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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:

O mundo dos Orichas

CONHEÇA E PERCEBA ESTA RELIGIÃO AFRICANA

Este blog foi criado com o objetivo de clarificar o que é a Santaria Cubana ao público Português. Muito se fala de Santeria, mas poucos realmente sabem do que se trata. Neste website mostro as diversas linhagens que existem nesta religião, sem, no entanto, entrar em muitos pormenores. Como sabe, esta religião foi passada de pai para filho, sempre de forma oral, e desta forma perdeu-se muita informação durante os últimos séculos. Sendo assim, os textos que aqui coloco serão só um ponto de vista e da minha ilé de Ocha (casa de santo) que pertenço. Sabemos nós que alguns estudiosos e Oriatés desejam sempre mostrar que são eles os sabedores desta religião, mas lembro que nenhum Oloricha, Santero, Oriaté ou Babalawo possui a sabedoria total e sendo assim não devemos falar em verdades “absolutas”.

Aqui neste espaço vamos debater temas e falar abertamente sobre o que é a Santeria, as suas crenças, os seus Orichas e a sua forma de pensar, que passa por desmistificar tabus e crenças que o público, em geral, tem sobre esta religião Yorubá. Desta forma vamos esclarecer aos estudiosos e crentes que a Santaria não passa de uma evolução espiritual real e assenta em princípios históricos, com bases religiosas muito fortes, sobre a caminhada do ser humano na terra. Trata-se de sensibilizar o público, em geral, sobre esta religião. Quando falamos da Santaria, queremos saber do que se trata, se acreditamos em DEUS, e de que forma fazemos esta adoração. Conhecida como “Regra de Ocha”, a esta foi atribuída uma imagem quase sempre negativa, por parte de certas pessoas, talvez por pertencerem a outras religiões, grupos religiosos ou seitas, que se sentiram com autoridade moral para fazer certos comentários, afirmações, criticas e ataques com a maior maldade, sem saber absolutamente nada desta bela religião.

Acredito, que esses crentes sentem-se defraudados, enganados ou confundidos pela sua religião porque chegaram à conclusão de que aquela à qual eles dedicaram toda a sua vida, está cheia de erros, enganos e maldade. Por isso, se quer aprender mais sobre esta bela religião, então consulte os textos colocados aqui neste blogue, e desfrute do conhecimento adquirido durante muitos séculos por este povo.

 
 
Desde já o meu obrigado,
Okanbi / Omo Algallú.
 

ÚLTIMOS TEXTOS PUBLICADOS

tratado dos ibeyis

 

Mulheres em Ocha

Tratado de ibeyisData: 28-06-2019

Escrito por: Omo Okanbi

Orun IBEYIS são os filhos de Oxum, que se chamam Taiwo e Kaínde (masculino de Shangó e feminino de Yemaya). Oshún viveu com Shangó e ficou Obono (grávida). Como Shangó estava sempre viajando para terras diferentes, numa das suas viagens demorou mais do que o previsto, e Oshún não aguentado as dores, teve dois gémeos. 

 

Mulheres em OchaData: 14-05-2019

Escrito por: Omo Okanbi

Neste artigo desejo fazer compreender aos praticantes da religião Yorubá, sejam de Ifa ou de Ocha o papel da mulher na religião. Como também é conhecido o tratamento dado as mulheres que tem a menstruação, na qual são vedados determinados rituais.

cascarilha na religião

 

Livro do Itá

Virtudes da Cascarilha (Pemba)Data: 10-04-2019

Escrito por: Omo Okanbi

A cascarilha é um dos mais antigos talismãs que se conhece, desde a antiguidade. Tem como matéria-prima o calcário, rochas sedimentares, composto de ferro, argila, cálcio, calcita, fluorita, entre outros minérios naturais. Também sabemos, que a cascarilha usada hoje não é a mesma que os antigos usaram, a qual era importada da África e a matéria-prima era o caulino. Ambas têm um formato oval para facilitar a utilização.

 

Data: 20-06-2018

Escrito por: Omo Okanbi

Quando falo deste tema a muitos religiosos da religião yorubá, ainda verifico estranheza no assunto. Falar do livro do Itá, é claramente mostrar a evolução do religioso na religião, como ainda as obrigações, quais são os orichas da sua consagração, os padrinhos e madrinhas da sua coroação e os seus oddus que saíram na cerimónia.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Egguns (Mortos)

Orichas - Ikú Lobi Ocha

UM DOS PILARES DAS RELIGIÕES AFRICANAS

Os mortos (ikús) os espíritos que nos rodeiam (egguns) devem ser atendidos, com o mesmo respeito que os SANTOS (Orishas). A reverência aos antepassados é um dos pilares das religiões africanas. Na religião Yorubá “morto pariu o santo” (ikú lobi ocha), antes de invocar, pedir permissão (moyugbar) e saudar os Orishas há que invocar os mortos. Todos os Orishas foram seres vivos como os santos católicos e depois de mortos foi lhes dado o título de santo pela vida que levaram aqui na terra, é o caso do Orisha Changó que foi quarto rei de Oyó (ile Ife) na atual Nigéria.

Os Egguns comem antes que Elegguá e separados dos Orishas. Em determinadas cerimónias são oferecidas uma vela (ataná), coco (obi) em nove pedaços que é a marca do morto, água fresca (omi tutu), aguardente (otí), café (omi bona), tabaco (achá), pimenta da guiné (ataré) e utiliza-se a cascarilha (efún). Esta oferenda faz-se fora da casa ou num canto interior, no caso de não existir pátio, e coloca-se dentro de um círculo ou retângulo (atena) desenhado com cascarilha. A cerimónia inicia-se com a moyugba correspondente e a declaração do sentido da oferenda. Isto pode-se realizar mesmo com coco fresco em que se parte em pequenos pedaços que atiram-se para o interior da figura traçada no chão dizendo “alfaba iku, alafaba ano”.

Esta oferenda é obrigatória quando se vai sacrificar um animal de dois ou quatro patas. Ao terminar pergunta-se aos egguns se receberam a oferenda, se dão a sua conformidade e onde se deve levar os restos. Isto faz-se com quatro pedaços de coco fresco seguindo as regras para a leitura do coco. Outros religiosos dizem que os mortos não devem comer no interior das casas porque a sua comida deve ser servir fora de casa. Aos mortos pode-se oferecer água, pão, bebida, tabaco e alimentos cozinhados sem sal. Tudo isto coloca-se num prato e acende-se uma vela, no dia seguinte faz-se a moyugba e pergunta-se mediante os cocos qual o caminho que se deve dar à comida, esse pode ser no monte (nigue), no lixo (ikún), no rio (ilé oshún) e assim sucessivamente. Os presentes nestas cerimónias com os mortos devem ser marcados com uma cruz de cascarilha na frente como proteção.

As flores constituem uma oferenda que alguns oficiantes (olochas) colocam devido à essência do fluido espiritual. Quando a alma de um defunto, apesar de estar bem e atendido, oferece a sua presença continuamente, Oyá-Yansa (dona e porteira do cemitério) ordena que se faça uma fogueira no pátio porque o fogo assusta os mortos e os aleija, no entanto, não queima. No espiritismo a parte espiritual e o ritual que se brinda aos espíritos é distinto, varia de acordo com o espiritismo puro ou influído por Ocha, ou Palo, ou outra religião. Em alguns casos os espíritos atendem com uma “sessão espiritual”, segundo o que requer o quadro espiritual da pessoa. Num dos copos de água que colocamos na sessão coloca-se um crucifixo. Um espiritista será quem determina definitivamente a sessão e poderá abrir uma cerimónia espiritual que se realizará em algum lugar. A reunião espiritual contribui para fortalecer os guias e protetores da pessoa, que pode ser conhecida ou não, e entre os quais se inclue os seus familiares mortos. Quando um crente desconhece o seu quadro espiritual, pode invocar as suas proteções com nomes temporariamente designados até investigar.

Atenção aos copos com água na sessão, não se devem colocar flores ainda que alguns olochas o façam. No espiritismo mais puro, a cerimónia de invocação faz-se mediante oração e cantos. São muito utilizadas as orações ao Anjo da Guarda, aos guias e protetores segundo os conceitos Cardecianos.

No espiritismo praticado em Ocha utiliza-se o copo de água, a água bendita, perfume, velas, flores e determinadas ervas para despojos. Também se pode utilizar a cascarilha como filtro protetor assim como o tabaco e a aguardente segundo os gostos do morto. Em algumas sessões espirituais as pessoas que incorporam entidades espirituais chamam-se instrumentos de cavalos (médium espírita de incorporação), ou seja, passam a montar em mortos, e pedem tabaco e aguardente ao serem possuídas, e falam por esses espíritos. No campo espiritual também se conhece uma missa espiritual ou a missa católica na igreja. Ambas as formas começam por dar luz aos mortos e elevá-los. Se há algum entrave por um morto obscuro, ou um enviado por um caldeirão de palos ou mayombe, este deve ser eliminado primeiro no seu aspeto espiritual mediante reconhecimento, despojos, passe, missas, etc. e depois fazer o rompimento no campo material com ebbos, purificações e banhos. A relação entre o espiritismo e a religião Yorubá e lucumi é muito estreita porque sem a atenção dos mortos nada sai bem, pois, o morto é o primeiro.

“Maferefún egguns"

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá.

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 

 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Ervas de Ossain

Orichas - Ikú Lobi Ocha

FOLHAS DE OSAIN

O Oricha dono das folhas é Osain, oricha do sexo masculino, que quer dizer: "dia glorificado ou manhã glorificada". Já que o dia é glorificado, diziam os nossos ancestrais, as folhas devem ser colhidas pela manhã, nunca à tarde, ficando também neutro o dia de Obatalá (sexta-feira), para a colheita das nossas ervas sagradas.

 

Quando saímos para colher as folhas, devemos levar oferendas ao Oricha dono delas, para agradecer, pois, estamos a levar as folhas sagradas para o culto, também quando formos para o habitat (mata) de Osain, devemos respeitar o que é de mais precioso para a Santeria, não danificando as árvores, pois, nós do culto temos que dar exemplo de preservação do eco sistema. 

 

NÃO EXISTE ORICHÁ SEM FORÇA DA NATUREZA

As folhas são constantemente louvadas dentro dos cultos. Existe um velho provérbio nagô que diz:

 

"KOSI EWÉ

KOSI OMI 

KOSI ORICHA" 

 

Tradução:

SEM A ERVA 

SEM ÁGUA 

NÃO HÁ ORICHÁ

O Orichá tem o poder sobre um grupo de ervas mágicas. O omiero usado para lavar os Otanes deve ser composto de ervas que "pertence" ao Orichá. O recurso mais comum para um Santero ou qualquer crente em Santeria quando confrontado por um problema cuja solução não requer um sacrifício de animais ou qualquer outro ebo específico, está em preparar um banho de ervas (Ewe). 

Usado muitas vezes como um descarrego do corpo, um descarrego do espírito, ou para limpar a casa, é um método mais rápido para resolver problemas e dissipar males ou Osogbos. Quando se trabalha com ervas para vários Orichás é muito importante que as ervas sejam empilhadas separadamente até que estejam prontas para ser misturadas no omiero final. Quem normalmente prepara e lava o omiero do seu Orichá recuperar a sua saúde e purifica-se de todas as impurezas. O Omiero é uma mistura sagrada de 21 ervas que é utilizado para lavar Otan (pedras), ferramentas do Orichá, taças, etc.

Falar das folhas na Santeria é muito complexa, pois, nos diversos países e cultos africanos que existem dentro desta religião, as folhas recebem nomes e funções diferentes. Caso deseje saber mais sobre as ervas medicinas nesta religião pode aceder ao nosso espaço web em Ewe dos Orichas

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 

 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Ewe dos Orichas

Orichas - Ikú Lobi Ocha

FOLHAS E ERVAS SAGRADAS

A Mãe Natureza proporciona ao homem uma infinidade de plantas com valores medicinais. A nossa flora e a natureza constituí uma fonte inesgotável de saúde e os nossos ancestrais sempre souberam aproveitar-se dessa riqueza, pois, o uso das plantas medicinais existe desde o início dos tempos. As ervas medicinais cada vez mais são adotadas por especialistas da área de saúde. A fitoterapia, ou seja, uso de medicamentos naturais, é uma prática comum que pode auxiliar os tratamentos convencionais e evitar os efeitos colaterais dos medicamentos mais fortes. 

 

Algumas considerações sobre as Folhas Sagradas (Ewé)

Ko si ewé kosi Orisa

 

"Sem folhas não há Orisha"

 

Desde os tempos antigos e remotos ouvimos dizer, sortilégios, e curas milagrosas com ervas sagradas, e temos referências de muitas nas nossas vidas. As plantas medicinais que podemos ingerir, digerir ou sentir despertam diversas sensações, como o bem-estar, vibrações que passam pelos nossos músculos em cada sentido e choca com o nosso corpo físico. Provêm da energia da natureza, a energia do Orichá, a energia do Mundo.

Existem diversas folhas com diversas finalidades e combinações, nomes e considerações dos nomes, facto que muito impressiona quem as manipula dentro do Asché. Temos que ter muita consciência de como usá-las para que não sejamos apanhados de surpresa por energias que são invocadas quando a maceramos, quando colocamos o sumo da erva em contacto com o nosso corpo, quando a colhemos. Ewé, assunto este muito diversificado, muito delicado porque cada nação traz o seu ritual, porém, a folha é para a mesma finalidade, trazer energias boas e positivas, tirar energias ruins e maléficas em muitos casos, trazer resposta de algo se necessário para o individuo que a usa.

 

deixo alguns dos meus conhecimentos em Ewé e que Osayin ouça sempre as nossas Aduras (Rezas):

AMENDOEIRA: os seus galhos são usados nos locais em que o homem exerce as suas atividades lucrativas. Na medicina caseira, os seus frutos são comestíveis, porém, em grandes quantidades causam diarreia. Das sementes fabrica-se o óleo de amêndoas, muito usado para fazer sabonetes por ter efeitos esfolientes, além de amaciar a pele.

amendoeira

AMOREIRA: Planta que armazena fluidos negativos e liberta ao entardecer, é usada pelos sacerdotes no culto aos egguns. Na medicina caseira, é usada para debelar as inflamações da boca e garganta.

amoreira

ARRUDA: Planta aromática usada nos rituais porque Eshú indica contra maus fluidos e olho-grande. As suas folhas miúdas são aplicadas no bori, banhos de limpeza, o que é fácil de perceber, pois, se o ambiente estiver realmente carregado a arruda morre. Ela é também usada como amuleto para proteger do mau-olhado. O seu uso é muito utilizada na Umbanda.

arruda

AZEVINHO: Muito utilizada na magia branca ou negra, ela é empregada nos pactos com entidades. Não é usada na medicina popular.

azevinho

BARDANA: Aplicada nos banhos fortes, para livrar o sacerdote das ondas negativas e eguns. O povo utiliza a sua raiz cozida no tratamento de sarnas, tumores e doenças venéreas.

bardana

BELADONA: Nas cerimónias litúrgicas só tem emprego nas limpezas de corpo ou de locais onde o homem exerça atividades de negócio. Trabalhos feitos com os galhos desta planta também provocam grande poder de atração. Pouco usada pelo povo devido ao alto princípio ativo que nela existe. Este princípio dilata a pupila e diminui as secreções sudorais, salivares, pancreáticas e lácteas.

beladona

BELDROEGA: Usada na purificação das pedras de Echú. O povo utiliza as suas folhas, para apressar cicatrizações de feridas.

beldroega

BRINCO-DE-PRINCESA: É planta sagrada de Exu. O seu uso se restringe a banhos fortes para proteger os filhos deste Orixá. Não possui uso popular.

brinco-de-princesa

CANA-DE-AÇÚCAR: As suas folhas secas e bagaços são usados em defumações para purificar o ambiente antes dos trabalhos ritualísticos, pois, essa defumação destrói os eguns. Não possui uso na medicina caseira.

cana-de-açúcar

FOLHA DA FORTUNA: É empregada em todas as obrigações de cabeça, em banhos de limpeza ou limpezas de espaços e nos addimus de quaisquer filho-de-santo. Na medicina caseira é consagrada pela sua eficácia, curando cortes, acelerando a cura nas cicatrizações, contusões e escoriações, usando as folhas sobre os ferimentos. O suco desta erva pura ou misturado ao leite, ameniza as consequências de tombos e quedas.

folha da fortuna

JUREMA PRETA: Tanto na Umbanda quanto no Candomblé, a Jurema preta é usada nos banhos de limpeza e nos ebós de defesa. O povo a indica no combate a úlceras e cancros, usando o chá das cascas.

jurema preta

MAMÃO BRAVO: Planta utilizada nos banhos de limpeza e nos banhos fortes. Além de ser muito empregada nos ebós de defesa, sendo substituída de três em três dias, porque o Orixá exige que a erva esteja sempre nova. O povo a utiliza para curar feridas.

mamão bravo

MAMONA: As suas folhas servem como recipiente para assentar o addimu de Eshú. As suas sementes vão servir para purificar o otá do Orichá. Não tem uso na medicina popular.

mamona

PALMEIRA AFRICANA: As suas folhas são aplicadas nos banhos de limpeza. Não possui uso na medicina caseira.

palmeira africana

PAU-D’ALHO: Os galhos desta erva são utilizados nas purificações da aura e nos banhos fortes, feitos nas encruzilhadas, misturadas com aroeira, pinhão branco ou roxo. Na encruzilhada em que tomar o banho, assente um mi-ami-ami, oferecido a Exú, de preferência numa encruzilhada tranquila. Na medicina caseira ela é usada para exterminar abcessos e tumores. Usa-se bem as folhas e colocando-as sobre os tumores. O cozimento das suas folhas, em banhos quentes e demorados, é excelente para o reumatismo e hemorroidas.

pau de alho

URTIGA-BRANCA: É empregada nos banhos fortes, limpeza e nos addimu de defesa. Faz parte dos assentamentos. O povo a indica contra as hemorragias pulmonares e brônquicas.

urtiga branca

URTIGA VERMELHA: Participa em quase todas as preparações do ritual, pois, entra nos banhos fortes de limpeza. É ashé dos assentamentos de Ellegué e utilizada nos ebós de defesa. Esta planta é reduzida a pó, produz um pó mágico. O povo indica a necessidade de cozer as raízes e folhas em chá como diurético.

urtiga vermelha

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 
 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Música dos Orichas

Orichas - Ikú Lobi Ocha

TAMBORES MÁGICOS

Os tambores são tão ancestrais quanto o próprio homem. Os primeiros foram criados e manuseados ainda na pré-história, com o objetivo de saudar os Deuses e como forma de agradecer a comida conseguida por meio da caça aos animais. Milénios se passaram e centenas de representações religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a cultura e a visão de cada povo, de cada étnia, principalmente de acordo com os padrões sócio económicos de cada época. Imagens, cerimónias, mitologia, liturgias, símbolos, tambores, chocalhos e atabaques, são expressões da arte na religiosidade e na espiritualidade. 

 

O homem pré-histórico acreditava que a pele da sua caça esticada em troncos de árvores reproduzia o choro do animal morto. Na sua fase mais primitiva, a manifestação religiosa do homem tinha como base principal o contacto com as divindades - o transe. A música e a dança sempre foram os principais geradores dessa comunicação com os Deuses. Alguns historiadores e antropólogos do século vinte destacaram a ideia de que a maneira utilizada para se chegar aos conhecimentos místicos em religiões primitivas, esteve sempre associada ao êxtase (o transe) provocado pelo toque do tambor.

Esse instrumento seria então o responsável pela comunicação entre o homem e as divindades, seres responsáveis pelo comando da natureza no nosso planeta. Mesmo nas religiões mais antigas, o toque dos tambores também foi utilizado não somente para o culto às divindades, mas também como forma de manter contacto com os espíritos dos mortos.

 

OS TAMBORES NA ÁFRICA 

Nas sociedades africanas, a tradição oral é o método pelo qual histórias e crenças religiosas são passadas de geração em geração, transmitindo elementos de uma cultura. Uma parte integrante da tradição oral africana é, sem dúvida, a dança e o canto, e o mais importante instrumento musical africano é o tambor, em diferentes tamanhos, formas e para diferentes fins. 

O tambor é utilizado para enviar e receber mensagens espirituais, e é essencial na preservação da tradição oral. Na religião africana de culto aos Orichas e ancestrais, é considerado sagrado, e o seu tocador é classificado como um comunicador oral. Aquele que toca o tambor é um orador e um comunicador de mensagens sagradas. No ritual religioso, os tambores são o início de tudo, sempre representaram um papel muito importante na cultura africana. Existe um antigo provérbio que diz: ” Quando os tambores são tocados, eles não mentem “. 

O Djembe é possivelmente o mais influente, é a base de todos os outros tambores africanos, e remota há pelo menos 500 anos d.C. é um tambor sagrado utilizado em cerimónias de cura, rituais de passagem, culto aos ancestrais e ainda em danças e socialmente.

 

OS TAMBORES BATÁ 

A origem dos tambores Batá remonta há mais de 500 anos, e a sua história sobreviveu juntamente com o povo Yorubá, que chegou à América como escravo, mostrando a profundidade dessa religião e cultura, das quais é parte importante. O tambor Batá faz parte da prática religiosa chamada de “Santeria”, desenvolvida em Cuba e nos EUA, com influência principal da religião tradicional Yorubá, mas também de outros grupos étnicos, como os de língua Bantu, da região do Congo. 

Os tambores Batá podem falar, e não no sentido metafórico, podem realmente ser usados para recitar preces religiosas, poesias, saudações e louvores. Em Cuba, são utilizados em todas as cerimónias relacionadas aos Orichás, e recebem o nome de ‘"Batá de Fundamento". A sua fabricação e consagração requer toda uma força espiritual, que é inserida dentro do seu cilindro de madeira. Ao ser consagrado, recebe o nome de "Ayàn". 

 

 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
O Oráculo do Dilloggún

 

Orichas - Ikú Lobi Ocha

ORUNLA

A comunicação com os Orixás pode ser feita pelo oráculo de Ocha ou pelo jogo de Ifá. Olodumaré, o Deus Criador, deu para Orunla enquanto divindade manifestada no mundo, o Diloggún. Este  é o oráculo, o sistema divinatório composto de diversos métodos, os quais são os mais conhecidos o Opelé, o Ikin, o Merindilogun ou jogo de búzios e o Obi, este só é utilizado na realização das obrigações.

Orunla é a divindade de Ocha, é o sistema onde esta divindade se manifesta. Não há Ocha sem Orunla e nem Orunla sem Ocha. Estes dois conceitos, estão intimamente relacionados que muitas vezes nos referimos a Orunla como Ocha. É a divindade da sabedoria e do conhecimento, responsável pela transmissão das orientações dos deuses e dos nossos ancestrais, de maneira a permitir a cada um a possibilidade de uma escolha acertada para uma vida feliz.

“Orunla, a testemunha do destino e da criação, e é o segundo após Olodumaré. Aquele que estava presente, ao lado de Deus, quando a vida, o mundo e o homem foi criado. Orunla tudo vê, tudo sabe, tudo conhece. Não há nada que tenha sido criado ou que virá a ser criado que Orunla não saiba antes. Orunla conhece a vida e conhece a morte, ele conhece a existência: o antes e o depois. Por isso ele pode ajudar.”

Orunla/Ocha deve ser compreendido como um sistema, e o homem é a sua ferramenta. Tanto humano quanto espírito, enviado por Oloddumaré para ir a diferentes lugares, sempre que há necessidade, para ajudar os homens a enfrentarem os seus problemas, contornando obstáculos e desenvolvendo o seu bom carácter. Podemos também imaginar Orunla como o espírito de Olodumaré, manifestado no homem. Alguns dizem que a palavra Orunla deriva de Oro-Omo-Ela ou Oro= palavra/espírito e Omo= filho, Ela= Deus. 

Após a criação, Orunla veio à terra como divindade encarregada por Olodumaré, para ensinar os homens. Esta mensagem é a luz, o conhecimento e a orientação da sabedoria ancestral de toda a humanidade. 

“O jogo de búzios tem por finalidade identificar o nosso Orixá (Ori=Cabeça (física e astral) + Isá=guardião), ou seja, problemas de plano astral, espiritual, material e as suas soluções”. 

O jogo de búzios é uma leitura divinatória e esotérica por excelência, utilizado como consulta, quer seja para identificar o nosso Orichá, que é a mesma figura do anjo de guarda, a nossa situação material, astral e espiritual, principalmente em relação a problemas e dificuldades. A leitura esotérica divinatória está diretamente ligada à Orunla ou Orumila, cujos Olorichas, são os seus porta-vozes. Outras lendas africanas, mostram a ligação do jogo de búzios com Exú, Oxum e Obatalá. Os búzios são jogados em número de dezasseis, que correspondem aos dezasseis odús principais.

 

Okanbi

Com a bênção do meu pai Aggayú e Yemanjá

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