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Changó - Xangô - Shango

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú

xango

 

Changó é Onu (Rei Absoluto), porque na sua primeira etapa na terra foi Ozabelli, ou mesmo Oddú em pessoa. É por este motivo que quando se menciona Changó em qualquer coisa de Santo há que levantar-se um bocado do assento, e isto tem de fazer todo o mundo, sem importar os anos de Santo ou de Babalawo. Changó foi adivinho antes que Orúnla, mas Obatalá tinha jurado matar todo o filho varão que viesse a ter, devido ao que Oggún tinha feito com a sua mãe Yembo. Primeiro nasceu Orúnla e depois Changó. Quando nasceu Orúnla, Obatalá mandou-o enterrar ao pé de uma seiva e ali ficou a morrer à fome. Foi por mediação de Changó e de Elegwuá que Orula salvou-se de morrer à fome. Changó intercedeu junto de Obatalá e Elegwuá levou a comida. Changó deu o seu tabuleiro para consultar e procurar a sua vida. 

santeria ou santaria cubana em portugalFoi em Changó que nasceu Ozún (o Ozún é o que se pinta na cabeça das pessoas quando estas fazem Santo) e é um atributo de Changó, que este pediu a Obatalá para não parar de ajudar a humanidade, da morte e de problemas que virão e dessa maneira avisará das desgraças antes delas chegarem.

A palavra Changó quer dizer problemas. Por isso trás um Oché (machado de duas laminas) na sua cabeça, que quer dizer que nasceu com guerra na sua cabeça. É o guerreiro mais bravo desta religião. É alegre e introvertido. Dizem que por um tambor vende a sua mãe, mas isto não pode interpretar-se assim. Tem um conceito da vida tão grande e de alegria, que não quer saber de sofrimentos e penas, e por este motivo tem medo dos mortos.

Isto também não é certo, a razão que não gosta de andar em coisas de mortos, é o seu conceito que tem pela vida material e a sua alegria. É o rei do tambor e a ele lhe pertence o Bata. Ele foi Olou, bruxo adivinho e guerreiro. Conhece a vida desde o seu começo da humanidade pois veio a ela quando começou em Ozabelli. Changó é o Deus do fogo e manifesta-se através do raio e do relâmpago. Changó é um Orichá de um Santo na casa de Deus e de um Santo na casa dos mortos (ILE OLODUMARÉ NO DE ILE OCU) e por tudo isso Mafereffun Changó.

 

Dia da semana…………Quarta-feira.

Cores………………….....Na Santaria vermelho e branco; na Umbanda, castanho. 

Símbolos………………...Machado de lâmina dupla (oche) e meteorito. 

Elemento…………………Fogo.

Bebida …………………...Cerveja preta.

Domínio…………………..O fogo celeste: raio, trovão e meteorito. 

O que faz…………………Corrige injustiças e protege contra catástrofes. 

Saudação…………………Caô Cabiecilê! 

Onde recebe oferendas…Nas pedreiras.

Presentes prediletos ……Velas, charutos, suas comidas e bebidas preferidas. 

Observação: Vários Orixás foram reunidos na figura de Changó: reis míticos, guerreiros, deuses do fogo, das tempestades, das pedras. Por isso existem tantas variedades de Changó. 

 

LENDAS (1)

Quando Changó pediu Ochún em casamento, ela disse que aceitaria com a condição de que ele levasse o pai dela. Obatalá, já muito velho, seria carregado nas costas para que pudesse assistir ao casamento. Changó, muito esperto, prometeu que depois do casamento carregaria o pai dela no pescoço pelo resto da vida; e os dois casaram-se. Então, Changó arranjou uma porção de contas vermelhas e outra de contas brancas, e fez um colar com as duas misturadas. Colocando-o no pescoço, foi dizer a Ochún: " Veja, eu já cumpri minha promessa. As contas vermelhas são minhas e as brancas, de seu pai; agora eu o carrego no pescoço para sempre." 

LENDAS (2)

Changó vivia em seu reino com suas 3 mulheres (Iansã Oya, Ochún e Obá Nani), muitos servos, exércitos, gado e riquezas. Certo dia, ele subiu num morro próximo, junto com Iansã; ele queria testar um feitiço que inventara para lançar raios muito fortes. Quando recitou a fórmula, ouviu-se uma série de estrondos e muitos raios riscaram o céu. Quando tudo se acalmou, Changó olhou em direção à cidade e viu que seu palácio fora atingido. Ele e Iansã correram para lá e viram que não havia sobrado nada nem ninguém. Desesperado, Changó bateu com os pés no chão e afundou a terra; Iansã o imitou. Ochún e Obá Nani viraram rios e os 4 tornaram-se Orixás. 

KAWO KABIYESI LE!

É um dos Orichás mais populares no Brasil e na Venezuela e zela pela justiça e pelo fogo. Também é charmoso, sensual e gosta de fazer tudo com muito prazer. Por isso, teve três esposas: Iansã, Ochún e Obá. Sentimento de derrota é uma coisa que não existe em sua personalidade. Apesar de ser famoso por sua ação repressiva e autoritária, consegue distinguir entre o bem e o mal. O raio é a sua arma, que envia como castigo a quem age de maneira contrária a seus princípios de justiça. Os filhos de Changó são justos e odeiam a mentira e a falsidade. São muito sociáveis e costumam deixar as pessoas admiradas pela sua maneira extrovertida e conversadora. Há quem os odeie por dizerem tudo o que pensam. No amor, não há problemas para conquistar, mas podem ser um pouco infiéis.

CONHECENDO MAIS DE CHANGÓ

Como personagem histórica, Changó teria sido o terceiro Alafin Oyó, Rei (Senhor do Palácio) de Oyó. Era filho de Oranmiyan e de Torossí, esta filha de Elempe, rei dos Tapa, que tinha firmado uma aliança com Oranmiyan. Changó cresceu no país de sua mãe indo-se instalar, mais tarde, em Kosô, onde os habitantes não o aceitaram por causa de seu carácter violento e imperioso; mas ele conseguiu, finalmente, impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyó, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kosô. Conservou, assim, seu título de Obá Kosô que, com o passar do tempo, veio a fazer parte de seus Orikis (louvores). Dadá-Ajaká, irmão de sangue de Changó, filho mais velho de Oranmyian, reinava em Oyó por essa época. 

O seu carácter era calmo e desprovido da energia necessária a um verdadeiro chefe. Changó o destronou e Dadá-Ajaká exilou-se em Igboho, durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de cauris, chamada Adé de Bayani. Depois que Changó deixou Oyó, Dadá-Ajaká voltou a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se, agora, valente e guerreiro e voltando-se contra os parentes da família materna de Changó, atacou os Tapa, sem grande sucesso.

Changó, sob seu aspeto divino, é filho de Oranmyian, tendo Yamassé como mãe e sendo marido de três divindades: Oyá, Ochún e Obá Nani, que se tornaram rios no país Yorubá. Changó é viril e potente, violento e justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por este motivo, a morte pelo raio é considerada inflamante. 

Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Changó. O proprietário deve pagar pesadas multas ao sacerdotes do Orixá que vêm procurar, nos escombros, os Edun Ará (pedras de raio) lançados por Changó e profundamente enterradas no local onde o solo foi atingido. Este Edun Ará (na realidade machados neolíticos) são colocados sobre um pilão de madeira esculpido, odô, consagrado a Changó. 

Tais pedras são consideradas emanações de Changó e contém o seu Axé - o seu poder. O sangue dos animais sacrificados é derramado, em parte, sobre suas pedras de raio para manter a força e a potência. O carneiro, cuja chifrada tem a rapidez do raio, é o animal cujo o sacrifício mais lhe convém. Fazem-lhe, também, oferendas de Amalá, iguaria preparada, com farinha de inhame regada com um molho feito com quiabos. É no entanto, formalmente proibido oferecer-lhe feijões brancos da espécie Sesé. Todas as pessoas que lhe são consagradas estão sujeita à mesma proibição. 

O emblema de Changó é o duplo machado estilizado, Oxé, que os seus iniciados trazem na mão, quando em transe. O chocalho, chamado Xeré, feito de uma cabeça alongada, contendo pequenos grãos, é sacudido em honra a Changó. Convenientemente agitada, quando são anunciados os seus louvores, este instrumento imita o barulho da chuva.

Changó é o irmão mais jovem, não somente de Dadá-Ajaká como também de Obaluayê. Entretanto, não são os vínculos de parentesco, ao que parece, o que permite explicar a ligação entre o Deus do trovão e os das doenças contagiosas mas, sim, prováveis origens comuns no país Tapa. Neste lugar, Obaluayê seria mais antigo que Changó e, por deferência para com o mais velho, em certas cidades como Saketé e Ifanyin, são sempre feitas oferendas a Obaluayê, na véspera da celebração das cerimónias para Changó.

O pai de Changó, Oranmiyan, tornou-se, como dissemos acima, o primeiro rei de Oyó e o fundador da dinastia dos Alafin Oyó. O mito da criação do mundo, tal como é contado em Oyó, atribuiu este ato a Oramiyan e não a Odudúa. Estes dois personagens são os fundadores das respetivas linhagens reais de Oyó e de Ifé, o que bem demonstra que o mito da criação do mundo é, de uma parte e de outra, o reflexo da lenda histórica sobre a origem das dinastias que dominam esses dois reinos. A supremacia estabelecida por Oramiyan sobre seus irmãos nos é contada numa lenda recolhida, em Oyó, no século passado, por Jean Hess: 

"No início, a terra não existia. Em cima era o céu, em baixo era a água. E nenhum ser animava a terra ou animava a água. Ora, o Todo Poderoso Olodumaré criou, no início, sete príncipes coroados. Fez aparecer em seguida sete sacos onde haviam búzios, missangas e tecidos, uma galinha e vinte e uma barras de ferro. Fez, também, com tecido preto, um volumoso pacote do qual não se via o conteúdo. Criou, enfim, uma longa corrente de ferro com a qual prendeu os tesouros e os sete príncipes. Depois, deixou que tudo caísse do alto do céu. No limite do vazio não havia senão água. Olodumaré lançou uma noz de palma que caiu na água e, no mesmo momento uma palmeira se elevou em direção aos príncipes, oferecendo-lhes um abrigo no desabrochar de seus galhos. Os príncipes aí se refugiaram e instalaram-se com suas bagagens. A corrente de ferro voltou ao Todo Poderoso. Eram todos príncipes coroados e, por consequência, todos queriam comandar. Resolveram se separar a fim de seguir os seus destinos. Os sete príncipes decidiram dividir, entre eles, a soma do tesouro que o Todo Poderoso lhe havia dado. 

Os seis mais velhos pegaram os búzios, as contas, os tecidos e tudo que julgaram precioso. Deixaram ao mais jovem, Oranmyian, o pacote de tecido preto. Ele o abriu e encontrou uma grande quantidade de substância preta que não conhecia. Sacudiu o tecido. A substância caiu na água e tornou-se um montículo. A galinha para lá voou e, logo que pousou, começou a raspar com os pés e com o bico a substância preta que se estendeu por todos os lados. O montículo foi se alargando e tomando, progressivamente, o lugar da água. Eis como nasceu a Terra, segundo a vontade do Todo-poderoso... Eis como Oraniyan tornou-se rei de Oyó e soberano de todo país Yorubá, quer dizer, de toda a Terra".

O culto de Changó é muito popular no Novo Mundo, tanto no Brasil e Venezuela como nas Antilhas. Os tambores Batá não são conhecidos no Brasil, embora ainda o sejam em Cuba, mas os ritmos batidos para Changó são os mesmos. São ritmos vivos e guerreiros, chamados Tonibodé e Alujá, e são acompanhados pelos ruídos dos Xerés, agitados em uníssono. No decurso de suas danças, Changó brande orgulhosamente o seu machado duplo e assim que a cadência acelera, ele faz o gesto de quem vai pegar num saco Labá, pedras de raio e lança-as sobre a Terra. O simbolismo de sua dança deixa, a seguir, aparecer seu lado licencioso e atrevido. No decorrer de certas festas, Changó aparece frente à assistência, trazendo sobre a cabeça um Agerê, panela cheia de furos, contendo fogo, e começa a engolir mechas de algodão inflamadas, denominadas Akará, como na África. 

COMO são OS FILHOS DE CHANGÓ

O arquétipo de Changó é aquele das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância, real ou suposta. Das pessoas que podem ser, ao mesmo tempo, grandes senhoras, corteses, mas que não toleram a menor contradição e, nestes casos, são capazes de se deixarem levar por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso de reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. Enfim, o arquétipo de Changó é de pessoas que possuem elevado sentido de sua própria dignidade e de suas obrigações, o que as leva a comportarem-se com um misto de severidade e benevolência, segundo os humores do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça.

 

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá

 

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 

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