Perguntas mais frequentes sobre a Santeria

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Perguntas mais frequentes sobre a Santeria
 

ORICHAS - IKÚ LOBI OCHA

QUESTÕES SOBRE A SANTARIA

Aqui pode encontrar um sistema de exemplos de perguntas mais frequentes colocadas sobre a Santeria. Caso não encontre alguma pergunta que gostaria de saber faça o favor de nos contactar para o nosso correio eletrónico e colocar a sua questão. O mais breve possível será contactado.

 

A todos que o façam desde já o nosso muito obrigada,

Do Grupo Anastácia.

  

O QUE É A SANTERIA?

Santeria (literalmente, caminhos dos santos, os termos preferidos entre praticantes incluem Lukumi e Regra de Ocha) é um conjunto de sistemas religiosos relacionados, que funde crenças católicas com a religião tradicional Iorubá, praticada por escravos e os seus descendentes em Cuba, no Brasil (onde o candomblé apresenta semelhanças com a santeria), Porto Rico, na República Dominicana, Venezuela, no Panamá e em centros de população latino-americana nos Estados Unidos como Florida, Nova Iorque, e Califórnia. “Santeria” significa os “caminhos dos santos”, originalmente um termo prejorativo aplicado pelos espanhóis para ridicularizar a devoção excessiva dos seguidores aos santos e à negligência de Deus. Tem uma teologia completa, uma tradição ancestral de rituais elaborados e coloridos. É uma religião de mistérios iniciados à semelhança dos célebres mistérios de Eleusis que se celebravam na Grécia antiga, mas estes não se perderam por serem mais bem guardados e sobreviveram por milénios com relativamente poucas mudanças. Para esclarecer, apesar do nome popular como é conhecida, a Santeria não consiste num culto a santos católicos. Apenas durante a escravatura, para poderem manter a sua religião os devotos de Santeria davam nomes de santos caólicos aos seus Orishas para poderem praticar a religião. Os Orishas são as divindades dos Yorubás, e a palavra “santo” é só utilizada devido à conveniência e à familiaridade. Os Santeiros conhecem Deus como Olorún (Dono dos Céus) ou como Olodumaré. Existe um número indefinido de Orishas ou de divindades, que ajudam Olorún a distribuir o aché a toda a criação, e são vistos como aspetos de Olorún. Aché traduz-se como vitalidade, poder, graça, ou bênção. 

 

QUEM É OLODDUMARÉ?

Para os ancestrais Yorubás e para nós os seus descendentes, a existência de Oloddumaré (Ser Supremo) é tão real, como o povo. É muito raro encontrar entre nós os descendentes dos Yorubás, alguém que não acredita em Oloddumaré. Em outras palavras, para os afro-cubanos a crença de um Ser Supremo é Lei. Disto não temos a menor dúvida, sendo o Criador de todo o nosso universo e dos seres que nele habitam. Criador dos Céus e terra, homens e mulheres, criou também todas as Divindades espirituais (Orichas), que são os funcionários, intermediários entre o homem e Oloddumaré. É nossa “Divindade” suprema, é ele a origem de todas as coisas do céu e da terra, é o criador que existe desde os princípios dos tempos, o autor do tempo, do dia e da noite. Olodumaré é um Deus imparcial que controla o destino de todos os homens. É comum que os Orichas castiguem os homens quando estes rompem as leis, os rituais, sem embaraço com Olodumaré. Julga os homens de acordo com os sentimentos íntimos destes, com a sua personalidade e com o seu carácter, pois, ele tudo sabe e tudo vê da pessoa, inclusive os seus pensamentos íntimos. Ele é o único que pode julgar a moralidade de uma pessoa, e de acordo com isto, no final da nossa vida iremos receber o que merecemos na vida terrena. Sendo como é natural o juiz dos Orichas é regente peral no reino dos Deuses e da terra, nada se pode fazer contra a vontade de Olodumaré, ele é o Omnipotente do Universo, este move-se por ele, controla os elementos e a vida humana do planeta em qual vivemos.   

 

O QUE É UM SANTEIRO?

A função dos SACERDOTES da nossa religião é atuar como intermediários entre os homens e os Orichas, por tanto são considerados adivinhos. Esta função pode ser exercida mesmo por Santeiros ou Babalawos, e existem muitas outras funções que eles podem exercer como, por exemplo: ser médicos, adivinhos, curandeiros, encantadores, conselheiros espirituais, materiais e tudo o que está relacionada com a vida quotidiana dos humanos. Entendo, que se tem que ser um bom ser humano, um bom sacerdote, e quando digo bom, isto abarca uns conceitos mais elevados, já ausentes em muita gente. Ser um bom ser humano significa ter moral, princípios, ser benévolo, respeitoso até consigo mesmo. A arrogância e a vaidade, são coisas muito pré-estabelecida na maioria dos Santeiros e Babalawos dos nossos dias, são conceitos negativos que a maioria dos nossos praticantes devem corrigir, para poderem impor as suas ideias. Recorda-se que o pior dos defeitos que um homem pode ter é a “Vaidade”. Para decidir que é um especialista nesta matéria, necessita de muita sabedoria e aprendizagem, a qual não se adquire em curto espaço de tempo, é um trabalho de muitos anos de aprendizagem e de prática junto de pessoas qualificadas. Hoje em dia a maioria das pessoas, chamadas de experts nesta matéria, recopiaram os seus dados por livros, os quais não tem uma essência e muito menos sabem os autores dos “livros”, que é um dos nossos “oráculos”. 

 

O QUE É UM EBBÓ OU ADDIMU?

Os ebós ou addimú são oferendas feitas aos Orixás, Odú, Eguns e outras divindades para diversas finalidades, sejam elas, apaziguar algum problema, uma forma de agradecimento por alcançar algum objetivo ou simplesmente como forma de agradar as divindades que estão sendo adoradas. O princípio da Santeria baseia-se no ebó, nas oferendas de agradecimento obtendo a redistribuição do Axé e mantendo o seu equilíbrio vital. Devido à hierárquia, todo ebó a ser ofertado, para que o Oricha tome conhecimento, devemos invocar a energia de outros Oricha, que tem o papel específico de servirem de interligação entre nós e as divindades, sendo que sem a aceitação desses, os Orixás aos quais estamos a oferecer os ebós não sabem da sua existência. Gostaríamos de salientar que ao fazer tais oferendas ou Ebós, se faz necessária a presença ou orientação de um Santeiro (ou zelador de Santo como se diz no Brasil) para que seja colocado o Axé necessário para cada ato. Existem, porém, alguns ebós em que eles não são necessários. 

 

O QUE É UMA SESSÃO ESPIRITUAL? 

A sessão espiritual é parte de quem desenvolve a regra de Ocha ou o Palo, é como a parte que está no meio entre os santos e a nganga. Não tendo as três que se relacionarem entre si. É um centro de poder onde coincidem diferentes espíritos servidores de distintas funções e interesses, cujos poderes podem ser evocados por um devoto em seu benefício, da sua família, ou daqueles a quem deseje realizar uma obra de caridade. É composto por nove copos com água, um copo de cristal transparente com água, um rosário e uma cruz ou crucifixo, preferencialmente de madeira (estes integram o Cristianismo). Outros elementos são as flores, nas ocasiões que indicam, uma vela cuja cor será branco ou outras cores segundo indicação. Também de acordo com as diferentes missas de investigação que são realizadas agregam-se imagens ou objetos, para que um morto em especial vibre no trabalho e se identifique com ele. Existem diferentes missas.

 

PORQUE SE UTILIZAM PEDRAS NUM SANTO?

Os Africanos acreditavam que o Santo quando caminhava na Terra, ia ao céu e depois regressava em forma de chuva. Essa água caia nos rios e estes se convertiam em pedras que tomavam as cores segundo os Orichas (algumas brancas, outras negras, outras amarelas e rosas e assim sucessivamente). Eles sempre veneraram os rios porque ali estavam a representação dos Orichas Africanos. Se o leitor conhece um pouco da geografia do continente africano, dará conta que onde está a Nigéria há 16 rios, e o principal leva o nome de Changó e os outros 15 desaguam neste. Tais pedras eram recolhidas uma a uma e perguntavam com um coco se tinham algum espírito de algum Santo em particular. Se o coco decidia que sim, então preparavam e lavavam com omiero de Osaín.  Por isso, Osaín é o Deus mais importante, é ele a vida da Terra e é o Deus curandeiro. Osaín tem o conhecimento de todos os Ewes (ervas), os que curam e matam, tem uma particulariedade muito rara, pois, salva as pessoas da mesma morte ou as curas de uma enfermidade má. Depois, fazem o sacrifício dos animais. O sangue dos animais fortalece e dá força a esse espírito para que se desenvolva e cresça, e para  que o Santo possa falar aos seus filhos.  

 

O QUE É O PALO MONTE?

O Palo Monte é oriundo dos povos Bantús, chamados Congos, estes procedem da parte sudeste de África, uma das regiões mais extensas do continente africano. Esta Regra foi o resultado da junção da cultura dos credos bantús, já que existiram distintos grupos étnicos com diferentes graus de evolução e níveis culturais. Pelo ano 1700 saíram de África grupos de tribos Nganga e chegaram a Cuba com o Lucumi, com o Abakua, com o Arara, com o Palo Monte Mayombe,  Briyumba ou Brillumba, Malongo, Kimbiza. Estas Regras em África eram e são puras, mas em Cuba com a iniciação do crioulo surgiram outras variantes, cruzaram-se e nasceu a Kimbiza que significa Cruzado é certo que daí nasceu o Palo Monte Mayombe Kimbiza. A kimbiza é a forma misturada de praticar a religião, ao que se chama Palo Cruzado, que rapidamente se estendeu e superou as outras, e dai resultou a ofenda do arroz com manga. Na nossa crença de Palo, há muitas Casas e Linhagens com diferentes trajetórias e sistemas de crenças. A Regra da Kimbiza é a mais influenciada por todos os sistemas da crença encontrada em Cuba. O sistema da Kimbiza incorpora na sua fundação as práticas de Palo Monte junto com a crença do Espiritualismo, do Cristianismo, de Abakua, de Lukumi, Yorubá e outras, muitas mais.

 

O QUE SÃO OS EGGUNS? 

São os espíritos que nos rodeiam (egguns) e devem ser atendidos, com o mesmo respeito que os SANTOS (Orishas). A reverência aos antepassados é um dos pilares das religiões africanas. Na religião Yorubá o “morto pariu o santo” (ikú lobi ocha), antes de invocar e pedir permissão (moyugbar) e saudar os Orishas há que invocar os mortos. Todos os Orishas foram seres vivos originalmente como os santos católicos e depois de mortos foi-lhes dado o título de santo pela vida que levaram aqui na terra, como é o caso do Orisha Changó, que foi quarto rei de Oyó (ile Ife) na atual Nigéria. Os Egguns comem antes que Elegguá e separados dos Orishas. Em determinadas cerimónias oferecem uma vela (ataná), coco (obi) em nove pedaços que é a marca do morto, água fresca (omi tutu), aguardente (otí), café (omi bona), tabaco (achá), pimenta da guiné (ataré), e utiliza-se a cascarilha (efún). Esta oferenda faz-se fora da casa ou num canto interior no caso de não existir pátio. A cerimónia inicia-se dentro de um círculo ou retângulo (atena) desenhado com cascarilha, com a moyugba correspondente e a declaração do sentido da oferenda. Também se pode fazer com coco fresco atirando pequenos pedaços para o interior da figura traçada no chão dizendo “alfaba iku, alafaba ano............”

 

O QUE PROCURA O INICIADO NA RELIGIÃO YORUBá?

Uma orientação dos passos a seguir na sua vida, a direção e a sua missão escolhida pela sua Ori (cabeça). Um sentido de pertencer à religião onde Olodumaré vai aceitá-lo tal como é, que lhe dará o conselho para evoluir tanto no plano físico como no espiritual, tal como faria uma mãe que ama um filho mesmo conhecendo os seus defeitos e virtudes. Isto pode ser a razão pela qual mais pessoas estão a ser iniciadas na nossa religião, tanto podem ser médicos, advogados, ama de casas, militares, etc. Oferecemos uma resposta individual partindo da premissa que cada pessoa é um ser à parte, por isso não tem, um padrão a seguir como todos, já que cada um tem um caminho a seguir muito distinto do outro. Sendo cada um distinto do outro, é impossível que as regras e as leis possam ser as mesmas. Muitas vezes procuram essa orientação sobre o próximo passo a seguir, que o poderíamos comparar como um caminho, em que devemos saber até onde vamos e com que mentalidade nos devemos guiar para não ter tropeços. O Orisha ou anjo da guarda tutelar, será um orientador, para que tenhamos menos obstáculos nesta vida. Esse Orisha também vai ser o intermediário perante Olodumaré, das nossas andanças no mundo. É quem vai dar contas perante Ele das nossas obras boas ou más e quem vai interceder para que as sanções sejam menores. O iniciado terá de saber o que espera do Orisha, porque ele não vai fazer tudo por si, caberá a si fazer esse caminho. Não há crime sem castigo. Há quem acredite que pode fazer tudo o que deseja, porque pensa que o Orisha lhe vai permitir uma série de coisas, mas se entende que o Orisha está aqui para resolver ações mal feitas, nesta religião não é assim. Como dizem os mayomberos desta nossa religião o Orisha é lento e vagaroso como um elefante, o que quer dizer que lentamente vai esperando um momento para mostrar as nossas falhas. Um iniciado pode procurar também lucro económico, o qual é um erro, já que essa não é a base da nossa religião, antes pelo contrário, fala de sermos desprendidos. Esta religião não dá riquezas. É uma religião do mundo e que tanto nos ensina a viver nele.

 

QUAIS AS FUNÇÕES E OS DEVERES DA OYUGBONA?

O Iyawo vai ao lado do anjo da guarda da pessoa escolhida como Oyugbona, com o prato, dois cocos ou dois Obi Kola inteiros, 2 velas e o direito (dinheiro), e pergunta se a pessoa pode ser a sua Oyugbona para o futuro Iyawo, seja numa cerimónia de consagração de Ifa ou Oshá (Se esta for a Regra da Casa). Numa cerimónia de colares ou de iniciação a sua função é de assistir a madrinha ou padrinho nas cerimónias. Se é uma iniciação, deve ir com o Iyawo fazer o registo de entrada e marcar o ebbó, através de Ochá. É chamada para verificar os fundamentos do Iyawo, e deve ter em mente as coisas que o Iyawo vai necessitar no dia do rio e os detalhes da cerimónia. Deve deixar tudo preparado para o dia da iniciação, já que é chamada para facilitar tudo ao Oriaté em Osha e ao Awo que dirige as cerimonias do dia seguinte (o dia da iniciação). Tem que fazer as rogações ao Iyawo, assistindo todos os dias que esteja na esteira. Deve estar no quarto de iniciação, já que esta será a pessoa que fará todo o trabalho e tem que ir buscar tudo o que faça falta no quarto (Bodun). Tem que estar atenta a tudo o que suceda no quarto, e que não falte nenhum detalhe, que possa escapar aos outros. É a encarregada de dar banho e vestir o Iyawo e de trazer a sua comida. Deve estar atenta ao que possa falta no dia do Ita. É a pessoa encarregada de levar o Iyawo à praça e ao mercado em Osha. De aqui em diante é quem dará obi aos Orishas do Iyawo e quem rogará a cabeça, a menos que o padrinho decida outra coisa. Acomoda os Orishas para o aniversário do afilhado. Pode delegar aos outros, funções triviais, mas as principais que lhe tocam, não as pode delegar, por isso que é Oyugbona. Em muitas casas, depois de se tocar ao anjo da guarda do padrinho, é regra tocar ao da Oyugbona. Finalmente a Oyugbona é uma pessoa muito importante, já que esta tem a responsabilidade de verificar o que falta numa cerimónia e dar assistência ao Iyawo em muitos aspetos. 

 

QUEM É A OYUGBONA?

A Oyugbona é a segunda pessoa que manda numa iniciação ou cerimónia. Ao terminar é a pessoa que assiste ao Oriaté. Também o significado literal em Yoruba é: Ela que vigia o caminho. 

 

O QUE SÃO OS BÚZIOS?

São os búzios abertos que dão caminho e solução aos problemas do consultante, através de receitas de banhos, oferendas ou ebós (limpeza corporal de energia negativa).  O Santeiro (pai de santo) que interpreta a leitura de búzios (o que lê os resultados do Odu), deve estar de corpo limpo, purificado com banhos, abster-se de carnes e bebidas alcoólicas, assim como de relações sexuais, para estar apto a comunicar com os deuses Orichas, e assim, melhor interpretar e traduzir as receitas e conselhos aos seus filhos ou às pessoas que buscam o socorro e o alívio para as suas dores morais e físicas.

 

QUEM É ELLEGUÁ?

É o Orisha que tem as chaves do destino. É o dono dos caminhos e mensageiro de Olofi, tem o privilégio de ser o primeiro em tudo. Muito se fala de Eleggwá que é o senhor e dono de todas as oportunidades da nossa vida, e é ele que abre e fecha todas as portas dos nossos desígnios e também o encarregado de fazer cumprir as leis sagradas da nossa Mãe Terra. Também temos em mente que Eleggwá é um Oricha, sendo o dono de todos os caminhos e portas deste mundo, é ele o fiel depositador do Ashé da nossa vida. Elleguá veste-se com as cores vermelho e negro, ou branco e negro e codificam a sua natureza contraditória do seu ser. O rato é uma das imagens que representa Elleguá na sua mais infinita procura de caminhos, que sempre os encontra. Em particular, Elegbara aparece na encruzilhada dos humanos e do divino, pois ele é o Oricha infantil e o mensageiro entre os dois mundos (a terra e o céu). Tem uma relação boa com todos os Orichas, mas é muito mais estreita com Changó e Orumila. Nada neste mundo se pode fazer sem a sua permissão, pois ele é sempre o primeiro a comer. Por isso Eleguá sempre é chamado em primeiro lugar quando se faz um sacrifício, pois ELE é quem abre as portas entre os dois mundos e os caminhos na nossa vida. Elegguá reconhece-se a si mesmo pelos números 3 e 21, e ele é a nossa sorte e destino, com ELE tudo se alcança e sem ELE nada se consegue. Quando pedimos um conselho a Eleggwá e ele nos fala e nos dá os seus conselhos, temos a certeza que é o nosso espírito interior quem nos fala através dos Oráculos.

 

QUANTOS ORISHAS EXISTEM NA RELIGIÃO YORUBá?

201 divindades são as pertencentes ao panteão Yoruba, mas na América só perduram até hoje, aproximadamente uns trinta Orishas dadas as características do ritual.

 

O QUE É O ORÁCULO DE IFÁ?

Oráculo supremo mediante o qual o Babalawo comunica com Orula e com as divindades do panteão Yorubá. Personifica a sabedoria e a possibilidade de influir sobre o destino. Utilizam a cadeia ékuele e o tabuleiro de ifá com ikines.

 

QUEM SÃO OS BÚZIOS NA RELIGIÃO YORUBá?

Os Cauris são parte do Orisha, transmitem a profecia personalizada através do “Diloggún” e os seus “Oddus”. É um sistema numérico interligados a pataki que estabelece uma relação entre os feitos narrados e os problemas que a pessoa pode ter.

 

O QUE É UM BABALAWO?

A Regra de Osha ou Santeria está interligada com Orúnmila ou Ifá.  Os babalawos têm uma consagração adicional de Orúnmila. Entregam os devotos “Mão de Orula” ( Ico-fá (mulher), Awo-faca (homem) de Orula) e diversas divindades, mas não consagram “Osha” aos seus afilhados. Reúnem-se em Concilio com a finalidade de apresentar as previsões de Orula que se cumprem inexoravelmente.

 

QUEM SÃO OS ORICHAS?

São divindades ou energias superiores que regem os nossos destinos, transcendem as nossas faculdades sensoriais, e são intermediários de Deus.

 

POR QUE ESSES NOMES TÃO ESTRANHOS PARA DENOMINAR DEUS E AS FORÇAS SUPERIORES?

OLODDUMARÉ está composto no dialeto Yoruba por: OLO eterno DDU tempo MARE criar estabilidade, este é Deus. OLOFI significa OLO extensão FI espaço de este mundo. OLORUN no continente africano, não é conhecido por certas pessoas, e nem adoram outro Deus que não seja o Sol como ele, e chama-se LORUN.

 

O QUE SIGNIFICA A EXPRESSÃO OLODDUMARÉ - OLOFIN- OLORUN? 

Oloddumaré é a criação = Deus Todo poderoso Olofin e Olorun é o Sol, e são tendências diferentes da divindade que se integram em uma só entidade. Penso que para chegar a entender todo o que é relacionado com Oloddumaré tem que se analisar todos os nomes correlativos de esta “Divindade”. Os nomes que vamos analisar deixam uma ideia muito clara de quem é “Oloddumaré”, eles marcam uma definida intenção dos conceitos do “Ser Supremo” (Oloddumaré).

 

(1) Oloddumaré: É a Origem de outra palavra, não é fácil determiná-la mas entre os maiores da nossa crença, confirmam que este nome está enraizado em uma grandeza, magistralidade eterna e qual o homem pode depender em o todo momento. 

(2) Olorun: Este nome explica-se por si mesmo: significa o dono de Orun (os céus de cima) o Senhor que é dono de todos os céus (universo).

(3) Eledaá: Significa o “Criador”. O nome diz e sugere que o “Ser Supremo” foi e é o responsável de toda a criação. Ele foi o que existiu e é a fonte de todas as coisas. 

(4) Alaaee: Este vocábulo implica o “ser que sempre está vivo”, isto é concebido por os maiores ancestrais da nossa crença, que ele é “espírito que sempre existiu”. Em outras palavras, o “Ser Supremo” nunca morre. Esta é a razão por que os antigos sacerdotes diziam: A ki Igbo Iku” (nunca havemos ouvido da morte de Oloddumaré).

(5) Elemii: Ele que é dono da vida. Este nome aplicado ao “Ser Supremo” sugere que todas as criaturas, animais, plantas devem o alento da vida a Olodumaré. Em outras palavras, sem a permissão Dele, nada tira a vida. Quando o dono da vida retira o seu alento dos seres vivos, eles morrem e então, é Ele quem planifica o futuro dos espíritos. Os maiores da nossa crença, em tempos passados agregaram-se a Ele, que antes disse: (Bi Elemii ko ka ba, emi eo se eei tabi eeini)  “Se o sono da vida não nos deixa já e o haré isto ou aquilo”. 

(6) Olojo Oni: É o dono e o controlador deste dia e o que se passa neste dia, chamam-no dono da vida ou controlador do dia, reflete a dependência que os seres humanos têm em Olodumaré, e é o supremo sobre todas as coisas. Dos estudos realizados de todos estes nomes, chegamos à conclusão que “Olodumaré” foi concebido por os antigos como o criador dos Céus e da Terra, aquele que tem a eterna magistralidade e goza da eterna grandeza. Ele tem um tabernáculo nos céus com os homens. "Ele" é o senhor que determina o destino dos humanos, não perde o contacto connosco, porque nós somos fragmentos de Olodumaré e queremos como seres individuais chegar a uma verdadeira união mas para isso, teremos que formar uma unidade. 

 

“Ache Olorun tobi” (a obra de Deus é grande). Olodumare é único. 

 

EM QUE SE FUNDAMENTA A SUA CRENÇA RELIGIOSA?

Doutrina africana animista que afirma que todo o ser natural está vivificado por um espírito, e é uma religião monoteísta que reconhece um só Deus Criador de tudo o que existe e possui práticas politeístas. A nossa crença baseia-se fundamentalmente na família e na sua hierarquia agarrada às leis dos nossos antepassados. Religião que nos aproxima tanto da vida como da morte, e que nos leva a unir o mundo material com o mundo espiritual. Definimos como uma cultura aberta e recetiva aos fundamentos e obrigações perante a sociedade. Acreditamos em Guias ou Orichas que nos ajudam a libertar os nossos bloqueios, que surgem na nossa caminhada da vida. Obrigações e oferendas fazem parte de uma necessidade evolutiva que nos leva a ter mais perto o ashé (energia) da natureza em que no seu equilíbrio levará o ser humano a ser mais feliz e a ter a paz necessária consigo e com os outros.

 

O QUE SÃO OS COLARES?

Os colares são de várias cores, correspondem e simbolizam cada Oricha. É óbvio, que os colares são resguardados e vitalizam-se depois de haver passado pela cerimónia de receber os colares, que é o segundo passo do Santeiro. A imposição dos colares é uma forma de nos identificar com o nosso Oricha e de dar inicio a um processo de iniciação na Santeria. Esta cerimónia prepara-se quando coincide com uma cerimónia de Santo. A imposição dos colares é tão complicada que quase nunca se prepara só com o propósito de receber colares. O Padrinho coordena a cerimónia dos colares com a cerimónia de alguém que está preparado para receber o Santo. Desta forma, as preparações elaboradas aproveitam-se para as cerimónias. Esta começa, quando o Padrinho através dos búzios, que servem de oráculos a esta religião, determina qual é o Oricha que é o protetor do iniciado. (Este Oricha em terminologia corresponde ao Anjo da Guarda de cada um, sendo o Oricha do qual é filho). 

A cerimónia desenrola-se num quarto fechado onde se encontram vários Santeiros e específicos atributos da cerimónia. Cada passo é premeditado e cada artigo do quarto tem a sua razão de ser. Até o vestuário de cada pessoa é cuidado de acordo com as muitas regras desta religião. Na cerimónia, além de preparar os colares, escolhem-se as ervas, sacrifícios de animais e também se despoja do iniciado de todas as más influências. Este despojo caracteriza-se com o ato de cortar a roupa que tem posta pois ao receber os colares é banhado com as águas preparadas com vários ingredientes que se ocultam zelosamente pelos Santeiros.   

 

QUEM SÃO OS YORUBÁS?

Os Yorubás são os integrantes de um povo africano, situado a sudoeste da Nigéria e na região limítrofe com a atual República de Benin, Togo e Gana, na África ocidental. Os iorubás ou iorubas (em iorubá: Yorùbá), também conhecidos como yorubá (iorubá) ou yoruba, são um dos maiores grupos étno-linguísticos ou grupo étnico na África Ocidental, composto por 30 milhões de pessoas em toda a região. Constituem o segundo maior grupo étnico na Nigéria, com aproximadamente 21% da sua população total.

A maioria dos iorubás fala a língua iorubá (iorubá: èdèe Yorùbá ou èdè). Vivem em grande parte no sudoeste do país; também há comunidades de iorubás significativas no Benin, Togo, Serra Leoa, Cuba e Brasil. Os iorubás são o principal grupo étnico nos estados de Ekiti, Kwara, Lagos, Ogun, Ongo, Osun, e Oyo. Um número considerável de iorubas vive na República do Benin, ainda podem ser encontradas pequenas comunidades no campo, em Togo, Serra Leoa, Brasil e Cuba. Bem como tendo acesso ao mar, eles compartilham fronteiras com os Borgu (variadamente chamados Bariba e Borgawa) no noroeste, os Nupe (que eles chamam muitas vezes, "Tapa") e os Ebira no norte, os Edo que também são conhecidos como Bini ou povo benin (não-relacionado com o povo da República do Benin), e os Ẹsan e Afemai para o sudeste. Os Igala e outros grupos relacionados, encontram-se no nordeste, e os Egun, Fon, e outros povos de língua Gbe no sudoeste. Embora a maioria dos iorubás vivam no oeste da Nigéria, há também importantes comunidades yorubás indígenas na República do Benin, Gana e Togo. A maioria dos iorubás é cristã, com os ramos locais das igrejas Angelicana, Católica, Pentecostal, Metodista, e nativa de que são adeptos. O islamismo inclui aproximadamente um quarto da população iorubá, com a tradicional religião iorubá respondendo pelo resto. Os iorubas têm uma história urbana que data de 500 d.C. As principais cidades iorubás são Lagos, Ibadan, Abeokuta, Akure, Ilorin, Ogbomoso, Ondo, Ota, Shagamu, Iseyin, Osogbo, Ilesha, Oyo e Ilé-Ifè.

 

O QUE ESPERA UM AFILHADO DE UM PADRINHO?

Que saiba desta religião, a menos que a pessoa nos tenha dito abertamente que não sabe muito desta religião. Que nos ajude a resolver os problemas que surgem. Que nos respeite como pessoas e que entenda que não somos a sua propriedade. Que nos ensine sobre a sua casa ou rama, para aprender como se fazem as coisas. Que seja suficientemente maduro e honesto para dizer que não sabe algo. Que nos permita aprender com outros se surgir a oportunidade. Que tenha a resposta para todas as nossas perguntas. Que não se meta em nossas questões a menos que o peçamos.

 

QUE ESPERA UM PADRINHO DE UM AFILHADO?

Um padrinho ou madrinha, espera que sejamos muito religiosos antes de tudo e respeitosos pelo seu anjo da guarda. Espera que sejamos obedientes e discretos, sobre tudo no primeiro ano de iniciação, que é tão importante. O afilhado representa o seu padrinho e essa casa religiosa, para o bom ou o mau. Deve haver uma comunicação efetiva entre ambos, já que esta relação é para toda a vida. O afilhado deve aprender a conhecer os distintos estados de ânimo dos seus padrinhos, já que isso garante uma relação cordial e duradoura. O afilhado ou afilhada deve manter em total segredo tudo o que o padrinho fale a outro afilhado no dia do Ita. O afilhado deve ver e aprender a forma de assistir nas cerimónias em casa do seu padrinho sempre e quando o convidem. É importante que o afilhado recorde sempre os aniversários dos seus padrinhos. O afilhado deve recordar que há outros afilhados em casa e que deve evitar a todo custo, criar ciúmes entre os seus abures (irmãos) religiosos. De igual forma devemos mencionar as coisas que não se devem esperar de um afilhado, e que um afilhado não tem que viver ajudando o seu padrinho economicamente, não tem que fazer agradecimentos constantes. Também tem que viver fazendo as tarefas domésticas, e há que recordar que esta religião, não é uma escravatura. De um afilhado deve-se esperar o mesmo que um filho, e os filhos nem sempre estão de acordo com os pais, e tomam as suas próprias determinações. 

 

COMO SE ENTRA NA RELIGIÃO YORUBA?

Seja por uma revelação (sonhos, mensagens, etc.), ou através do oráculo de Ifa ou Osha, ou por desejo próprio de iniciar-se na religião.  A maioria parte das vezes é pelo decreto do oráculo de Ocha. Estas são algumas das hipóteses que existem para que um crente se encontre com a sua verdadeira natureza espiritual. O destino é uma das possibilidades que existem no caminho dos crentes e uma forma mais "natural" de nos encontramos com Olodumaré.

 

O QUE É UM INICIADO OU UM IYAWO?

Aquele que se inicia em Ocha ou Ifa, no seu primeiro ano de iniciado (Ocha) conhecemo-lo como Iyawo.  Em alguns casos somente durante três meses em algumas casas, mas o normal é um ano, e só depois de ter completado o seu término o conhecemos como Babalosha ou Iyalosha no caso de Osha e awo ou Babalawo no caso de Ifa.

 

PORQUE SE USA O COCO NA SANTARIA?

O coco é usado tanto pelo Santeiro como também pelo Babalawo e com eles perguntamos aos Orichas o que é que desejam. O coco também pode-se usar em alguém que não tenha feito santo mas que já tenha os seus colares ou os seus guerreiros. O coco é conhecido como Obi e é um dos Orichas menos conhecidos. O oráculo do coco é acompanhado de cinco palavras que são Alafi, Itagua, Elleife, Ocana Sordi e Ocana Oyekun. Para preparar o coco para a adivinhação tem que se partir um coco seco e de ali retirar os quatro pedaços que se vão usar, recomenda-se usar os pedaços grandes. Quando estamos preparados para atirar os pedaços do coco, coloca-se estes em frente do Oricha ao qual se vai perguntar. Deve-se refrescar o coco com água, rezar ao santo e tirar do coco algumas lascas, isto depende do número do Oricha.

 

 

 
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