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Ikú lobo ocha. Atenção dada aos Mortos.

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Escrito por Mário Ortiz Gomez

iku lobo ocha

"IKÚ LOBI OCHA"

Os mortos (ikús) ou espíritos que nos rodeiam (egguns) devem ser atendidos e respeitados, pelo qual se lhes respeita tanto como aos deuses (orichas). A reverência aos antepassados é um dos pilares das religiões africanas. Na religião Yorubá o morto pariu o santo (ikú lobi ocha) e antes de invocar e pedir permissão (moyubbar) ou saudar aos Orichas há que invocar os mortos. Isto se deve, porque todos os orichas foram seres vivos, na religião Yorubá e a representação superior do morto é Oddúa como orixá ou caminho de Obatalá, e o seu nível é muito alto, pois, se encontra depois de Olofi (SER SUPREMO).

Em toda a atividade da Regra de Ocha ou parte material, primeiro temos que cumprir com os egguns e pedi-los permissão para o que se vai fazer para o qual se moyugba. Os mortos comem antes que Elegguá e separados dos orichas. Em determinadas cerimónias oferece uma vela (ataná), coco (obi) em nove pedaços que é a marca do morto, água fresca (omi tutu), aguardente (otí), café (omi bona), tabaco (achá), pimenta de guine (ataré), e se utiliza a cascarilha (efún).


santeria ou santaria cubana em PortugalEsta oferenda se situa no chão fora da casa ou num canto interior caso não exista um pátio e se dispõe dentro de um círculo, ou retângulo (atena) desenhado com cascarilha em cujo interior se pode desenhar símbolos e firmas. A cerimónia se inicia com a moyugba correspondente e a declaração do sentido da oferenda. Isto se pode realizar quando se dá coco fresco aos mortos o qual se faz com pequenos pedaços que se atiram ao interior da figura traçada no chão. Esta oferenda é obrigatória quando se vai fazer um sacrifício de um animal de quatro patas.

Ao terminar se pergunta aos egguns se receberam a oferenda, e caso deem a sua aceitação então devemos levar os restos ao mato. Isto se faz com quatro pedaços de coco fresco segundo as regras para a leitura de Obi. Outros religiosos pensam que os mortos não devem comer no interior das casas pelo qual a sua comida se deve ser servida num pátio e afastado da vivenda.

Aos mortos podem oferecer água, pão, bebida, tabaco e alimentos cozinhados sem sal o qual pode ser a comida preferida do defunto. Tudo isto se coloca num prato e se acende uma vela, e no dia seguinte se faz a moyugba e pergunta-se mediante os cocos o lugar onde se deve deitar a comida, isto será na planície (nigue), ou no lixo (ikún), num monte (ilé oké), no rio (ilé oshún), etc. Os presentes destas cerimónias com os mortos devem ser marcados com uma cruz de cascarilha na frente como proteção, e caso os iniciados que no seu Itá tenham ofun, se marca no braço.

No espiritismo ou parte espiritual o tratamento que se brinda aos espíritos é distinta, varia de acordo seja espiritismo puro ou infundido por Ocha, ou Palo, ou outra religião. Em alguns casos os espíritos se atendem com uma bóveda espiritual que se monta completa segundo o que queira o quadro espiritual da pessoa. Em um dos copos de água que esteja na bóveda se coloca um crucifixo. Um espiritista será quem determine a configuração definitiva da bóveda e poderá abrir uma sessão espiritual que se realizará.

A bóveda espiritual contribui para fortalecer os guias e protetores da pessoa, que podem ser conhecidos ou não e entre os quais se incluem os seus familiares mortos. Quando um crente desconhece o seu quadro espiritual pode invocar os seus protetores com nomes de pessoas conhecidas até investigar.

No espiritismo mais puro, a cerimónia de invocação se faz mediante, orações e cantos. São muito utilizadas as orações ao nosso Anjo da Guarda, aos guias e protetores, etc. No espiritismo praticado em Ocha se utiliza o copo de água bendita, perfume, velas, flores e determinadas ervas para limpeza. Também se pode utilizar a cascarilha como filtro protetor assim como o tabaco e a aguardente segundo os gostos do morto. Em algumas sessões espirituais as pessoas que incorporam entidades (instrumentos ou cavalos), ou seja, passam ou montam mortos, pedem tabaco e aguardente ao ser possuídas.

No campo espiritual também se começa com uma missa espiritual ou uma missa católica na igreja, de ambas formas para dar luz aos mortos e eleva-los. Se houver problemas com um morto obscuro ou um enviado por um “caldeirão de palo”, este deve ser eliminado primeiro no seu aspeto espiritual mediante reconhecimento, limpezas, passar o morto, missas, etc, e depois fazer o rompimento no campo material com ebbos, purificações, banhos, etc.

A relação entre o espiritismo e a religião Yorubá é muito estreita porque sem a atenção aos mortos nada sai bem, pois, o morto é primeiro.

“Maferefún egguns”

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá.

 

 

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