Regras para iniciados

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Escrito por Osvaldo Shangó

regras para iniciados

 

Quando chegou a mim este texto, compreendi que as minhas inquietudes haviam sido escutadas com a prontidão necessária. É muito difícil por todas as regras ou normas de nossas práticas num país onde a cultura preponderante é completamente diferente daquela que desenvolvo, por tantos anos. Muitas regras, foram as bases iniciais de Cuba, que tinham mostrado interesse na Prática Yorubá, principalmente na Regra Osha/Ifá mas como era algo novo, sem a maior conotação que aquelas mesmas que queriam dar. Quando oferecia a possibilidade de contactar com esta magia universal cheia de informação cultural e pitoresca tradicional, a maioria ficava fascinada ao permitir entrar num círculo místico para eles completamente desconhecido e misterioso, muito mais quando as religiões preponderantes começaram a despertar as suas próprias consciências.

O conflito começara justamente no momento em que se ensinava um caminho a seguir, uma série de padrões e normas todas estruturadas através de muitos anos, em que todos os iniciados a Sacerdotes de algum modo tinham de acatar para manter uma disciplina de acordo com o meio místico que se oferecia. A imensa maioria, entre o povo, punha em ação um juízo a todas aquelas "regras esquisitas", cheia de normas e estilos disciplinadores que eram necessários praticar como condição primordial, para viver um novo modo de vida que orientava unicamente a certas austeridades, disciplinas, princípios, valores, condições éticas e morais que não podiam ser assimiladas à priori como necessárias e ao mesmo tempo, assumir uma postura de iniciado ou de sacerdócio litúrgico. santeria ou santaria cubana em portugal

Pensavam que entrar no caminho da religiosidade da Diáspora Afro ibero-americana era coisa simples e aceitavam inicialmente a prova como uma coisa fácil. As Regras de Osha e Ifá são produtos da tradição que se conservou e desenvolveu os melhores valores da herança cultural africana e de seus descendentes, da experiência no exercício religioso dos Oloshas, Babaloshas, Iyaloshas, Babalawos e Oluwos. Assim como de outras culturas que se fundiram em nosso país.

As regras são um conjunto de normas, que se devem seguir e que devem ajustar às condutas, tarefas ou atividades para atingir um objetivo. Este conjunto de regras, são de grande importância porque pretendem preparar o Iyawó e o iniciado no cumprimento estrito destas e de seu Itá para que alcance a sua harmonia, o equilíbrio de sua existência no plano terreno da vida e para o Iyawó desenvolver a disciplina, para que alcance hábitos para conduzir o seu comportamento, que aprenda a governar a sua maneira de ser, para que conheça através destes princípios fundamentais de Osha e Ifá e para que ele goze do prestigio da sua ética.

 

ALGUMAS REGRAS RITUALISTAS:

 

O Iyawó deve saber que a iniciação tem uma importância extraordinária, e que significa nascer de novo noutra forma de vida, onde ele adquire uma nova perspetiva da realidade, devido aos novos conhecimentos, poderes e capacidades que irá adquirir como consequência de sua estreita vinculação ao Sistema Oracular, com o Anjo da Guarda e com as mais distintas consagrações, cerimónias e rituais que enfrenta e enfrentará. A etapa de Iyawó, é de um tempo de limpeza e sacrifícios.

A pessoa que vai solicitar Yoko Osha, deve decidir, se vai envolve-se num futuro como Iyawó, deve apresentar-se em casa do Padrinho ou Madrinha elegido por ele, com um prato, dois cocos, duas velas e um "direito" que varia segundo o Ilé Osha e diante do Anjo da Guarda do Padrinho ou Madrinha. Tem de acordar com este, o momento em que vai dar o coco ao Anjo da Guarda do Padrinho ou Madrinha para ver se este pode acolhe-lo na sua Ilé (casa).

O Iyawó, deve ter realizado algumas missas espirituais e de investigação para conhecer o seu quadro espiritual antes do Yoko Osha. E deve fazer a Coroação Espiritual, antes das cerimónias do rio. O Iyawó deve solidificar a relação dos seus familiares e conhecidos defuntos para que sejam invocados nas cerimónias e nos rituais. O Iyawó deve preocupar-se pessoalmente por organizar a sua árvore geneológica de defuntos dos parentes religiosos com o Padrinho ou Madrinha. Nem o Padrinho ou a Madrinha, nem a Oyugbona, nem a Olosha, nem mesmo o Iyawó podem ter relações sexuais três dias antes da iniciação, nem durante, o qual constitui uma profanação.

Durante todos os dias da iniciação as conversas devem estar restringidas a temas religiosos e deve-se evitar os mexericos, as narrações que degradem as outras pessoas, assim como falatórios negativos. O Iyawó em jejum, deve ingerir diariamente a bebida a qual lhe pode incluir os asheses de Osha correspondentes. Imediatamente, depois tem que tomar um copo de ervas consagradas durante os sete dias que está em Igbodun. De acordo às suas possibilidades deve tomar a maior quantidade de ervas possíveis, para a qual a Oyugbona deve criar as condições para a conservação das ervas.

O Iyawó deve saber que o traje do dia que recebe na coroação é o que usa na apresentação do Tambor e é o vestuário com que ele será vestido em sua cerimónia de Ituto. Este deve receber no dia que se apresenta o Tambor e deve conservá-lo e guarda-lo num lugar muito seguro, onde não o veja mais, que não tenha contacto com ele mesmo tanto o seu Padrinho ou Madrinha.

O Iyawó tem que permanecer os sete dias no trono do Igbodun, dormindo aí mesmo sobre uma esteira. Exclusivamente, com a exceção das letras.... que lhe permite sair do Igbodun, somente os filhos de Elegguá. O livro do Itá deve ser redigido pelo Afeicitá, que é quem testemunha que o fiel documento é a conversação do Obbá. Este livro deve conservar-se toda a vida, pois é ele que nos irá guiar na nossa vida e com que se faz a cerimónia de Ituto. Nada se pode mudar na conversa do Obbá, que tem que estar fundamentada pelos signos com que fala cada Osha. O Iyawó recebe o livro original e o Padrinho ou Madrinha deve ter um copia.

O Iyawó deve possuir o Livro do Itá de sua iniciação, o Diloggún e as Otá de seus Oshas, a partir do sétimo dia da iniciação. O Padrinho ou a Madrinha não podem ficar com isso. O Padrinho ou a Madrinha são os máximos responsáveis pela iniciação e também pelo Iyawó e deste quando faça Olosha. É quem põem seus fundamentos para que nasça o Iyawó e as suas Oshas; é quem vela e supervisiona para que se faça de maneira correcta as cerimónias por a Oyugbona e os Oloshas.

O Iyawó deve fazer o Ebbó Meta aos três meses. O Iyawó mesmo que não tenha feito o seu Ebbó Meta está subordinado ao seu Padrinho ou Madrinha em que consente os conceitos de Osha e Ifá. O Iyawó deve saber que de acordo com as suas possibilidades deve fazer o Ebbó do Ano. O Iyawó não pode fazer rogação de cabeça a ninguém, não pode entregar os Guerreiros, nem os Colares. O Iyawó deve, durante três meses, comer na esteira e durante todo o ano deve comer com uma colher, o prato e o copo que foram consagrados em Igbodun e não podem comer com faca e garfo. Deve levar consigo para a rua o seu copo, prato e colher, caso vá ingerir alimentos. 

O Iyawó não deve comer parado na rua. Caso, se encontre em outro Ilé Osha ou em casa de alguém, deve fazer sentado sobre a esteira como a regra estabelece; as sobras do que não come, recolhe-se num papel e põe na rua à frente da porta de casa e dedica a Eshu ou a Eggún. Existem exceções destas regras dos Iyawó que comem no seu local de emprego ou por outras razões de sua profissão ou ofício; não sendo assim, estas regras são em sua casa ou em algum Ilé Osha.

O Iyawó tem a obrigação de um dia antes de todos os aniversários fazer assentamento de Osha, em ir a casa de sua Oyugbona, levar dois cocos, duas velas e um direito para que roguem a cabeça e a Oyugbona deve ao outro dia, ir a casa deste dar coco aos seus Oshas; em caso do Iyawó não ter Oyugbona, Padrinho ou Madrinha deve ir a casa de seu Padrinho de Ifá ou a casa de algum maior de sua família para que roguem a cabeça e dêem coco aos seus Oshas.

O Iyawó está obrigado a fazer o seu primeiro Osha com o seu Padrinho ou Madrinha, o qual dirige, administra e dispõe do "direito". O Padrinho ou Madrinha tem a obrigação de ensinar ao Iyawó o Olosha, todos os passos e procedimentos de Osha, para que aprenda.

O Iyawó não pode tirar o Diloggún nem participar em cerimónias, rituais ou outras obras e muito menos em ações contra nada, nem entrar em casa de nenhum Olosha nem Babalawo quando estão a fazer obras, nem ir a Centros Espiritistas.

O Iyawó deve ter sempre a cabeça coberta durante um ano e não a deve descobrir por nada, a não ser antes de seus maiores de Osha. O que estiver a fazer uma rogação à cabeça, é o único que pode tocar, quando por alguma circunstância não é o Padrinho ou Madrinha ou a Oyugbona e em caso de acidentes que seja necessário a ajuda dos médicos.

O Iyawó não se pode pôr a tocar e nem a andar muito com os seus Oshas. Periodicamente, deve destapar os que levam água para ver se esta tudo em ordem e repor a água, os que não tenham água deve fazer uma analise para ver se esta tudo bem. O Iyawó, onde estiver deve falar com frequência às suas Oshas ou à frente das suas Oshas.

O Iyawó deve atender como é devido aos seus Oshas e Orishás. Todas as manhãs, ao levantar-se, deve apróximar-se deles e saudá-los com uma chavena de água e se for possível acender uma vela a Elegguá.

O Iyawó está obrigado a aprender o Oráculo do Diloggún, e do Biagué e Aditoto; deve também aprender a moyugbar, a dar coco, saber as rezas e cantos, assim como atender aos seus Oshas e Orishás, conhecer todos os Oshas e Orishás de Osha e Ifá. O Iyawó deve estar presente em todas as atividades de seu Ilé de Osha e participar nas iniciações, consagrações, cerimónias e rituais para os que estão capacitados, com o objetivo de que pode aprender a forma de fazer as coisas. O Iyawó e todos os Oloshas devem estudar e superar.

 

 

Atte Osvaldo Shangó  

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 

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