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Oyá Iansa - Oia Iansá

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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú

OYA IANSA

 

Oyá Iansa é o nosso credo, é um dos cinco elementos mais importantes nesta vida. Ela é a secretária de Olofi porque é a primeira que sabe tudo nesta vida pois é o ar. Imaginem o que seria deste mundo em que vivemos sem o ar que respiramos, o que seria das plantas e tudo o que necessita de ar para viver. Oyá Iansa é doce e pura, amável e bondosa e quando há doentes é a ela que se roga e pede-se pela saúde dessa pessoa. No entanto, quando está brava tem os atributos de Oggún e Changó, é tão falsa e má como um furacão e um tornado. Esta é Oyá.

Seu marido é Oggún, o qual abandonou por amor a Changó, que é o homem da sua vida e quem ensinou a arte de guerrear a Oyá. Ela é a Orichá do campo (Ilé Ocu – casa dos mortos). A cauda com que ela limpa todo o mundo da morte chama-se Afiza. Oyá é Allaba (rainha) e a cauda faz-se com a cauda de um cavalo e coloca-se uma pega forrada com nove cores.    

 santeria ou santaria cubana em Portugal

Dia da semana……………..Quarta-feira

Domínio………….............…Ventania e temporal

Quem é……….............….…A mais impulsiva das companheiras de Xangô, Orixá das paixões e aventuras

Características……….....…Passional, audaciosa, alegre, agitada, líder, vaidosa, intrigante, vingativa e irritável

Saudação…………..............Epa Hei! 

Onde recebe oferendas…..Nos cemitérios

 

EPAREI OYÁ

Oyá Iansã vai à frente de todas as entidades femininas, quando elas são convocadas. Também é conhecida como OYÁ. A lenda conta que ela viveu por volta de 1.400 a.C., na Nigéria, e pertenceu a uma família real. Filha de Yemanjá e Obatalá, é a mulher de Changó. No Brasil, corresponde a Santa Bárbara, já que é regente dos ventos e tempestades. Com grande força e determinação, jamais as perguntas feitas a ela ficam sem respostas. Os filhos de Oyá Iansã são muito temperamentais. Com grande espírito aventureiro, falam o que pensam e são atrevidos. Amam e odeiam com a mesma facilidade.

CONHECENDO MAIS SOBRE YANSA

Oyá, mais conhecida na Venezuela sob o nome de Yansã ou Iansã, é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Niger que, em Yorubá, chama-se Odô Oyá, o Rio Oyá. Foi a primeira mulher de Changó e tinha um temperamento ardente e impetuoso. Conta uma lenda que Changó enviou-a em missão ao país dos Baribas, a fim de trazer-lhe um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Oyá, desobedecendo as instruções do marido, experimentou esse preparo no caminho de volta a Oyó, tornando-se também capaz de cuspir fogo, o que provocou grande desgosto em Changó que desejava guardar, só para si, esta terrível faculdade. 

Oyá foi, no entanto, a única das mulheres de Changó que, no final de seu reinado, seguiu-o na sua fuga ao país de Tapa. E quando Xangô recolheu-se para debaixo da terra, em Kosô, ela repetiu o feito em Irá. Antes de se tornar mulher de Xangô, Oyá tinha vivido com Oggún. Vimos, em capítulos precedentes, como a aparência do Deus do ferro e dos ferreiros lhe causou menos efeito que a elegância, o garbo e o filho do Deus do trovão. Ela fugiu com Changó, e Oggún, enfurecido, resolveu enfrentar o seu rival, mas este foi à procura de Olodumaré, o Deus Supremo, para confessar-lhe que havia ofendido Ogún. Olodumaré interveio junto ao amante traído, recomendou-lhe que perdoasse a afronta. 

E explicou-lhe: "Você, Oggún, é mais velho do que Xangô!" (seu avô, se acreditarmos nas lendas referidas mais acima, onde Oggún é pai de Oranmiyan e este, pai de Changó). 

"Como mais velho, deve preservar a sua dignidade aos olhos de Xangô, e aos outros Orixás, você não se deve aborrecer, não deve brigar, deve renunciar a Oyá sem recriminações". Mas Oggún não foi sensível a este apelo, dirigido aos seus sentimentos de indulgência. Não se resignou tão calmamente assim, lançou-se à perseguição dos fugitivos e, como vimos anteriormente, trocou golpes de varas mágicas com a mulher infiel que foi, então, dividida em nove partes.

Este número nove, ligado a Oyá, está na origem de seu nome Yansã e encontramos esta referência no ex-Daomé, onde o culto de Oyá é feito em Porto Novo sob o nome de Avessân, no bairro Akron, Lokorô dos Yorubás, e sob o Abessân, mais ao norte, em Baningbé. Estes nomes teriam por origem a expressão Aborimesan, "com-nove-cabeças", alusão, ao que parece, aos nove braços do delta do Níger. Uma outra indicação sobre este nome nos é dada pela lenda da criação da roupa de Egungun por Oyá. Roupas sob as quais, em certas circunstâncias, os mortos de uma família voltam à terra a fim se saudar seus descendentes. Oyá é o único Orixá capaz de enfrentar e de dominar os Egunguns:

Oyá lamentava-se por não ter filhos. Esta triste situação era consequência da ignorância das suas proibições alimentares. 

Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia carne de carneiro. Oyá, resolveu consultar um Babalawo, que lhe resolveu o seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveriam figurar tecido vermelho que, mais tarde, haveria de servir para confecionar as vestimentas dos Egunsguns. Tendo cumprido esta obrigação, Oyá tornou-se mãe de nove crianças, que se exprime em Yorubá pela frase: Iya omo mesan, origem de seu nome Yansã. 

Assim que a roupa de Egungun, foi criada, formou-se, em torno dessa "novidade", uma sociedade composta exclusivamente de mulheres, com o objetivo de enfrentar a prepotência dos homens. Mas elas exageraram e aproveitaram-se da confusão provocada pela aparição desses seres estranhos, os Egunsguns, para enganar impunemente os seus maridos. Estes exasperados, conseguiram descobrir seus segredos, apoderaram-se da Sociedade e reservaram-na aos homens excluindo as mulheres para sempre". Existe uma lenda, conhecida na África e na Venezuela, que explica de que maneira os chifres de búfalo vieram a ser utilizados no ritual do culto de Oyá-Yansã: 

"Um caçador foi em expedição à floresta. Colocando-se à espreita, percebeu que um búfalo vinha em sua direção. Preparava-se para matá-lo quando o animal, parando subitamente, retirou a sua pele. Uma linda mulher apareceu. Era Oyá-Yansã. Ela escondeu a pele num cupinzeiro e dirigiu-se ao mercado da cidade vizinha. O caçador apossou-se do despojo, escondendo-o no fundo de um depósito de milho, ao lado de sua casa, indo, em seguida, ao mercado a fim de fazer a corte à mulher búfalo. Ele chegou a pedi-la em casamento, mas Oyá recusou inicialmente, aceitou entretanto, quando, de volta à floresta, não achou mais a sua pele. Oyá recomendou ao caçador que não contasse a ninguém que, na realidade, ela era um animal. Viveram bem durante alguns anos. Ela pôs nove crianças ao mundo, o que provocou o ciúme das outras esposas do caçador. Estas, porém, conseguiram descobrir o segredo da origem da nova mulher. Logo que o marido se ausentou elas começaram a cantar: 

“Máa jé, máa mu, awó re nbe ninu aká, o que significa: "Você pode beber e comer (e pode exibir a sua beleza) mas a sua pele está no depósito (você não é senão um animal)". 

Oyá-Yansã compreendeu a alusão, achou a sua pele, revestiu-a e, tendo retomado a forma de búfalo, matou as mulheres ciumentas. Os chifres ela os deixou, em seguida, com os filhos, dizendo-lhes: "Em caso de necessidade, bata-os um contra o outro, e eu virei imediatamente em vosso socorro". É por esta razão que chifres de búfalos são sempre colocados em locais consagrados a Oyá-Yansã. 

Na Venezuela e Brasil, as pessoas dedicadas a Oyá Yansã usam colares de contas de cor vidro e vinho. A Quarta-feira é o dia semana que lhe é consagrado, o mesmo dia de Changó, seu marido. Seus símbolos são os chifres de búfalo e um alfanje, colocados sobre seu Oeji. Ela recebe oferendas de cabras e acarajés (akará na África). Ela detesta abóbora. Carne de carneiro é lhe proibida. Quando se manifesta sobre uma das iniciadas está adornada com uma coroa cujas franjas de contas escondem o seu rosto. Ela traz um alfanje, em uma das mãos e um espanta-moscas ou mata moscas, feito de cauda de cavalo, na outra. Suas danças são guerreiras e, se Oggún está presente, ela não deixa de se empenhar num duelo, lembrança, sem dúvida, de suas antigas divergências. Ela evoca também, por seus movimentos sinuosos e rápidos, as tempestades e os ventos enfurecidos. Seus fiéis saúdam-na gritando: Epa Heyi Oyá. 

No Brasil, Oyá é sincretizada com Santa Bárbara e, em Cuba e Venezuela, com Nossa Senhora da Candelária. Certas Yansãs, chamadas de Yansãs de Igbalé, ligadas aos cultos dos mortos, os Egunsguns, logo que começam a dançar, parecem expulsar as almas errantes com seus braços largamente abertos e estendidos para a frente. O arquétipo de Oyá-Yansã é o das mulheres audaciosas, poderosas e autoritárias. Mulheres que podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias mas que, em outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e seus empreendimentos, são capazes de se deixarem levar em manifestações da mais extrema cólera.

Mulheres, enfim, cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e frequentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuar muito ciumentas em relação aos seus maridos, mesmo enganadas por elas.

 

LENDA (1) 

Certa vez, Changó foi visitar o irmão Oggún e conheceu sua mulher Oyá Iansã. Os dois apaixonaram-se e Iansã largou Oggún, indo viver com Changó. Tempos depois, com saudades, Iansã voltou para Oggún; então Changó chamou seu exército e atacou o reino do irmão. Enquanto lutavam, Oggún mandou Iansã para o reino de Ochosi. Quando Changó venceu, foi buscá-la, ela tinha-se casado com Ochosi. Atacou-o, e Ochosi mandou Oyá para o reino de Asowuano. E a história repetiu-se, até que Iansã foi mulher de todos os Orichás. Mas no final acabou por voltar a viver com Changó, e de sua união nasceram os gémeos Ibeji. 

LENDA (2) 

Iansã e Changó sempre foram muito companheiros, mas Changó, como rei, queria sempre ser o mais poderoso de todos. Oyá Iansã não se conformava com isso, pois ela é muito independente e não admite ser mandada por ninguém. Certa vez, disseram a Changó que, num reino vizinho, havia um sacerdote que conhecia uma poção que, quando ingerida, dava o poder de lançar fogo pela boca. Como estava envolvido numa luta, Xangô mandou Iansã buscar a poção para ele. Ao voltar, ela começou a pensar que não era justo que só Changó tivesse esse poder; então, tomou um pouquinho da poção, para que o marido não percebesse. Assim, ela ficou com o poder mágico mas, como tomou pouca poção, é dona apenas dos ventos e dos raios fracos.

LENDA (3)

Depois que casou com Ochún, que era muito bonita, Changó passou a negligenciar Oyá, que ficou muito enciumada. Um dia, quando Ochún foi tomar banho no rio, Iansã resolve vingar-se e fez surgir uma cortina de fogo no caminho; mas Oxum fez o rio transbordar e o fogo apagou-se. Iansã ficou ainda mais irritada e atacou Ochún com a espada. Como Oxum só levava um espelho, usou para fazer com que o reflexo do sol cegasse a rival. Só assim Oyá Iansã parou e as duas puderam conversar.

LENDA (4)

Oyá Iansã viveu por muito tempo com Changó e foi sua melhor companheira de aventuras. Apesar de sua inconstância, ela gostava muito dele. Por isso, quando Changó morreu, ela ficou tão desesperada que não quis mais viver. Pediu aos Orixás que aceitassem sua ida para o mundo dos mortos em companhia do marido e então matou-se. Por ter ido pela própria vontade, Iansã tornou-se amiga dos Egúns. É por isso que Iansã é o único Orixá que tem coragem de participar no culto dos mortos, dominando-os com seu chicote.

 

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 

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