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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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quem é o pai de santo do centroanastacia

Orichas - Ikú Lobi Ocha

QUEM É OKANBI?

Chamo-me Okanbi (nome de Santo), e desde a minha infância o gosto e a admiração sobre o mundo espiritual sempre foi admirável, em parte por ter nascido num país que cultivava e admirava o culto do mundo dos espíritos e do além. Em 2001, foi o início do meu primeiro passo no mundo esotérico, começando a trabalhar com as cartas do Tarot, e desde aí tenho-me dedicado de alma e coração a uma arte esotérica tão apaixonante. Nesta caminhada acabei por fazer o curso de Reiki chegando a mestre Reikiano durante o ano de 2003, que me abriu novos horizontes e uma perspetiva sobre mim completamente nova, da qual exerço como profissão.  

Foi como se tivesse despertado para uma nova realidade. No percurso desta evolução agarrei com uma fé invulgar a Santaria Cubana, algo que me vinha a apaixonar desde 2004, e que procurava em Portugal saber mais sobre esta religião. No ano de 2006, acabei por deslocar-me a Venezuela, onde fui coroado Oloricha pelo meu Padrinho Obaodun e a minha Madrinha Ikú Diero, que daqui deixo o meu muito obrigado desde já, pela oportunidade dada e pela a vossa hospitalidade. O meu nome nesta religião é Okanbi que significa "Coração de Algallú", e tenho coroado Algallú direto na minha Eleri (cabeça). 

Desde a minha coroação a minha vida mudou completamente e todas as respostas que tenho vindo a procurar, acabaram por chegar. Foi como tivesse nascido “novamente” e isto fez-me mudar para melhor todos os meus conceitos espirituais e mentais. Exerço a minha atividade como Santeiro, de forma a explicar e sensibilizar o povo português do que é a Santeria Afro-Cubana. Aqui termino a minha apresentação e espero que quando visitar este espaço web venha a entender o que é a Santeria Cubana.

 

Desde já o meu obrigado

Okanbi / Omo Algallú 

 

QUEM ERA OKANBI NO POVO YORUBÁ?

A sudeste da atual Nigéria constituíra-se o poderoso e dinâmico grupo Ibo. Possuía uma estrutura ultra democrática que favorecia a iniciativa individual. A unidade sociopolítica era a aldeia. No sudoeste, desenvolveram-se os principados Yorubás e aparentados, entre os séculos VI e XI, tinham as suas crenças mergulhadas na mitologia dos deuses e semideuses. O grande passado de todos estes príncipes, é Odudua.  

Seria ele próprio filho de Olodumaré, que para muitos seria o Nimrod de que fala a Bíblia, ou segundo a piedosa tradição islâmica, de Lamurudu o rei de Meca. O seu filho Okanbi, teria tido sete filhos que vieram a ser todos “cabeças coroadas”, a reinar em Owu, Sabé, Popo, Benin, Olé, Ketu e Oyó. Alafin é título de nobreza, criado para aquele que governa o Palácio de Oyó. O referido título foi criado por Oranian, que homenageou o pai, Okanbi, como o 1° Alafin de Oyó. Logo, o 1° Alafin foi Okanbi, o 2° Oranian, o 3° Ajaká e o 4° Shangó/Xangô (1450 a.c a 1403 a.c).

A primeira cidade fundada após Ilê-Ifé (fundada por Odùdúwa), Oyó (Nigéria), que foi criada por Oranian, foi transformada num grande império yorubá-nagô pelas mãos de Changó. Também existe a denominação, povo oyó, assim como outras especificações para povos africanos. Com Okanbi, começa a epopeia dos heróis Yorubanos, pois entre os seus sete filhos aparece Oranian, cujo papel de implantação definitiva da cultura yorubana é imparável.

Independentemente de ter tentado continuar a missão do seu avô ODUDUWA na sua Guerra Santa contra os descendentes de Ismael, transformou-se na maior figura dessa cultura, a tal ponto que é o mais famoso dos 7 filhos de Okanbi.

 

CRONOLOGIA

OKANBI - 1° Alafin de Oyó, 1700 a 1600 a.c.

ORANIAN - 2° Alafin de Oyó, 1600 a 1500 a.c.

AJAKÁ - 3° Alafin de Oyó, 1500 a 1450 a.c.

SANGÔ - 4° Alafin de Oyó, 1450 a 1403 a.c.

JAKÁ - 5° Alafin de Oyó, 1403 a 1370 a.c.

 

Por volta do século XII, Ifé era uma cidade-estado cujo soberano o Oni, era reconhecido como chefe religioso pelas outras cidades iorubás. Ifé, foi o lugar a partir de onde as terras se teriam espalhado sobre as águas originais para, segundo a tradição, fazerem nascer o mundo. Os iorubás foram expulsos da antiga Oyó pelos Nupês (Tapas) estabelecendo-se no que é a Oyó de hoje. A partir do século XVI o poder da cidade-Estado de Oyó cresce até unificar todas as cidades-Estado iorubá. 

 

Alafia Agbures

Omo Okanbi

 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Quem são os Orichas

Orichas - Ikú Lobi Ocha

A INFLUÊNCIA DOS ORICHAS EM ÁFRICA

A influência fundamental dos Yorubás sobre nós, foi exercida através da sua religião e da sua imaginação. O seu panteão de divindades e Orishas continua a ser vivo e influente, motivou o interesse dos estudiosos. Em África cada Orisha estava vinculado a uma região ou aldeia, já que se tratava de povos distantes e autónomos que viviam em economias fechadas.

Assim o culto a estes Orishas era local. No território Yoruba adorava-se Changó em Oyó, Yemayá em Egba, Oggún em Ekití, Oridó e Ochún em Ijebu. Aliás, nestes cultos locais, havia alguns Orishas que eram adorados por todas as tribos de uma região, como Obatalá, de quem todos os governantes Yorubás se consideram descendentes. A importância ou posição de um Orisha depende da grandeza da tribo que o adorava ou de quantas tribos o adoravam. Em quase todos os casos, os Orishas são homens divinizados depois de mortos. O Orisha é uma força pura, imaterial, que somente pode ser percebida pelos humanos, se ele tomar a possessão de um deles. O candidato desta possessão, é elegido pelo Orisha, é um dos seus descendentes.

 

OS ORISHAS MAIS CONHECIDOS SÃO OS SEGUINTES:

 

AGGAYU

aggayu

(São Cristóvão) o Orisha da terra seca, do deserto. Patrono dos caminhantes, dos automobilistas, dos aviadores e dos estivadores. Patrono da cidade de Havana (Cuba). O seu dia é a quarta-feira e a sua festa celebra-se no dia 16 de Novembro. É considerado para muitos o pai de Changó, e é conhecido como o gigante de Ochá.

BABALU AYÉ

babalu ayé

(São Lázaro) Orisha das doenças venéreas, da lepra, da varicela e em geral das infeções que aparecem no ser humano. O seu dia é a quarta-feira e a sua festa celebra-se no dia 17 de Dezembro.

OLOKUN

olokun  

OLOKUN, oricha de grande importância, ainda pouco conhecido por muitos praticantes, porém, muito difundido e adorado na Nigéria. Estas crenças, em geral, são fundamentadas em algo original ou histórico, e em África existem inúmeras. 

 

CHANGÓ

chango

(Santa Bárbara Bendita) Orisha maior, Deus do fogo, do raio, do trono, da guerra, dos ILÚ BATÁ (tambores) do baile, da música e da beleza viril. Patrono dos guerreiros e das tempestades. O seu número é o 6 (Obbara). O seu dia é a quarta-feira e todos os 4 de cada mês. O seu dia é o 4 de Dezembro. Este Orisha, é considerado dono de todas as mulheres, pois, viveu amores com todas as Orishas. 

ELEGGUÁ

elegguá
(Criança de Atocha e São António de Padua) Elegguá é filho de Okuboro que era rei de Añagui. Na entrada das casas reside Elegguá, para proteger o refúgio familiar da entrada de Echu, o vagabundo que leva consigo os problemas. As cores de Elegguá são o vermelho e o negro, que representam a vida e a morte. 

JEGUÁ

jégua

Muitos na nossa crença tem a noção de que Oya-Yanzan é a que manda e rege o cemitério, no entanto, não é assim. É ela quem recebe o cadáver na porta do cemitério, mas a dona daquele local sacro é Jeguá. A ela, Olodumaré impôs-lhe viver neste tenebroso lugar por uma falta cometida, a de ter amores secretos com Changó, o qual lhe era proibido naquele tempo. 

IBEYIS

ibeyis

(São Cosme e São Damião) os Gimaguas celestiais, que gozam do amor filial de todos os Orishas, são considerados patronos das crianças e geralmente vivem nas palmeiras e foram eles quem venceram o diabo.

YEMANJÁ

yemanjá
Na África, o orixá que reina nos oceanos é Olokun e, segundo consta, é o pai de Yemanjá. Ela, por sua vez, fixou o seu reinado nos lagos (de água doce e salgada), enseadas, quebra-mares e na junção entre rios e mares. YEMANJÁ (Ye + omo + eja = mãe dos filhos peixes) ou, Yèyé omo ejá (Mãe cujos filhos são peixes).

OCHÚN

ochún
Yalorde é um dos tantos nomes porque se conhece a Ochún. Este nome significa Rainha e a deusa do mel e com esse néctar pode retirar Oggún do monte. As demais santas o tentaram e não puderam, e quando ela pediu permissão a Olofi para fazer, todas as orishas gozaram com ela.

OGGÚN

oggún
Este Oricha em torno do qual, se tem elaborado tantas histórias distintas, tem uma missão muito importante na religião Yorubá, porque ele é o Ochogun de todos os Orichas (o encarregado de dar-lhes de comer). Com a sua faca mata e isso, não é outra coisa que não seja a representação de Oggún no Santo.
 

OIA IANSÁ

oia iansá
Oyá Iansa é o nosso credo, é um dos cinco elementos mais importantes nesta vida. Ela é a secretária de Olofi porque é a primeira que sabe tudo nesta vida, pois é o ar. Imaginem o que seria este mundo em que vivemos sem o ar que respiramos, o que seria das plantas e tudo o que necessita de ar para viver.

INLE

inle

Vamos falar de Inle que é considerado um Oricha que se deve coroar como Yemanjá. Inle era médico, pescador, caçador e adivinho como Ucuele, não era Babalawo, mas tinha a virtude de Olofi, que foi essas coisas todas. Todo o que fazia saí bem, pois, tinha essa virtude, mas a sua verdadeira função era ser pescador.

OBATALá

obatalá
É o criador dos demais Orichas. Em Obatalá está representado como a criatividade do resto dos Orichas. Quando Olodumaré criou a vida humana na terra, fez Obatalá à sua semelhança (equivalente a Adão) e o encarregou de velar pelo planeta e as suas criaturas. Ele dirige este mundo e cuida, para que tudo saía bem.

OBI

obi

Um dos Orichas menos conhecido na religião Yorubá é Obi, que simboliza o coco. Quando este Oricha passou pela terra na sua primeira vida, Olodumaré deu-lhe um lugar de muita importância entre o seu reino. Obi era branco por fora e por dentro, significando a pureza de carácter, de orgulho e de vaidades.

 

OBA NANI

oba nani

Aqui vamos falar de Oba Nani é Obini (mulher) de Alafi (Changó), legitima esposa de Changó. Mulher nobre e boa, filha de Pduá e Yembó. O seu significado na religião Yorubá tem a ver com tudo o que existe neste mundo.

 

 

OLODUMARÉ

olodumaré 

Para os ancestrais Yorubás e para nós os seus descendentes, a existência de Oloddumaré (Ser Supremo) é tão real, como a nós, como povo. É muito raro encontrar entre nós os descendentes dos Yorubás, alguém que não acredita em Oloddumaré.

 

 

OSSAIN

ossain 

A palavra Osaín significa conhecedor, médico, começo da vida e eternidade. Isto é assim, porque ele é o espírito que vive em tudo que tem vida na terra e porque é o médico desta religião. Ele é o dono de todas as plantas, ervas, animais deste mundo.

 

OKO

oko 

Junto com Olokum é o Oricha mais poderoso neste mundo e um dos mais venerados no panteão Yorubá. Oricha Oko é a terra, que é uma parte deste planeta onde a outra é a água.

 

OCHOSI

ochosi 

Ochosi, é falar da justiça e da retidão na vida. Ochosi é o único Oricha que é bruxo de verdade na religião Yorubá. É bruxo porque nas suas cerimónias queima-se pólvora, que tem a ver com os Mayuberos bruxos. É o salvador de Yalorde.

 

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá.

Foto de Iemanjá, Aggayu, Obatalá e toda a mitologia dos orichas é retratada em série de imagens do fotógrafo James C. Lewis. Fotos retiradas do website http://www.sinuousmag.com/2012/10/yoruba-african-orishas-series

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Regras de quem deseja ser iniciado

Orichas - Ikú Lobi Ocha

FUNDAMENTOS DA RELIGIÃO

Neste texto que a seguir apresento, mostro algumas das tarefas e obrigações de alguém que deseja entrar na Santeria Cubana, principalmente na Regra Osha e que não tenha uma ideia firme sobre esta religião. As regras aqui expostas não fazem prevalecer sobre nenhuma outra que exista, pois, cada casa de santo terá as suas regras e condutas próprias. Não é minha intenção mostrar todas elas, mas sim mostrar aquelas que considero as fundamentais para um bom entendimento da pessoa que deseja entrar nesta religião. 

Estas normas devem seguir e ser ajustadas à conduta, tarefas ou atividades para atingir um objetivo. Este conjunto de regras são de grande importância porque pretendem preparar o Iyawó ou iniciado no cumprimento estrito das regras e do seu Itá, para que alcance a sua harmonia e o equilíbrio na sua existência no plano terreno da vida. Serve também para desenvolver a disciplina, para que alcance, hábitos sáudaveis para conduzir o seu comportamento, para que aprenda a governar a sua maneira de ser, para que conheça através de estes princípios fundamentais de Ocha.

MUITO IMPORTANTE:

O Iyawó deve saber que a iniciação tem uma importância extraordinária, e que significa nascer de novo noutra forma de vida, de onde ele adquire uma nova perspetiva da realidade, devido aos novos conhecimentos, poderes e capacidades que irá adquirir. Isso acontece como consequência da sua estreita vinculação ao sistema oracular, com o anjo da guarda e com as mais distintas consagrações, cerimónias e rituais que se enfrenta. A etapa de Iyawó é de um ano de limpeza e sacrifícios.

 

1 - Yawo durante o seu primeiro ano está proibido pelas regras do santo das seguintes coisas: 

a) Durante os primeiros três meses não pode ter a cabeça descoberta.

b) Durante os primeiros três meses não pode comer na mesa, só sobre a sua esteira e no solo.

c) Não pode estar depois das 18:00h da tarde na rua.

d) Não pode manter relações sexuais depois dos 6 dias de fazer o Santo.

e) Não se permite que aperte a mão a ninguém durante um ano.

f) Não se pode alimentar senão na sua esteira durante os 3 meses iniciais.

g) Deve atirar-se (saudar) no chão diante de todos os Santeiros maiores.

h) Deve comer com o seu prato, colher e beber no seu copo.

i) Não é permitido que se toque na sua cabeça.

J) Não pode passear ou andar em grupos, nem estar em lugares públicos, onde haja muitas pessoas.

k) Evitar não molhar a cabeça com chuva e com a neblina.

l) Reger-se pelo seu Itá ao pé da sua letra.

m) Cumprir com a visita aos Santeiros que foram ao seu santo, acompanhado pela sua yibbona.

n) Cumprir a visita aos seus Padrinhos uma vez por mês.

o) Não pode estar ou assistir a toques, se não está diante do tambor.

p) Quando vai cumprir os 3 meses de santo tem que apresentar um prato, coco, velas e os direitos acordados pelo padrinho para a cerimónia dos seus 3 meses.

q) Se o Iyawo faz o ebbometa o direito é acordado com o Padrinho.

r) Depois da cerimónia dos 3 meses, onde se entrega ao Iyawo a mesa, tira-se à mulher o turbante e o xaile, e no caso do homem, tirar-se o gorro. Depois desta cerimónia, o Iyawo fica livre destes atributos até ao ano, podendo usá-los em cerimónias religiosas dentro do mesmo. Um Iyawo não se atira (sauda) a outro Iyawo ainda que seja maior, nem deposita dinheiro na chávena de direitos do santo. Tudo isto é para depois do ano. Deve saber que depois o Santeiro menor deverá sempre saudar o Santeiro maior.

  

2 - Quando o Iyawo vai cumprir o seu ano tem que apresentar o prato, coco, velas e um direito diante do Santo dos seus maiores, para que os seus padrinhos possam assistir aos seus cumprimentos. A rogação de cabeça e o coco ao santo pertence a sua Yibbona, à qual cobra um direito por esta cerimónia.

 

3 - Depois do ano, quando deixa de ser Iyawo pelo qual é chamado o Santeiro, deve seguir guiando-se pelo seu itamalé por toda a sua vida.

 

4 - Caso o Santeiro tenha que receber santos marcados por itamalé, deve ser da mão do seu padrinho.

 

5 - Quando um Santeiro faz a entrega de santos pela primeira vez, os diretos do mesmo pertencem ao padrinho para poder entregá-lo ao santo, tal como, os búzios do mesmo. Se o padrinho é falecido tem que ter um representante religioso que lho possa entregar.

 

6 - Quando se cumpre o primeiro ano de santo, o dinheiro que se levanta no prato pertence ao santo do padrinho, como um ramo de flores do trono e algumas frutas, tudo isto leva-se ao outro dia do cumprimento dos anos.

 

7 - Por lei, o santo do padrinho deve ser notificado de todos os passos do afilhado dentro da Regra de Ocha, para que o santo do seu padrinho de onde nasceu o possa cobrir com o seu manto. Se não for desta maneira, o padrinho e o santo não podem ser responsáveis de nada.

 

8 - Quando um Santeiro faz um santo pela primeira vez, os direitos pertencem-lhe ao yibboneo do seu padrinho, e o segundo à sua yibbona.

 

9 - O padrinho dá conselhos sempre baseados no ensinamento do santo, pois, é o Santo na realidade quem guia os seus filhos. Nunca a palavra do santo se põem em dúvida, pois, não escutar pode custar até a morte. Quando um religioso não obedece, é melhor que não conte com o santo.

 

10 - Por regra de Ocha os padrinhos chamam a um sacerdote Oriaté ou Obba, quando tem todos os santos do panteão e conhece as cerimónias de entrega, é ele o encarregado de transmitir através dos búzios a palavra do santo.

 

11 - Somente o Oriaté ou Obba tem a autoridade para guiar as cerimónias da regra de Ocha, são eles os encarregados de consagrar santos e fazer um itamale e guiar cerimónias de santos de adimú como Olokun, guerreiros, santos lavados e outros.

 

12 - Tudo o que tem a haver com a regra de Ocha pertence somente aos Santeiros, e se é necessário um Babalawo (sacerdote de ifá) o próprio santo o orientará.

 

13 - Quando um Iyawo ou Santeiro tem problemas com o seu padrinho por faltas ou pelo itá, e chega-se a um acordo de separar-se da pessoa (e nunca do Santo) a yibbona passará a ocupar esse lugar.

 

14 - A pessoa ainda que esteja separada do seu maior tem a obrigação de ir ao pé do santo duas vezes por ano, no dia de aniversário do santo do Padrinho e do anjo da guarda, e nesse dia o Padrinho não poderá fechar a porta da sua casa nem mesmo aos inimigos.

 

15 - Quando pára alguém diante do santo para perguntar se é bem aceite nesta casa e a letra do coco é Ocana não se retifica, e a partir de esse momento a pessoa tem que procurar outro padrinho ou madrinha. 

 

16 - Pelas regras de santo, um Santeiro pode preparar um iniciado nos colares, guerreiros, Olokun e santos de adimú sem apresentá-lo diante do santo como afilhado de fundamento, e dessa maneira a pessoa tem tempo de conhecer melhor quem vai ser o seu padrinho, pois, esta relação de padrinhos e afilhados deve ser para toda a vida.

 

17 - Para atender uma pessoa, não é obrigado a ser afilhado da casa. Por esse motivo, não se deve pensar que ser o padrinho da pessoa, tem todo o direto de decidir com quem quer fazer consagrações. Por isso, se não está preparado para enfrentar estes problemas não trate de arranjar pessoas e assim não terá desilusões religiosas. São os afilhados que escolhem os padrinhos, e é o santo quem escolhe os seus filhos.

 

18 - O padrinho dentro da casa tem a obrigação de ensinar a lei aos iniciados para que depois não cumpram outra. Se não for desta maneira, por conveniência própria terá que enfrentar a lei da casa e reconhecer o seu erro, caso contrário o maior tomará as decisões.

 

19 - Se não quer passar por isto, tenha essas pessoas fora do alcance, não mostre a sua religião, nem a sua casa de santo.

 

20 - Entrega-se, somente o quarto de santo ao iniciado depois de ter feito o ebbometa, por norma é cumprido depois dos três meses, ainda que haja casas de santo que só entregam depois de um ano.

 

21 - Um Santeiro ganha os primeiros direitos quando lhe é entregue o quarto de santo. Este deve-se ajoelhar diante dos seus maiores e apresentar os direitos, aos mesmos. Devem dizer bem para retirar a maldição que tem o dinheiro em ofún o megua (10), signo do búzio. Depois esse dinheiro é colocado sobre o seu santo e podem usar com fins religiosos ou propósitos, em que o Santo divide com os filhos as suas riquezas.

 

22 - Todos os anos o Santeiro pode dar aves ao seu santo para o aniversário, e se quer dar animais de quatro patas deve perguntar ao santo pois, sempre que necessita de um animal de quatro patas pode resolver grandes problemas na sua vida de religioso, e o Santo pode servir-se quando queira ou entenda.

 

23 - Nenhum Santeiro que não tenha faca está autorizado a matar sobre o santo, por esse motivo os direitos são guardados pelo Oríate ou Obbá.

 

24 - A matança do santo não é secreta e as pessoas que não tem consagração, podem participar ajudando a aguentar os animais e limpar.

 

25 - Os Osainistas (encarregados de levantar as ervas de santo) necessariamente têm que ter santo consagrado e conhecer bem as ervas utilizadas na consagração.

 

26 - Dentro da regra de Ocha, não se utilizam os santos nem os mortos para atemorizar as pessoas e conseguir lucros para fins próprios. Esta é uma religião de fé e amor. As pessoas fazem o que sentem e podem ao santo toda a vida, pois, quando se entra não sai nunca mais.

 

27 - O Santo como o espírito tem a faculdade de criticar os seus filhos e dizer-lhes verdades sem ofender, mais é um dom que só eles têm, por isso os filhos nunca se devem sentirem ofendidos e devem agradecer sempre o conselho.

 

28 - Quando uma pessoa tem um fluido de uma entidade, seja o santo ou um espírito nunca deve burlar os outros, pois, se isto acontecer poderá passar muito mal, então é melhor respeitar para que não tenha problemas. 

 

29 - Dentro da regra de Ocha dá-se o fenómeno da consciência, a semi-inconsciência e da inconsciência. Estes três fatores podem dar-se dentro do espiritismo, e não do santo, pois, o santo irradia sem vir, ao qual se chama de barulho, ou vem ao qual se chama de possessão ou “monta o filho”. A partir desse momento o único responsável de tudo, é o santo que está dentro da cerimónia que está a ser realizar.

 

30 - Quando um Santeiro morre, faz-se a cerimónia do Ituto onde se determina os santos que vão com o eggún e os que ficam, somente ficam os santos em obara (6) que ficam com a família, e as pedras em oché (5) ficam com a família de sangue.

 

31 - Quando morre o padrinho faz-se o luto durante 3 meses, quando morre a yibona ou um afilhado faz-se o luto durante 9 dias.    

 

32 - O luto consiste em não fazer nada religioso durante esse tempo com os santos, e devem mesmo permanecer em repouso por esse tempo e cobertos com lençóis.

 

33 - É um dever do afilhado, mesmo que tenha passado o tempo Iyawo a saudar diante do seu padrinho cada vez que o veja, pois, não só saúda o padrinho na verdade, como esta saudando o anjo da guarda.

 

34 - É  importante deixar bem claro, que em caso de queda da saúde é o santo e não o padrinho, e se o santo autoriza uma pessoa consagrada na regra de Ocha, estando doente de qualquer padecimento pode fazer o que deseja, e é somente o santo que tem a autoridade de proibir um filho de não fazer mais santos pela sua saúde e marca-se numa letra do búzio que se chama 5-5 (ochemeyi). Faz-se somente a proibição numa comida do santo de cabeça, com animais de quatro patas ou num lançamento de búzios que pela pessoa o santo traga-lhe osogbo. 

 

É importante conhecer as pessoas que chegam ao santo sabendo qual o motivo principal, pois, o santo é o que dá a vida e a saúde. Como também é um erro, crer que faz-se santo com as pessoas que estão bem economicamente para que lhes transmita sorte. O Aché traz a pessoa consigo, pois os africanos só tem o seu santo e a sua fé.

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Santeria é um culto?

 

Orichas - Ikú Lobi Ocha

NAÇÃO YORUBá

Santeria é uma religião da nação Yorubá da Nigéria em África Ocidental, que veio através dos escravos que foram trazidos para Cuba para trabalhar nas plantações de açúcar. Esses escravos trouxeram as suas tradições espirituais com eles, e quando forçados pelos donos a converter-se ao catolicismo, engenhosamente esconderam os seus segredos religiosos dentro do imaginário dos Santos Católicos dos seus donos. Santeria, também conhecida como o "caminho dos Santos," é o termo aplicado aos escravos, que adoravam os seus Santos “primitivos” em detrimento dos Santos Católicos. 

 

A religião também é conhecida como “La Regla de Ocha”, ou a religião lucumí. Várias religiões equivalentes praticam-se no Brasil e também em África Ocidental. Hoje, o que antes era um termo pejorativo, é de uso comum, de tal forma que a maioria dos profissionais cubanos se referem como Santeros, e para os Orishas (divindades da religião) como Santos. Pessoas ignorantes, racistas, podiam considerar a Santeria como um culto, ou uma religião sincretista ou animista como uma maneira de diminuir a sua importância e dissipar a profundidade dos seus mistérios. No entanto, a Santeria é uma das grandes religiões do mundo, comparável ao hinduísmo ou à religião do Egito antigo.  

Têm uma teologia completa, uma mentalidade metafísica e uma tradição ancestral elaborada e com muitos rituais. Além disso, é uma religião de mistérios iniciados à semelhança dos célebres mistérios de Elêusis que se celebravam na Grécia antiga, mas com a diferença, que aqueles segredos não se perderam por ser tão bem guardados, os da Santeria sobreviveram por milénios relativamente com poucas mudanças. A maneira de aclarar, apesar de o nome popular como é conhecida, a Santeria não consiste num culto a santos católicos.  

Estas eram só máscaras que os Orishas tiveram que ter para poder sobreviver durante a escravatura nos corações dos seus devotos. Os Orishas são as divindades dos Yorubás, e a palavra “santo” é só utilizada devido à conveniência e à familiaridade. Outras tribos trouxeram as suas religiões, também. A tradição daomeana sobreviveu no que hoje é denominado "Arara" e as práticas do povo Bantu tornou-se aquilo que é referido como "Palo", "Palo Monte" ou "Palo Mayombe." A quarta religião, da tribo Caravali, tornou-se numa sociedade de homens conhecida como AbakuaMatanzas, que fica a 90 km a leste de “La Habana”, e esta cidade é conhecida por ser a província de algumas das maiores plantações de açúcar em Cuba, assim como a população escrava que era bastante grande. A cidade e a província são consideradas por muitos como a fonte ou berço, das tradições religiosas Afro-Cubanas. Muitos Santeros, conhecem Deus como Olorún (Dono dos Céus) ou como Olodumaré, mas cada religião como tendo o seu tempo e lugar, eles estão a adorar um só Deus, não importa o nome ou a linguagem utilizada nesse culto. 

 

TRADIÇÃO ORAL

Santeria e todas as religiões afro-cubanas, são tradições orais. A medicina Yorubá tem os seus livros, geralmente copiados à mão a partir das notas escritas dos mais velhos, mas a maioria aprende através da observação e da escuta durante as cerimónias. As comunidades religiosas são famílias muito únidas, geralmente do mesmo bairro. Crianças de 4 e 5 anos já conhecem os rudimentos dos rituais públicos e as palavras para as canções de louvor. Crianças que apresentam um talento, seja para cantar, tocar bateria, para as ervas ou os rituais próprios, são tomadas sob a asa de um ancião que ensina. Não há salas de aula, o ensino é feito mesmo nos rituais. A religião tem sido tradicionalmente transmitida oralmente, as diferenças, na prática, surgiram entre as famílias alargadas (conhecido como "ramas" ou ramos). Sendo assim, vamos ver as diversas crenças:

 

ASHÉ

Ashe é a energia espiritual ou divina que é o pilar do universo. Cada coisa, animal e pessoa tem axé. Através do poder do seu axé, os seres humanos têm o potencial de se mudar a si mesmo e o seu ambiente. Música, dança e ritual aumenta o nível do axé ao nível da comunidade, às vezes ao ponto que os Orishas “montam” os seus sacerdotes para se juntarem à festa ou cerimónia (ver "Posse" em baixo). Ashe é também "bênção." É a bênção dos Santeros quando pedem em relação a coisas - água, ervas, animais, outras pessoas, tambores, os Orishas em tudo que fazem. 

 

DEUS

Santeros acreditam num Deus, Olodumaré (também chamado de Olorun ou Olofi), o Criador do universo. Deus é tão grande, tão irreconhecível, que a comunicação direta não é possível. Os seres humanos podem comunicar com Deus através dos Orishas. 

 

ORISHAS

Os Orishas são a personificação de todos os aspetos da natureza (oceanos, rios, montanhas, trovão, chuva, ferro) e todos os atributos humanos (tais como inteligência, acarinhar, amor, sexualidade, agressividade, esperteza). Esta personificação, engloba tanto o positivo como o negativo. Assim, o mar pode estar calmo ou violentamente agressivo e ambos são Yemaya. A chuva pode cair suavemente ou em força durante um furacão, e ambos são Oya. A inteligência pode ser forte ou fraca mas ambos são aspetos de Obatalá. A agressividade pode ser manifestada pela defesa dos fracos ou o mal em matar alguém num ajuste de raiva, mas ambos são aspetos de Ogun. O universo é composto de todas as manifestações naturais dos Orishas e os seres humanos são um composto de todos os seus traços pessoais. Os seres humanos, geralmente, apresentam mais traços da personalidade que outros, e assim as pessoas falam de um tipo intelectual como um "filho de Obatalá," ou uma mulher graciosa como uma "filha de Ochun". Finalmente, o objetivo da vida é estar em equilíbrio com todos os aspetos da personalidade e da natureza, para cumprir o seu destino pessoal. Os Santeros apelam a todos os Orishas de uma vez ou outra, para ajudá-los nesse processo. Os Santeros podem comunicar com os Orishas de duas formas: através do Itá ou consulta com os búzios, e através da posse física de uma pessoa pelo seu orixá.

 

ITÁ

Os Orishas falam através de 16 búzios jogados por alguém conhecedor deste método de adivinhação sofisticada. Cada vez que os búzios são lançados, dependendo do número que saiam marcam uma letra ou caminho (oddu). Cada letra tem algumas frases e histórias associadas com ele, existem 16 letras grandes e 246 combinações totais. A primeira vez que os búzios são lançados, eles são lançados duas vezes, para marcar um oddu. Em seguida, eles são lançados várias vezes, para mergulhar mais profundamente no que os Orixás estão a dizer. Um Oloricha ou Santero podem saber especificamente os problemas enfrentados pela pessoa que solicita a consulta, e oferece conselhos sobre como resolver essas questões. As consultas poderão ser procuradas pelos iniciados e os não iniciados (aleyo). A consulta mais importante que uma pessoa recebe na sua vida é a consulta com todos os Orixás principais, depois de uma iniciação em OCHA. Esta consulta fala à pessoa do passado, presente e futuro, e oferece orientação sobre como mudar a sua abordagem à vida, de modo a cumprir o destino da pessoa.

 

POSSE OU POSSESSÃO

Alguns iniciados dizem ser possuídos pelos seus Orixás. Estas pessoas são chamadas de "cavalos", porque o orixá vai montá-los, de modo a comparecer perante uma comunidade. A cerimónia, particularmente uma celebração ou uma iniciação, não está completa até que um ou mais Orishas apareçam aos seus filhos. A sua presença é uma constatação de que as orações dos Santeros chegaram a Deus. Deus envia os Orishas para participarem na festa, para confirmarem o que ocorreu e comunicarem com os Santeros recolhidos e aleyos.

 

ANTEPASSADOS

Os antepassados, também chamados de Eguns, desempenham um papel importante na cosmologia da Santeria. Toda a cerimónia começa com um aviso de orações aos antepassados dos dois anciãos da religião e aos antepassados do indivíduo. Uma pessoa pode ter vários Eguns diferentes, não necessariamente parentes, que o acompanham e atuam como guias espirituais. Algumas pessoas também são possuídas pelos Eguns. Tal como acontece com os Orixás, o Egun vem para validar o que está a acontecer e comunicar  no encontro. O Egun vem mais frequentemente durante as missas espirituais. Estas missas têm mais a ver com os cristãos do que com o Espiritismo Africano, raízes da Santeria, e nem todos os Santeros usam, ou pelo menos, não regularmente. O Egun também vem durante as festas de celebrações dedicadas a eles. Estas celebrações tradicionalmente usam tanto o Cajon (uma caixa de madeira) ou guiro (atabaques e shekeres).

 

ADORAÇÃO

Santeria é uma religião muito pessoal. A principal forma de adoração é a comunicação do indivíduo com o Egun e os Orixás. A adoração comunitária tem lugar durante as celebrações e iniciações. A principal forma de oração nestas circunstâncias é cantar e dançar, acompanhado pelos tambores que funcionam como o "telefone" para os Orixás e Deus. As músicas geralmente elogiam as virtudes de cada orixá ou comunicam ao Oricha que a cerimónia acaba de ter lugar. Caso os Orishas não venham, as músicas podem tornar-se insultos e até mesmo insultuoso como forma de incitá-los a participar da celebração.

 

EBBO OU ADIMÚ

A principal maneira dos Santeros pedirem a intercessão dos Orishas na solução de problemas de um indivíduo é através do ebbo ou sacrifício. O Ebbo pode envolver algo tão simples como uma vela, talvez algumas flores, frutas ou doces, ou pode mesmo envolver um sacrifício animal. O sangue dos animais é geralmente reservado para ocasiões muito importantes: o nascimento de novos iniciados ou a resolução de problemas graves. O conceito por trás do sacrifício é compartilhado por muitas religiões antigas. O sacrifício de animais é a parte mais incompreendida da Santeria, especialmente nos Estados Unidos. Santeros que têm o direito de usar a faca são treinados para fazer isso da forma mais humana possível. Exceto, nos casos em que o animal está a limpar a doença ou a morte da pessoa, partes dele são ritualmente preparados e apresentados para os Orixás e o restante é consumido pela comunidade como uma forma de compartilhar o axé do animal que deu a sua vida para os Orixás.

 

INICIAÇÃO

Existem vários níveis de iniciação na religião. O primeiro nível consiste em receber um ou mais colares nas cores do Orishas. O segundo nível envolve receber um ou mais Orishas, normalmente os guerreiros (Elegua, Ogun, Ochosi, Osun) ou Olokun (o orixá das profundezas do oceano). O terceiro nível envolve ter a cabeça lavada a um orixá particular. Esta cerimónia é geralmente um precursor para a receção de OCHÁ. O iniciado é "coroado" numa complicada série de cerimónias que envolvem toda uma comunidade de Santeros. OCHÁ é presidida por um Obá, ou Oriaté, ou seja, o sumo sacerdote da Santeria quem tem o conhecimento de todas as cerimónias e os segredos da religião. Ao terceiro dia após o início das cerimónias, o sacerdote recém-coroado, chamado de Iyawo, é apresentado ao “bata” (tambores sagrados) e à comunidade. O iniciado está vestido com uma roupa tradicional em cetim nas cores do Orixá coroação. Em seguida, o akpon (vocalista) canta um ciclo completo de músicas para o Orisha, para Deus saber, através dos tambores sagrados, todas as cerimónias que o iniciado tenha sido submetido. Após a iniciação, o Iyawo deve vestir-se de branco durante um ano. Para os três primeiros meses, as mulheres usam um xale em público e homens usam calças compridas e mangas compridas. As refeições são comidas num tapete no chão. A cabeça do Iyawo é sempre coberta, para proteger a coroa delicada. Iyawos não deve beber ou ficar fora depois de escurecer. A vida Iyawo deve ser tão tranquila quanto possível. Em essência, o Iyawo é um bebé, e é tratado como tal pela comunidade, para que ele ou ela sejam amados e acarinhados. 

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Sessão ou Boveda Espiritual

Orichas - Ikú Lobi Ocha

COMUNICAÇÃO ESPIRITUAL

Aqui deixo uma breve explicação de como se desenvolve uma sessão espiritual, baseado em testemunhos e por experiência própria. Levanto um pouco do véu do que se passa numa sessão espiritual e como devemos procurar nesta sessão os nossos guias e espíritos do passado. Deixo aqui claro, que isto que descrevo não passa do meu ponto de vista, e não será regra tudo aquilo que escrevo e coloco aqui. Cada médium espírita terá o seu próprio método e como tal poderá variar. Em seguida deixo a explicação das missas existentes.  
 

RESUMO:

Qualquer pessoa que se encontre apto para receber e transmitir as comunicações dos Espíritos é um médium, seja qual o meio utilizado e o grau de desenvolvimento das suas faculdades, desde a mais simples influência oculta até à produção dos mais insólitos fenómenos. No uso corrente, o vocabulário tem uma aceitação restringida e diz-se geralmente que são pessoas dotadas de uma capacidade muito grande para a produção de efeitos físicos, como para a transmissão do pensamento dos Espíritos pela escritura ou pela palavra. (Allan Kardec, Revista Espírita, fevereiro, 1859).

Se o médium é de baixa moral, os Espíritos inferiores vêm agrupar-se ao seu redor e estão sempre prontos para tomar o posto dos bons Espíritos que se tenha chamado. As qualidades que preferencialmente atraem os Espíritos bons são: a bondade, a benevolência, a sensibilidade de coração, o amor ao próximo, o desprendimento das coisas materiais. (Allan Kardec – O Livro dos Médiuns, pergunta 227).

A sessão espiritual é parte de quem desenvolve a regra de Ocha ou o Palo, é como a parte que está no meio entre os santos e a nganga. Não tendo as três que se relacionar entre si. É um centro de poder onde coincide diferentes espíritos servidores de distintas funções e interesses, cujos poderes podem ser evocados por um devoto em benefício próprio, da sua família ou de aqueles a quem deseje realizar uma obra de caridade. É composto por nove copos com água, um copo de cristal transparente com água, um rosário e uma cruz ou crucifixo, preferencialmente de madeira (estes integram o Cristianismo). Outros elementos são: flores, nas ocasiões que indicam, uma vela cuja cor será branca ou outras cores, segundo indicação. Também de acordo com as diferentes missas de investigação que são realizadas agregam-se imagens ou objetos, para que um morto em especial vibre no trabalho e se identifique com ele.

 

A sessão deve ser consagrada, por quem está na capacidade de realizá-lo. “Porque de onde estão dois ou três congregados no meu nome, ali estou no meio de eles." (S. Mateo: 13:2O). A Missa Espiritual começa com a leitura de orações de amor ao Pai Celestial e outras de carácter laudatório e de invocação dos espíritos. Concluídas estas primeiras rezas, em que incluem o Pai-Nosso, Ave-maria, etc., considera-se estabelecida a comunicação e tem o consentimento para a abertura da sessão. Os assistentes sentam-se em torno da mesa que constitui o elo principal do altar. Cobre-se esta com uma toalha branca e em cima coloca-se os objetos que adornam a sessão, dirigida aos espíritos guias que vêm por distintos médiuns presentes na sessão.

 

Em ambos os lados da mesa-altar sentam-se os principais médiuns. A sessão deve ser feita em silêncio e a mesa com a sua parte posterior apoiada contra uma parede. A presença dos copos com água significa a assistência aos espíritos protetores, guias de trabalho e a sua finalidade consiste em erigir esses elementos de comunicação. A vela será acesa no começo da missa e queimará na sua totalidade, mas deverá ser substituída caso termine antes de finalizar a sessão. As orações pelos espíritos que acabam de deixar a Terra, não só têm por objetivo dar-lhes a testemunhar a sua simpatia, como também tem por objetivo ajudá-los ao seu desprendimento, isto é, aliviar a turbulência que se segue à separação do corpo terrestre e dar-lhes mais calma ao despertar.

Por esta ou em qualquer outra circunstância, é considerada a eficácia da oração e a sinceridade do pensamento e não na abundância das palavras ditas com pompa, nas quais muita das vezes o coração não integra nenhuma parte. Cada um rege, segundo as suas convicções e do modo que mais lhe convém, pois, entendo que um bom pensamento vale mais que mil palavras. O objetivo da oração é de elevar as almas a Deus, porque a diversidade das mesmas não estabelece nenhuma diferença. Entendemos que todas as orações são boas quando ditas com o coração e não com a boca, ao que se acrescenta: “Deus é demasiado grande para não ouvir a voz e o lamento de quem implora.”

 

EXISTEM DIFERENTES TIPOS DE MISSAS:  

DESENVOLVIMENTO: é o trabalho que se realiza com pessoas que começam o caminho do espiritismo, com elas pratica-se, instrui-se e desenvolve-se a forma como se realizam as missas, guiando na sua aprendizagem, a forma de trabalhar, a comunicação com os espíritos e a forma mais adequada para comunicar com os seus próprios guias. Estas missas são dirigidas por um espírita com conhecimento do trabalho, as pessoas que integram este tipo de missa, são pessoas que realizam feitos raros internos ou externos que escapa à lógica ou ao logrado sem querer uma comunicação com os espíritos.

 

INVESTIGAÇÃO: como a palavra diz é investigar. No trabalho, os médiuns dizem à pessoa os problemas que têm, os porquês e como evitar certas situações no futuro, dando conselhos e também marcando uma limpeza devido à negatividade que a pessoa possa ter. Se esta negatividade é causada por um espírito, então damos luz através de orações e missas, para assim se elevar. Aqui, mostra-se com o trabalho quais os espíritos que compõem o seu quadro espiritual e os diferentes guias e protetores.

 

A UM FAMILIAR MORTO ou COROAÇÃO: aqui também se apresentam os seus guias e protetores, qual é o motivo da sua missão, e onde recebem uma ordem hierarquia nesta missa, em que todos temos quadros espirituais distintos e nele se coroa um espírito. Para esta coroação coloca-se de pé e determina-se o guia principal que comandará desde este dia o seu quadro espiritual. Existem muitas razões para realizar uma missa espiritual, e estas são algumas delas:

 

1. Dar a conhecer as entidades do Quadro Espiritual da pessoa, dos passos que a pessoa poderá dar e da importância que isto significa e para proporcionar o alcance do seu destino na terra.

2. Proporcionar a organização das energias do Éggun para que trabalhem unidas em forma cooperativa.

3. Investigar se a pessoa tem transtornos espirituais latentes, que estão por manifestar-se.

4. Investigar se a pessoa tem dividas contraídas com o Éggun.

5. Investigar o nível de compromisso que a pessoa pode ter com o Éggun, os Espíritos dos seus antepassados, inclusivamente a longo prazo.

6. Conhecer sobre as entidades principais do seu Quadro Espiritual.

7. Determinar as medidas preliminares ou as medidas básicas que a pessoa deverá tomar, para começar a atender ao Éggun se nunca antes o havia feito, para atualizar esta atenção ou para renová-la.

8. Determinar que medidas são necessárias cumprir para impedir o acesso de energias perturbadoras na pessoa, no período de tempo que fica por diante para Yóko Ósha.

9. Efetuar a cerimónia da “Coroação espiritual” da pessoa.

 

Okanbi,

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá.

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.