Mochila da Vida. Denodadamente ir organizando-a de tal forma a aliviar o seu peso e tornar a vida mais leve. Não colocar dentro dela ressentimentos, desgostos, raiva ou deceções. Em hipótese alguma e sob nenhum pretexto. Isto, culminará na obtenção de facilidades na caminhada, nas constantes subida e descida das rampas de dificuldades com que somos confrontados. 

Temos o direito de sermos felizes, e para isto, devemos começar por perdoar a nós mesmos, elevar a nossa autoestima. "Seria muito mais produtivo se as pessoas procurassem compreender seus pretensos inimigos. Aprender a perdoar é muito mais proveitoso do que simplesmente tomar de uma pedra e arremessá-la contra o objeto de sua ira. Quanto maior a provocação, maior a vantagem do perdão. É quando padecemos os piores infortúnios que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem, a si e aos outros." afirma Dalai Lama Tenzin Gyatso líder espiritual tibetano.

É fácil perdoar alguém que nos prejudicou? Não, não é! Quando temos necessidade de perdoar alguém, esta ação é resultado de factos, de alguma expectativa nossa que não foi alcançada. Qual expectativa? Por exemplo: que o outro faça ou seja alguma coisa; que deixe de usar algo; etc. Quer dizer, quando os outros fazem algo que quebra nossa expectativa, ficamos esperando que eles nos peçam perdão. O raciocínio mais comum é: o problema é do outro e não meu. E devido a isto, ficamos com raiva dos outros. Ficamos na expectativa que os outros nos peçam perdão, e estes não o fazem, e assim, numa sequência de frustrações, nossa ira vai aumentando cada vez mais. A Mochila da Vida vai nos pressionando contra o chão. Procurar levar a vida com outro nível de expectativa nos leva a perdoar. Primeiro a nós mesmos, depois ao próximo.

"O perdão cai como uma chuva suave do céu na terra. É duas vezes bendito: bendito ao que dá e bendito ao que recebe." (William Shakespeare) dramaturgo e poeta inglês. E não devemos deixar que o outro nos atinja. Somos nós mesmos que permitimos que o outro nos acerte, e somos nós mesmos que colocamos mais peso dentro da nossa Mochila da Vida. O próximo não tem nada com nossa frustração. É algo particular de cada um. Como então ficar aborrecido, se não temos como controlar um processo que é único e exclusivo resultado do livre arbítrio do próximo? Somos nós que aceitamos colocar às nossas costas o peso da frustração que alguém, intencionalmente ou não, impingiu. - Você é a razão da minha felicidade - Como é possível expressar tal sandice? Isto é algo que leva fatalmente ao desenvolvimento de ressentimentos e raiva.

A necessidade de perdoar vem do outro nem sempre fazer o que esperamos. E a conclusão a que se chega deste raciocínio é que amar está mais para doar que para esperar. Outra razão frequente de perdão vem de uma pessoa que não tem tempo equilibrado em coisas distintas. Fatalmente, terá muitos momentos de deceção se não procurar equilibrar seu tempo para todos os aspetos da vida. Para poder perdoar e esquecer o que contribui muito são: boa saúde; alimentação correta; relaxamento; meditação; pensamento positivo e exercícios físicos. Problemas de relações interpessoais são cinco porcento reais e noventa e cinco porcento o que fazemos delas. Deve-se analisar as possibilidades, o nível de expectativa real, sem fantasias. Isto diminui as frustrações. E como as frustrações geram culpa, ao perdoarmos a nós próprios aliviamos o peso da nossa Mochila da Vida.

E só então, devidamente fortalecidos, temos reais possibilidades de perdoar aos ofensores, àqueles que quebraram nossas expectativas. Com isto, temos a energia emocional de aceitar os outros como eles são, sem a obrigação de aceitar o mal que fazem ou a maneira como se comportam. Como não temos meios de controlar as ações de terceiros, também não somos obrigados a nos tornarmos coniventes com o indesejado. Aceitar seria ferir nosso direito à felicidade e prejudica a nossa saúde. "A doença alimenta-se da falta de perdão. O perdão não tem nada a ver com aceitar um mau comportamento. A pessoa que você acha mais difícil de perdoar, em geral, é aquela que você mais precisa se libertar. Eu descobri que perdoar e em seguida deixar partir o ressentimento são atitudes que ajudam a curar até mesmo o cancro." (Louise L. Hay) consultora, professora e conferencista norte-americana.

E como nunca faremos os outros mudarem, então a mudança deve vir de nós mesmos. E normalmente, como são os mais próximos que nos ofendem, então resta apenas colocar limites. Ao mudarmos nosso relacionamento com estas pessoas, elas mudam, com certeza. De alguma forma, sempre se obtém resultados positivos ao aliviar a nossa Mochila da Vida. Porque "O fraco jamais perdoa: o perdão é característica do forte." (Mahatma Gandhi) advogado indiano. E o forte tem a sua Mochila da Vida sempre aliviada, tão leve que, se não existisse a gravidade, poderia até voar.