A forma como diferentes culturas lidam com Iku (a morte) revela muito sobre a sua filosofia de vida. A visão amplamente disseminada no Ocidente, herdada da tradição Judaico-Cristã, frequentemente impõe luto, culpa e tragédia. Contudo, a sabedoria ancestral Iorubá oferece uma perspetiva radicalmente diferente: a morte como necessidade evolutiva e regresso à verdadeira essência.
Okanbi argumenta que o luto imposto pela sociedade ocidental é muitas vezes carregado de culpa, devido à negligência dos vivos para com os desejos do falecido.
Em vez de sofrer pela perda, a tradição Iorubá convida à celebração e ao alívio:
Fim do Sofrimento Terreno: O falecido terminou as suas lutas, as suas doenças e os sofrimentos inerentes à existência humana (torturas, falsidade, guerras).
Regresso ao Lar: O espírito (Emi) regressou à sua verdadeira casa: Ara Onu (o Céu ou o outro mundo), onde será recebido pelos Egguns (os espíritos ancestrais).
Festa e Alegria: O Orixá Shangó, que "tem medo" do sofrimento e não da morte em si, reflete esta filosofia: a vida deve ser vivida com festa, riso e gargalhadas. O funeral deve ser uma festa de despedida com alegria, celebrando o fim da dor.
"Não sofram pela perda dessa pessoa, pois agora regressou à Ara Onu... agradeçam e façam uma festa de despedida com alegria e gargalhadas, pois deixou de sofrer."

O texto contém uma crítica poderosa à condição humana dos "vivos":
A sabedoria ancestral, embora acessível a muitos, só é praticada por uma minoria que alcança o sucesso e, consequentemente, é alvo de cobiça.
A única solução radical para os problemas da humanidade, na visão extrema do autor, seria a morte coletiva, para que Olodumaré pudesse selecionar os "mais capazes e cheios de compreensão" para regressar à Ara e recomeçar a evolução.
O texto conclui com o antigo ditado iorubá sobre a sabedoria:
O homem sábio não se presume sábio. O homem que presume ser sábio, não o é. O homem que na realidade é sábio não demonstra o que é.