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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Perguntas mais frequentes sobre a Santeria
 

ORICHAS - IKÚ LOBI OCHA

QUESTÕES SOBRE A SANTARIA

Aqui pode encontrar um sistema de exemplos de perguntas mais frequentes colocadas sobre a Santeria. Caso não encontre alguma pergunta que gostaria de saber faça o favor de nos contactar para o nosso correio eletrónico e colocar a sua questão. O mais breve possível será contactado.

 

A todos que o façam desde já o nosso muito obrigada,

Do Grupo Anastácia.

  

O QUE É A SANTERIA?

Santeria (literalmente, caminhos dos santos, os termos preferidos entre praticantes incluem Lukumi e Regra de Ocha) é um conjunto de sistemas religiosos relacionados, que funde crenças católicas com a religião tradicional Iorubá, praticada por escravos e os seus descendentes em Cuba, no Brasil (onde o candomblé apresenta semelhanças com a santeria), Porto Rico, na República Dominicana, Venezuela, no Panamá e em centros de população latino-americana nos Estados Unidos como Florida, Nova Iorque, e Califórnia. “Santeria” significa os “caminhos dos santos”, originalmente um termo prejorativo aplicado pelos espanhóis para ridicularizar a devoção excessiva dos seguidores aos santos e à negligência de Deus. Tem uma teologia completa, uma tradição ancestral de rituais elaborados e coloridos. É uma religião de mistérios iniciados à semelhança dos célebres mistérios de Eleusis que se celebravam na Grécia antiga, mas estes não se perderam por serem mais bem guardados e sobreviveram por milénios com relativamente poucas mudanças. Para esclarecer, apesar do nome popular como é conhecida, a Santeria não consiste num culto a santos católicos. Apenas durante a escravatura, para poderem manter a sua religião os devotos de Santeria davam nomes de santos caólicos aos seus Orishas para poderem praticar a religião. Os Orishas são as divindades dos Yorubás, e a palavra “santo” é só utilizada devido à conveniência e à familiaridade. Os Santeiros conhecem Deus como Olorún (Dono dos Céus) ou como Olodumaré. Existe um número indefinido de Orishas ou de divindades, que ajudam Olorún a distribuir o aché a toda a criação, e são vistos como aspetos de Olorún. Aché traduz-se como vitalidade, poder, graça, ou bênção. 

 

QUEM É OLODDUMARÉ?

Para os ancestrais Yorubás e para nós os seus descendentes, a existência de Oloddumaré (Ser Supremo) é tão real, como o povo. É muito raro encontrar entre nós os descendentes dos Yorubás, alguém que não acredita em Oloddumaré. Em outras palavras, para os afro-cubanos a crença de um Ser Supremo é Lei. Disto não temos a menor dúvida, sendo o Criador de todo o nosso universo e dos seres que nele habitam. Criador dos Céus e terra, homens e mulheres, criou também todas as Divindades espirituais (Orichas), que são os funcionários, intermediários entre o homem e Oloddumaré. É nossa “Divindade” suprema, é ele a origem de todas as coisas do céu e da terra, é o criador que existe desde os princípios dos tempos, o autor do tempo, do dia e da noite. Olodumaré é um Deus imparcial que controla o destino de todos os homens. É comum que os Orichas castiguem os homens quando estes rompem as leis, os rituais, sem embaraço com Olodumaré. Julga os homens de acordo com os sentimentos íntimos destes, com a sua personalidade e com o seu carácter, pois, ele tudo sabe e tudo vê da pessoa, inclusive os seus pensamentos íntimos. Ele é o único que pode julgar a moralidade de uma pessoa, e de acordo com isto, no final da nossa vida iremos receber o que merecemos na vida terrena. Sendo como é natural o juiz dos Orichas é regente peral no reino dos Deuses e da terra, nada se pode fazer contra a vontade de Olodumaré, ele é o Omnipotente do Universo, este move-se por ele, controla os elementos e a vida humana do planeta em qual vivemos.   

 

O QUE É UM SANTEIRO?

A função dos SACERDOTES da nossa religião é atuar como intermediários entre os homens e os Orichas, por tanto são considerados adivinhos. Esta função pode ser exercida mesmo por Santeiros ou Babalawos, e existem muitas outras funções que eles podem exercer como, por exemplo: ser médicos, adivinhos, curandeiros, encantadores, conselheiros espirituais, materiais e tudo o que está relacionada com a vida quotidiana dos humanos. Entendo, que se tem que ser um bom ser humano, um bom sacerdote, e quando digo bom, isto abarca uns conceitos mais elevados, já ausentes em muita gente. Ser um bom ser humano significa ter moral, princípios, ser benévolo, respeitoso até consigo mesmo. A arrogância e a vaidade, são coisas muito pré-estabelecida na maioria dos Santeiros e Babalawos dos nossos dias, são conceitos negativos que a maioria dos nossos praticantes devem corrigir, para poderem impor as suas ideias. Recorda-se que o pior dos defeitos que um homem pode ter é a “Vaidade”. Para decidir que é um especialista nesta matéria, necessita de muita sabedoria e aprendizagem, a qual não se adquire em curto espaço de tempo, é um trabalho de muitos anos de aprendizagem e de prática junto de pessoas qualificadas. Hoje em dia a maioria das pessoas, chamadas de experts nesta matéria, recopiaram os seus dados por livros, os quais não tem uma essência e muito menos sabem os autores dos “livros”, que é um dos nossos “oráculos”. 

 

O QUE É UM EBBÓ OU ADDIMU?

Os ebós ou addimú são oferendas feitas aos Orixás, Odú, Eguns e outras divindades para diversas finalidades, sejam elas, apaziguar algum problema, uma forma de agradecimento por alcançar algum objetivo ou simplesmente como forma de agradar as divindades que estão sendo adoradas. O princípio da Santeria baseia-se no ebó, nas oferendas de agradecimento obtendo a redistribuição do Axé e mantendo o seu equilíbrio vital. Devido à hierárquia, todo ebó a ser ofertado, para que o Oricha tome conhecimento, devemos invocar a energia de outros Oricha, que tem o papel específico de servirem de interligação entre nós e as divindades, sendo que sem a aceitação desses, os Orixás aos quais estamos a oferecer os ebós não sabem da sua existência. Gostaríamos de salientar que ao fazer tais oferendas ou Ebós, se faz necessária a presença ou orientação de um Santeiro (ou zelador de Santo como se diz no Brasil) para que seja colocado o Axé necessário para cada ato. Existem, porém, alguns ebós em que eles não são necessários. 

 

O QUE É UMA SESSÃO ESPIRITUAL? 

A sessão espiritual é parte de quem desenvolve a regra de Ocha ou o Palo, é como a parte que está no meio entre os santos e a nganga. Não tendo as três que se relacionarem entre si. É um centro de poder onde coincidem diferentes espíritos servidores de distintas funções e interesses, cujos poderes podem ser evocados por um devoto em seu benefício, da sua família, ou daqueles a quem deseje realizar uma obra de caridade. É composto por nove copos com água, um copo de cristal transparente com água, um rosário e uma cruz ou crucifixo, preferencialmente de madeira (estes integram o Cristianismo). Outros elementos são as flores, nas ocasiões que indicam, uma vela cuja cor será branco ou outras cores segundo indicação. Também de acordo com as diferentes missas de investigação que são realizadas agregam-se imagens ou objetos, para que um morto em especial vibre no trabalho e se identifique com ele. Existem diferentes missas.

 

PORQUE SE UTILIZAM PEDRAS NUM SANTO?

Os Africanos acreditavam que o Santo quando caminhava na Terra, ia ao céu e depois regressava em forma de chuva. Essa água caia nos rios e estes se convertiam em pedras que tomavam as cores segundo os Orichas (algumas brancas, outras negras, outras amarelas e rosas e assim sucessivamente). Eles sempre veneraram os rios porque ali estavam a representação dos Orichas Africanos. Se o leitor conhece um pouco da geografia do continente africano, dará conta que onde está a Nigéria há 16 rios, e o principal leva o nome de Changó e os outros 15 desaguam neste. Tais pedras eram recolhidas uma a uma e perguntavam com um coco se tinham algum espírito de algum Santo em particular. Se o coco decidia que sim, então preparavam e lavavam com omiero de Osaín.  Por isso, Osaín é o Deus mais importante, é ele a vida da Terra e é o Deus curandeiro. Osaín tem o conhecimento de todos os Ewes (ervas), os que curam e matam, tem uma particulariedade muito rara, pois, salva as pessoas da mesma morte ou as curas de uma enfermidade má. Depois, fazem o sacrifício dos animais. O sangue dos animais fortalece e dá força a esse espírito para que se desenvolva e cresça, e para  que o Santo possa falar aos seus filhos.  

 

O QUE É O PALO MONTE?

O Palo Monte é oriundo dos povos Bantús, chamados Congos, estes procedem da parte sudeste de África, uma das regiões mais extensas do continente africano. Esta Regra foi o resultado da junção da cultura dos credos bantús, já que existiram distintos grupos étnicos com diferentes graus de evolução e níveis culturais. Pelo ano 1700 saíram de África grupos de tribos Nganga e chegaram a Cuba com o Lucumi, com o Abakua, com o Arara, com o Palo Monte Mayombe,  Briyumba ou Brillumba, Malongo, Kimbiza. Estas Regras em África eram e são puras, mas em Cuba com a iniciação do crioulo surgiram outras variantes, cruzaram-se e nasceu a Kimbiza que significa Cruzado é certo que daí nasceu o Palo Monte Mayombe Kimbiza. A kimbiza é a forma misturada de praticar a religião, ao que se chama Palo Cruzado, que rapidamente se estendeu e superou as outras, e dai resultou a ofenda do arroz com manga. Na nossa crença de Palo, há muitas Casas e Linhagens com diferentes trajetórias e sistemas de crenças. A Regra da Kimbiza é a mais influenciada por todos os sistemas da crença encontrada em Cuba. O sistema da Kimbiza incorpora na sua fundação as práticas de Palo Monte junto com a crença do Espiritualismo, do Cristianismo, de Abakua, de Lukumi, Yorubá e outras, muitas mais.

 

O QUE SÃO OS EGGUNS? 

São os espíritos que nos rodeiam (egguns) e devem ser atendidos, com o mesmo respeito que os SANTOS (Orishas). A reverência aos antepassados é um dos pilares das religiões africanas. Na religião Yorubá o “morto pariu o santo” (ikú lobi ocha), antes de invocar e pedir permissão (moyugbar) e saudar os Orishas há que invocar os mortos. Todos os Orishas foram seres vivos originalmente como os santos católicos e depois de mortos foi-lhes dado o título de santo pela vida que levaram aqui na terra, como é o caso do Orisha Changó, que foi quarto rei de Oyó (ile Ife) na atual Nigéria. Os Egguns comem antes que Elegguá e separados dos Orishas. Em determinadas cerimónias oferecem uma vela (ataná), coco (obi) em nove pedaços que é a marca do morto, água fresca (omi tutu), aguardente (otí), café (omi bona), tabaco (achá), pimenta da guiné (ataré), e utiliza-se a cascarilha (efún). Esta oferenda faz-se fora da casa ou num canto interior no caso de não existir pátio. A cerimónia inicia-se dentro de um círculo ou retângulo (atena) desenhado com cascarilha, com a moyugba correspondente e a declaração do sentido da oferenda. Também se pode fazer com coco fresco atirando pequenos pedaços para o interior da figura traçada no chão dizendo “alfaba iku, alafaba ano............”

 

O QUE PROCURA O INICIADO NA RELIGIÃO YORUBá?

Uma orientação dos passos a seguir na sua vida, a direção e a sua missão escolhida pela sua Ori (cabeça). Um sentido de pertencer à religião onde Olodumaré vai aceitá-lo tal como é, que lhe dará o conselho para evoluir tanto no plano físico como no espiritual, tal como faria uma mãe que ama um filho mesmo conhecendo os seus defeitos e virtudes. Isto pode ser a razão pela qual mais pessoas estão a ser iniciadas na nossa religião, tanto podem ser médicos, advogados, ama de casas, militares, etc. Oferecemos uma resposta individual partindo da premissa que cada pessoa é um ser à parte, por isso não tem, um padrão a seguir como todos, já que cada um tem um caminho a seguir muito distinto do outro. Sendo cada um distinto do outro, é impossível que as regras e as leis possam ser as mesmas. Muitas vezes procuram essa orientação sobre o próximo passo a seguir, que o poderíamos comparar como um caminho, em que devemos saber até onde vamos e com que mentalidade nos devemos guiar para não ter tropeços. O Orisha ou anjo da guarda tutelar, será um orientador, para que tenhamos menos obstáculos nesta vida. Esse Orisha também vai ser o intermediário perante Olodumaré, das nossas andanças no mundo. É quem vai dar contas perante Ele das nossas obras boas ou más e quem vai interceder para que as sanções sejam menores. O iniciado terá de saber o que espera do Orisha, porque ele não vai fazer tudo por si, caberá a si fazer esse caminho. Não há crime sem castigo. Há quem acredite que pode fazer tudo o que deseja, porque pensa que o Orisha lhe vai permitir uma série de coisas, mas se entende que o Orisha está aqui para resolver ações mal feitas, nesta religião não é assim. Como dizem os mayomberos desta nossa religião o Orisha é lento e vagaroso como um elefante, o que quer dizer que lentamente vai esperando um momento para mostrar as nossas falhas. Um iniciado pode procurar também lucro económico, o qual é um erro, já que essa não é a base da nossa religião, antes pelo contrário, fala de sermos desprendidos. Esta religião não dá riquezas. É uma religião do mundo e que tanto nos ensina a viver nele.

 

QUAIS AS FUNÇÕES E OS DEVERES DA OYUGBONA?

O Iyawo vai ao lado do anjo da guarda da pessoa escolhida como Oyugbona, com o prato, dois cocos ou dois Obi Kola inteiros, 2 velas e o direito (dinheiro), e pergunta se a pessoa pode ser a sua Oyugbona para o futuro Iyawo, seja numa cerimónia de consagração de Ifa ou Oshá (Se esta for a Regra da Casa). Numa cerimónia de colares ou de iniciação a sua função é de assistir a madrinha ou padrinho nas cerimónias. Se é uma iniciação, deve ir com o Iyawo fazer o registo de entrada e marcar o ebbó, através de Ochá. É chamada para verificar os fundamentos do Iyawo, e deve ter em mente as coisas que o Iyawo vai necessitar no dia do rio e os detalhes da cerimónia. Deve deixar tudo preparado para o dia da iniciação, já que é chamada para facilitar tudo ao Oriaté em Osha e ao Awo que dirige as cerimonias do dia seguinte (o dia da iniciação). Tem que fazer as rogações ao Iyawo, assistindo todos os dias que esteja na esteira. Deve estar no quarto de iniciação, já que esta será a pessoa que fará todo o trabalho e tem que ir buscar tudo o que faça falta no quarto (Bodun). Tem que estar atenta a tudo o que suceda no quarto, e que não falte nenhum detalhe, que possa escapar aos outros. É a encarregada de dar banho e vestir o Iyawo e de trazer a sua comida. Deve estar atenta ao que possa falta no dia do Ita. É a pessoa encarregada de levar o Iyawo à praça e ao mercado em Osha. De aqui em diante é quem dará obi aos Orishas do Iyawo e quem rogará a cabeça, a menos que o padrinho decida outra coisa. Acomoda os Orishas para o aniversário do afilhado. Pode delegar aos outros, funções triviais, mas as principais que lhe tocam, não as pode delegar, por isso que é Oyugbona. Em muitas casas, depois de se tocar ao anjo da guarda do padrinho, é regra tocar ao da Oyugbona. Finalmente a Oyugbona é uma pessoa muito importante, já que esta tem a responsabilidade de verificar o que falta numa cerimónia e dar assistência ao Iyawo em muitos aspetos. 

 

QUEM É A OYUGBONA?

A Oyugbona é a segunda pessoa que manda numa iniciação ou cerimónia. Ao terminar é a pessoa que assiste ao Oriaté. Também o significado literal em Yoruba é: Ela que vigia o caminho. 

 

O QUE SÃO OS BÚZIOS?

São os búzios abertos que dão caminho e solução aos problemas do consultante, através de receitas de banhos, oferendas ou ebós (limpeza corporal de energia negativa).  O Santeiro (pai de santo) que interpreta a leitura de búzios (o que lê os resultados do Odu), deve estar de corpo limpo, purificado com banhos, abster-se de carnes e bebidas alcoólicas, assim como de relações sexuais, para estar apto a comunicar com os deuses Orichas, e assim, melhor interpretar e traduzir as receitas e conselhos aos seus filhos ou às pessoas que buscam o socorro e o alívio para as suas dores morais e físicas.

 

QUEM É ELLEGUÁ?

É o Orisha que tem as chaves do destino. É o dono dos caminhos e mensageiro de Olofi, tem o privilégio de ser o primeiro em tudo. Muito se fala de Eleggwá que é o senhor e dono de todas as oportunidades da nossa vida, e é ele que abre e fecha todas as portas dos nossos desígnios e também o encarregado de fazer cumprir as leis sagradas da nossa Mãe Terra. Também temos em mente que Eleggwá é um Oricha, sendo o dono de todos os caminhos e portas deste mundo, é ele o fiel depositador do Ashé da nossa vida. Elleguá veste-se com as cores vermelho e negro, ou branco e negro e codificam a sua natureza contraditória do seu ser. O rato é uma das imagens que representa Elleguá na sua mais infinita procura de caminhos, que sempre os encontra. Em particular, Elegbara aparece na encruzilhada dos humanos e do divino, pois ele é o Oricha infantil e o mensageiro entre os dois mundos (a terra e o céu). Tem uma relação boa com todos os Orichas, mas é muito mais estreita com Changó e Orumila. Nada neste mundo se pode fazer sem a sua permissão, pois ele é sempre o primeiro a comer. Por isso Eleguá sempre é chamado em primeiro lugar quando se faz um sacrifício, pois ELE é quem abre as portas entre os dois mundos e os caminhos na nossa vida. Elegguá reconhece-se a si mesmo pelos números 3 e 21, e ele é a nossa sorte e destino, com ELE tudo se alcança e sem ELE nada se consegue. Quando pedimos um conselho a Eleggwá e ele nos fala e nos dá os seus conselhos, temos a certeza que é o nosso espírito interior quem nos fala através dos Oráculos.

 

QUANTOS ORISHAS EXISTEM NA RELIGIÃO YORUBá?

201 divindades são as pertencentes ao panteão Yoruba, mas na América só perduram até hoje, aproximadamente uns trinta Orishas dadas as características do ritual.

 

O QUE É O ORÁCULO DE IFÁ?

Oráculo supremo mediante o qual o Babalawo comunica com Orula e com as divindades do panteão Yorubá. Personifica a sabedoria e a possibilidade de influir sobre o destino. Utilizam a cadeia ékuele e o tabuleiro de ifá com ikines.

 

QUEM SÃO OS BÚZIOS NA RELIGIÃO YORUBá?

Os Cauris são parte do Orisha, transmitem a profecia personalizada através do “Diloggún” e os seus “Oddus”. É um sistema numérico interligados a pataki que estabelece uma relação entre os feitos narrados e os problemas que a pessoa pode ter.

 

O QUE É UM BABALAWO?

A Regra de Osha ou Santeria está interligada com Orúnmila ou Ifá.  Os babalawos têm uma consagração adicional de Orúnmila. Entregam os devotos “Mão de Orula” ( Ico-fá (mulher), Awo-faca (homem) de Orula) e diversas divindades, mas não consagram “Osha” aos seus afilhados. Reúnem-se em Concilio com a finalidade de apresentar as previsões de Orula que se cumprem inexoravelmente.

 

QUEM SÃO OS ORICHAS?

São divindades ou energias superiores que regem os nossos destinos, transcendem as nossas faculdades sensoriais, e são intermediários de Deus.

 

POR QUE ESSES NOMES TÃO ESTRANHOS PARA DENOMINAR DEUS E AS FORÇAS SUPERIORES?

OLODDUMARÉ está composto no dialeto Yoruba por: OLO eterno DDU tempo MARE criar estabilidade, este é Deus. OLOFI significa OLO extensão FI espaço de este mundo. OLORUN no continente africano, não é conhecido por certas pessoas, e nem adoram outro Deus que não seja o Sol como ele, e chama-se LORUN.

 

O QUE SIGNIFICA A EXPRESSÃO OLODDUMARÉ - OLOFIN- OLORUN? 

Oloddumaré é a criação = Deus Todo poderoso Olofin e Olorun é o Sol, e são tendências diferentes da divindade que se integram em uma só entidade. Penso que para chegar a entender todo o que é relacionado com Oloddumaré tem que se analisar todos os nomes correlativos de esta “Divindade”. Os nomes que vamos analisar deixam uma ideia muito clara de quem é “Oloddumaré”, eles marcam uma definida intenção dos conceitos do “Ser Supremo” (Oloddumaré).

 

(1) Oloddumaré: É a Origem de outra palavra, não é fácil determiná-la mas entre os maiores da nossa crença, confirmam que este nome está enraizado em uma grandeza, magistralidade eterna e qual o homem pode depender em o todo momento. 

(2) Olorun: Este nome explica-se por si mesmo: significa o dono de Orun (os céus de cima) o Senhor que é dono de todos os céus (universo).

(3) Eledaá: Significa o “Criador”. O nome diz e sugere que o “Ser Supremo” foi e é o responsável de toda a criação. Ele foi o que existiu e é a fonte de todas as coisas. 

(4) Alaaee: Este vocábulo implica o “ser que sempre está vivo”, isto é concebido por os maiores ancestrais da nossa crença, que ele é “espírito que sempre existiu”. Em outras palavras, o “Ser Supremo” nunca morre. Esta é a razão por que os antigos sacerdotes diziam: A ki Igbo Iku” (nunca havemos ouvido da morte de Oloddumaré).

(5) Elemii: Ele que é dono da vida. Este nome aplicado ao “Ser Supremo” sugere que todas as criaturas, animais, plantas devem o alento da vida a Olodumaré. Em outras palavras, sem a permissão Dele, nada tira a vida. Quando o dono da vida retira o seu alento dos seres vivos, eles morrem e então, é Ele quem planifica o futuro dos espíritos. Os maiores da nossa crença, em tempos passados agregaram-se a Ele, que antes disse: (Bi Elemii ko ka ba, emi eo se eei tabi eeini)  “Se o sono da vida não nos deixa já e o haré isto ou aquilo”. 

(6) Olojo Oni: É o dono e o controlador deste dia e o que se passa neste dia, chamam-no dono da vida ou controlador do dia, reflete a dependência que os seres humanos têm em Olodumaré, e é o supremo sobre todas as coisas. Dos estudos realizados de todos estes nomes, chegamos à conclusão que “Olodumaré” foi concebido por os antigos como o criador dos Céus e da Terra, aquele que tem a eterna magistralidade e goza da eterna grandeza. Ele tem um tabernáculo nos céus com os homens. "Ele" é o senhor que determina o destino dos humanos, não perde o contacto connosco, porque nós somos fragmentos de Olodumaré e queremos como seres individuais chegar a uma verdadeira união mas para isso, teremos que formar uma unidade. 

 

“Ache Olorun tobi” (a obra de Deus é grande). Olodumare é único. 

 

EM QUE SE FUNDAMENTA A SUA CRENÇA RELIGIOSA?

Doutrina africana animista que afirma que todo o ser natural está vivificado por um espírito, e é uma religião monoteísta que reconhece um só Deus Criador de tudo o que existe e possui práticas politeístas. A nossa crença baseia-se fundamentalmente na família e na sua hierarquia agarrada às leis dos nossos antepassados. Religião que nos aproxima tanto da vida como da morte, e que nos leva a unir o mundo material com o mundo espiritual. Definimos como uma cultura aberta e recetiva aos fundamentos e obrigações perante a sociedade. Acreditamos em Guias ou Orichas que nos ajudam a libertar os nossos bloqueios, que surgem na nossa caminhada da vida. Obrigações e oferendas fazem parte de uma necessidade evolutiva que nos leva a ter mais perto o ashé (energia) da natureza em que no seu equilíbrio levará o ser humano a ser mais feliz e a ter a paz necessária consigo e com os outros.

 

O QUE SÃO OS COLARES?

Os colares são de várias cores, correspondem e simbolizam cada Oricha. É óbvio, que os colares são resguardados e vitalizam-se depois de haver passado pela cerimónia de receber os colares, que é o segundo passo do Santeiro. A imposição dos colares é uma forma de nos identificar com o nosso Oricha e de dar inicio a um processo de iniciação na Santeria. Esta cerimónia prepara-se quando coincide com uma cerimónia de Santo. A imposição dos colares é tão complicada que quase nunca se prepara só com o propósito de receber colares. O Padrinho coordena a cerimónia dos colares com a cerimónia de alguém que está preparado para receber o Santo. Desta forma, as preparações elaboradas aproveitam-se para as cerimónias. Esta começa, quando o Padrinho através dos búzios, que servem de oráculos a esta religião, determina qual é o Oricha que é o protetor do iniciado. (Este Oricha em terminologia corresponde ao Anjo da Guarda de cada um, sendo o Oricha do qual é filho). 

A cerimónia desenrola-se num quarto fechado onde se encontram vários Santeiros e específicos atributos da cerimónia. Cada passo é premeditado e cada artigo do quarto tem a sua razão de ser. Até o vestuário de cada pessoa é cuidado de acordo com as muitas regras desta religião. Na cerimónia, além de preparar os colares, escolhem-se as ervas, sacrifícios de animais e também se despoja do iniciado de todas as más influências. Este despojo caracteriza-se com o ato de cortar a roupa que tem posta pois ao receber os colares é banhado com as águas preparadas com vários ingredientes que se ocultam zelosamente pelos Santeiros.   

 

QUEM SÃO OS YORUBÁS?

Os Yorubás são os integrantes de um povo africano, situado a sudoeste da Nigéria e na região limítrofe com a atual República de Benin, Togo e Gana, na África ocidental. Os iorubás ou iorubas (em iorubá: Yorùbá), também conhecidos como yorubá (iorubá) ou yoruba, são um dos maiores grupos étno-linguísticos ou grupo étnico na África Ocidental, composto por 30 milhões de pessoas em toda a região. Constituem o segundo maior grupo étnico na Nigéria, com aproximadamente 21% da sua população total.

A maioria dos iorubás fala a língua iorubá (iorubá: èdèe Yorùbá ou èdè). Vivem em grande parte no sudoeste do país; também há comunidades de iorubás significativas no Benin, Togo, Serra Leoa, Cuba e Brasil. Os iorubás são o principal grupo étnico nos estados de Ekiti, Kwara, Lagos, Ogun, Ongo, Osun, e Oyo. Um número considerável de iorubas vive na República do Benin, ainda podem ser encontradas pequenas comunidades no campo, em Togo, Serra Leoa, Brasil e Cuba. Bem como tendo acesso ao mar, eles compartilham fronteiras com os Borgu (variadamente chamados Bariba e Borgawa) no noroeste, os Nupe (que eles chamam muitas vezes, "Tapa") e os Ebira no norte, os Edo que também são conhecidos como Bini ou povo benin (não-relacionado com o povo da República do Benin), e os Ẹsan e Afemai para o sudeste. Os Igala e outros grupos relacionados, encontram-se no nordeste, e os Egun, Fon, e outros povos de língua Gbe no sudoeste. Embora a maioria dos iorubás vivam no oeste da Nigéria, há também importantes comunidades yorubás indígenas na República do Benin, Gana e Togo. A maioria dos iorubás é cristã, com os ramos locais das igrejas Angelicana, Católica, Pentecostal, Metodista, e nativa de que são adeptos. O islamismo inclui aproximadamente um quarto da população iorubá, com a tradicional religião iorubá respondendo pelo resto. Os iorubas têm uma história urbana que data de 500 d.C. As principais cidades iorubás são Lagos, Ibadan, Abeokuta, Akure, Ilorin, Ogbomoso, Ondo, Ota, Shagamu, Iseyin, Osogbo, Ilesha, Oyo e Ilé-Ifè.

 

O QUE ESPERA UM AFILHADO DE UM PADRINHO?

Que saiba desta religião, a menos que a pessoa nos tenha dito abertamente que não sabe muito desta religião. Que nos ajude a resolver os problemas que surgem. Que nos respeite como pessoas e que entenda que não somos a sua propriedade. Que nos ensine sobre a sua casa ou rama, para aprender como se fazem as coisas. Que seja suficientemente maduro e honesto para dizer que não sabe algo. Que nos permita aprender com outros se surgir a oportunidade. Que tenha a resposta para todas as nossas perguntas. Que não se meta em nossas questões a menos que o peçamos.

 

QUE ESPERA UM PADRINHO DE UM AFILHADO?

Um padrinho ou madrinha, espera que sejamos muito religiosos antes de tudo e respeitosos pelo seu anjo da guarda. Espera que sejamos obedientes e discretos, sobre tudo no primeiro ano de iniciação, que é tão importante. O afilhado representa o seu padrinho e essa casa religiosa, para o bom ou o mau. Deve haver uma comunicação efetiva entre ambos, já que esta relação é para toda a vida. O afilhado deve aprender a conhecer os distintos estados de ânimo dos seus padrinhos, já que isso garante uma relação cordial e duradoura. O afilhado ou afilhada deve manter em total segredo tudo o que o padrinho fale a outro afilhado no dia do Ita. O afilhado deve ver e aprender a forma de assistir nas cerimónias em casa do seu padrinho sempre e quando o convidem. É importante que o afilhado recorde sempre os aniversários dos seus padrinhos. O afilhado deve recordar que há outros afilhados em casa e que deve evitar a todo custo, criar ciúmes entre os seus abures (irmãos) religiosos. De igual forma devemos mencionar as coisas que não se devem esperar de um afilhado, e que um afilhado não tem que viver ajudando o seu padrinho economicamente, não tem que fazer agradecimentos constantes. Também tem que viver fazendo as tarefas domésticas, e há que recordar que esta religião, não é uma escravatura. De um afilhado deve-se esperar o mesmo que um filho, e os filhos nem sempre estão de acordo com os pais, e tomam as suas próprias determinações. 

 

COMO SE ENTRA NA RELIGIÃO YORUBA?

Seja por uma revelação (sonhos, mensagens, etc.), ou através do oráculo de Ifa ou Osha, ou por desejo próprio de iniciar-se na religião.  A maioria parte das vezes é pelo decreto do oráculo de Ocha. Estas são algumas das hipóteses que existem para que um crente se encontre com a sua verdadeira natureza espiritual. O destino é uma das possibilidades que existem no caminho dos crentes e uma forma mais "natural" de nos encontramos com Olodumaré.

 

O QUE É UM INICIADO OU UM IYAWO?

Aquele que se inicia em Ocha ou Ifa, no seu primeiro ano de iniciado (Ocha) conhecemo-lo como Iyawo.  Em alguns casos somente durante três meses em algumas casas, mas o normal é um ano, e só depois de ter completado o seu término o conhecemos como Babalosha ou Iyalosha no caso de Osha e awo ou Babalawo no caso de Ifa.

 

PORQUE SE USA O COCO NA SANTARIA?

O coco é usado tanto pelo Santeiro como também pelo Babalawo e com eles perguntamos aos Orichas o que é que desejam. O coco também pode-se usar em alguém que não tenha feito santo mas que já tenha os seus colares ou os seus guerreiros. O coco é conhecido como Obi e é um dos Orichas menos conhecidos. O oráculo do coco é acompanhado de cinco palavras que são Alafi, Itagua, Elleife, Ocana Sordi e Ocana Oyekun. Para preparar o coco para a adivinhação tem que se partir um coco seco e de ali retirar os quatro pedaços que se vão usar, recomenda-se usar os pedaços grandes. Quando estamos preparados para atirar os pedaços do coco, coloca-se estes em frente do Oricha ao qual se vai perguntar. Deve-se refrescar o coco com água, rezar ao santo e tirar do coco algumas lascas, isto depende do número do Oricha.

 

 

 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
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Orichas - Ikú Lobi Ocha

QUEM É OKANBI?

Chamo-me Okanbi (nome de Santo), e desde a minha infância o gosto e a admiração sobre o mundo espiritual sempre foi admirável, em parte por ter nascido num país que cultivava e admirava o culto do mundo dos espíritos e do além. Em 2001, foi o início do meu primeiro passo no mundo esotérico, começando a trabalhar com as cartas do Tarot, e desde aí tenho-me dedicado de alma e coração a uma arte esotérica tão apaixonante. Nesta caminhada acabei por fazer o curso de Reiki chegando a mestre Reikiano durante o ano de 2003, que me abriu novos horizontes e uma perspetiva sobre mim completamente nova, da qual exerço como profissão.  

Foi como se tivesse despertado para uma nova realidade. No percurso desta evolução agarrei com uma fé invulgar a Santaria Cubana, algo que me vinha a apaixonar desde 2004, e que procurava em Portugal saber mais sobre esta religião. No ano de 2006, acabei por deslocar-me a Venezuela, onde fui coroado Oloricha pelo meu Padrinho Obaodun e a minha Madrinha Ikú Diero, que daqui deixo o meu muito obrigado desde já, pela oportunidade dada e pela a vossa hospitalidade. O meu nome nesta religião é Okanbi que significa "Coração de Algallú", e tenho coroado Algallú direto na minha Eleri (cabeça). 

Desde a minha coroação a minha vida mudou completamente e todas as respostas que tenho vindo a procurar, acabaram por chegar. Foi como tivesse nascido “novamente” e isto fez-me mudar para melhor todos os meus conceitos espirituais e mentais. Exerço a minha atividade como Santeiro, de forma a explicar e sensibilizar o povo português do que é a Santeria Afro-Cubana. Aqui termino a minha apresentação e espero que quando visitar este espaço web venha a entender o que é a Santeria Cubana.

 

Desde já o meu obrigado

Okanbi / Omo Algallú 

 

QUEM ERA OKANBI NO POVO YORUBÁ?

A sudeste da atual Nigéria constituíra-se o poderoso e dinâmico grupo Ibo. Possuía uma estrutura ultra democrática que favorecia a iniciativa individual. A unidade sociopolítica era a aldeia. No sudoeste, desenvolveram-se os principados Yorubás e aparentados, entre os séculos VI e XI, tinham as suas crenças mergulhadas na mitologia dos deuses e semideuses. O grande passado de todos estes príncipes, é Odudua.  

Seria ele próprio filho de Olodumaré, que para muitos seria o Nimrod de que fala a Bíblia, ou segundo a piedosa tradição islâmica, de Lamurudu o rei de Meca. O seu filho Okanbi, teria tido sete filhos que vieram a ser todos “cabeças coroadas”, a reinar em Owu, Sabé, Popo, Benin, Olé, Ketu e Oyó. Alafin é título de nobreza, criado para aquele que governa o Palácio de Oyó. O referido título foi criado por Oranian, que homenageou o pai, Okanbi, como o 1° Alafin de Oyó. Logo, o 1° Alafin foi Okanbi, o 2° Oranian, o 3° Ajaká e o 4° Shangó/Xangô (1450 a.c a 1403 a.c).

A primeira cidade fundada após Ilê-Ifé (fundada por Odùdúwa), Oyó (Nigéria), que foi criada por Oranian, foi transformada num grande império yorubá-nagô pelas mãos de Changó. Também existe a denominação, povo oyó, assim como outras especificações para povos africanos. Com Okanbi, começa a epopeia dos heróis Yorubanos, pois entre os seus sete filhos aparece Oranian, cujo papel de implantação definitiva da cultura yorubana é imparável.

Independentemente de ter tentado continuar a missão do seu avô ODUDUWA na sua Guerra Santa contra os descendentes de Ismael, transformou-se na maior figura dessa cultura, a tal ponto que é o mais famoso dos 7 filhos de Okanbi.

 

CRONOLOGIA

OKANBI - 1° Alafin de Oyó, 1700 a 1600 a.c.

ORANIAN - 2° Alafin de Oyó, 1600 a 1500 a.c.

AJAKÁ - 3° Alafin de Oyó, 1500 a 1450 a.c.

SANGÔ - 4° Alafin de Oyó, 1450 a 1403 a.c.

JAKÁ - 5° Alafin de Oyó, 1403 a 1370 a.c.

 

Por volta do século XII, Ifé era uma cidade-estado cujo soberano o Oni, era reconhecido como chefe religioso pelas outras cidades iorubás. Ifé, foi o lugar a partir de onde as terras se teriam espalhado sobre as águas originais para, segundo a tradição, fazerem nascer o mundo. Os iorubás foram expulsos da antiga Oyó pelos Nupês (Tapas) estabelecendo-se no que é a Oyó de hoje. A partir do século XVI o poder da cidade-Estado de Oyó cresce até unificar todas as cidades-Estado iorubá. 

 

Alafia Agbures

Omo Okanbi

 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Quem são os Orichas

Orichas - Ikú Lobi Ocha

A INFLUÊNCIA DOS ORICHAS EM ÁFRICA

A influência fundamental dos Yorubás sobre nós, foi exercida através da sua religião e da sua imaginação. O seu panteão de divindades e Orishas continua a ser vivo e influente, motivou o interesse dos estudiosos. Em África cada Orisha estava vinculado a uma região ou aldeia, já que se tratava de povos distantes e autónomos que viviam em economias fechadas.

Assim o culto a estes Orishas era local. No território Yoruba adorava-se Changó em Oyó, Yemayá em Egba, Oggún em Ekití, Oridó e Ochún em Ijebu. Aliás, nestes cultos locais, havia alguns Orishas que eram adorados por todas as tribos de uma região, como Obatalá, de quem todos os governantes Yorubás se consideram descendentes. A importância ou posição de um Orisha depende da grandeza da tribo que o adorava ou de quantas tribos o adoravam. Em quase todos os casos, os Orishas são homens divinizados depois de mortos. O Orisha é uma força pura, imaterial, que somente pode ser percebida pelos humanos, se ele tomar a possessão de um deles. O candidato desta possessão, é elegido pelo Orisha, é um dos seus descendentes.

 

OS ORISHAS MAIS CONHECIDOS SÃO OS SEGUINTES:

 

AGGAYU

aggayu

(São Cristóvão) o Orisha da terra seca, do deserto. Patrono dos caminhantes, dos automobilistas, dos aviadores e dos estivadores. Patrono da cidade de Havana (Cuba). O seu dia é a quarta-feira e a sua festa celebra-se no dia 16 de Novembro. É considerado para muitos o pai de Changó, e é conhecido como o gigante de Ochá.

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BABALU AYÉ

babalu ayé

(São Lázaro) Orisha das doenças venéreas, da lepra, da varicela e em geral das infeções que aparecem no ser humano. O seu dia é a quarta-feira e a sua festa celebra-se no dia 17 de Dezembro.

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OLOKUN

olokun 

OLOKUN, oricha de grande importância, ainda pouco conhecido por muitos praticantes, porém, muito difundido e adorado na Nigéria. Estas crenças, em geral, são fundamentadas em algo original ou histórico, e em África existem inúmeras. 

 

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CHANGÓ

chango

(Santa Bárbara Bendita) Orisha maior, Deus do fogo, do raio, do trono, da guerra, dos ILÚ BATÁ (tambores) do baile, da música e da beleza viril. Patrono dos guerreiros e das tempestades. O seu número é o 6 (Obbara). O seu dia é a quarta-feira e todos os 4 de cada mês. O seu dia é o 4 de Dezembro. Este Orisha, é considerado dono de todas as mulheres, pois, viveu amores com todas as Orishas. 

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ELEGGUÁ

elegguá
(Criança de Atocha e São António de Padua) Elegguá é filho de Okuboro que era rei de Añagui. Na entrada das casas reside Elegguá, para proteger o refúgio familiar da entrada de Echu, o vagabundo que leva consigo os problemas. As cores de Elegguá são o vermelho e o negro, que representam a vida e a morte. 

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JEGUÁ

jégua

Muitos na nossa crença tem a noção de que Oya-Yanzan é a que manda e rege o cemitério, no entanto, não é assim. É ela quem recebe o cadáver na porta do cemitério, mas a dona daquele local sacro é Jeguá. A ela, Olodumaré impôs-lhe viver neste tenebroso lugar por uma falta cometida, a de ter amores secretos com Changó, o qual lhe era proibido naquele tempo. 

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IBEYIS

ibeyis

(São Cosme e São Damião) os Gimaguas celestiais, que gozam do amor filial de todos os Orishas, são considerados patronos das crianças e geralmente vivem nas palmeiras e foram eles quem venceram o diabo.

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YEMANJÁ

yemanjá
Na África, o orixá que reina nos oceanos é Olokun e, segundo consta, é o pai de Yemanjá. Ela, por sua vez, fixou o seu reinado nos lagos (de água doce e salgada), enseadas, quebra-mares e na junção entre rios e mares. YEMANJÁ (Ye + omo + eja = mãe dos filhos peixes) ou, Yèyé omo ejá (Mãe cujos filhos são peixes).

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OCHÚN

ochún
Yalorde é um dos tantos nomes porque se conhece a Ochún. Este nome significa Rainha e a deusa do mel e com esse néctar pode retirar Oggún do monte. As demais santas o tentaram e não puderam, e quando ela pediu permissão a Olofi para fazer, todas as orishas gozaram com ela.

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OGGÚN

oggún
Este Oricha em torno do qual, se tem elaborado tantas histórias distintas, tem uma missão muito importante na religião Yorubá, porque ele é o Ochogun de todos os Orichas (o encarregado de dar-lhes de comer). Com a sua faca mata e isso, não é outra coisa que não seja a representação de Oggún no Santo.
 

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OIA IANSÁ

oia iansá
Oyá Iansa é o nosso credo, é um dos cinco elementos mais importantes nesta vida. Ela é a secretária de Olofi porque é a primeira que sabe tudo nesta vida, pois é o ar. Imaginem o que seria este mundo em que vivemos sem o ar que respiramos, o que seria das plantas e tudo o que necessita de ar para viver.

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INLE

inle

Vamos falar de Inle que é considerado um Oricha que se deve coroar como Yemanjá. Inle era médico, pescador, caçador e adivinho como Ucuele, não era Babalawo, mas tinha a virtude de Olofi, que foi essas coisas todas. Todo o que fazia saí bem, pois, tinha essa virtude, mas a sua verdadeira função era ser pescador.

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OBATALá

obatalá
É o criador dos demais Orichas. Em Obatalá está representado como a criatividade do resto dos Orichas. Quando Olodumaré criou a vida humana na terra, fez Obatalá à sua semelhança (equivalente a Adão) e o encarregou de velar pelo planeta e as suas criaturas. Ele dirige este mundo e cuida, para que tudo saía bem.

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OBI

obi

Um dos Orichas menos conhecido na religião Yorubá é Obi, que simboliza o coco. Quando este Oricha passou pela terra na sua primeira vida, Olodumaré deu-lhe um lugar de muita importância entre o seu reino. Obi era branco por fora e por dentro, significando a pureza de carácter, de orgulho e de vaidades.

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OBA NANI

oba nani

Aqui vamos falar de Oba Nani é Obini (mulher) de Alafi (Changó), legitima esposa de Changó. Mulher nobre e boa, filha de Pduá e Yembó. O seu significado na religião Yorubá tem a ver com tudo o que existe neste mundo.

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OLODUMARÉ

olodumaré 

Para os ancestrais Yorubás e para nós os seus descendentes, a existência de Oloddumaré (Ser Supremo) é tão real, como a nós, como povo. É muito raro encontrar entre nós os descendentes dos Yorubás, alguém que não acredita em Oloddumaré.

 

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OSSAIN

ossain 

A palavra Osaín significa conhecedor, médico, começo da vida e eternidade. Isto é assim, porque ele é o espírito que vive em tudo que tem vida na terra e porque é o médico desta religião. Ele é o dono de todas as plantas, ervas, animais deste mundo.

 

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OKO

oko 

Junto com Olokum é o Oricha mais poderoso neste mundo e um dos mais venerados no panteão Yorubá. Oricha Oko é a terra, que é uma parte deste planeta onde a outra é a água.

 

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OCHOSI

ochosi 

Ochosi, é falar da justiça e da retidão na vida. Ochosi é o único Oricha que é bruxo de verdade na religião Yorubá. É bruxo porque nas suas cerimónias queima-se pólvora, que tem a ver com os Mayuberos bruxos. É o salvador de Yalorde.

 

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Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá.

Foto de Iemanjá, Aggayu, Obatalá e toda a mitologia dos orichas é retratada em série de imagens do fotógrafo James C. Lewis. Fotos retiradas do website http://www.sinuousmag.com/2012/10/yoruba-african-orishas-series

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Regras de quem deseja ser iniciado

Orichas - Ikú Lobi Ocha

FUNDAMENTOS DA RELIGIÃO

Neste texto que a seguir apresento, mostro algumas das tarefas e obrigações de alguém que deseja entrar na Santeria Cubana, principalmente na Regra Osha e que não tenha uma ideia firme sobre esta religião. As regras aqui expostas não fazem prevalecer sobre nenhuma outra que exista, pois, cada casa de santo terá as suas regras e condutas próprias. Não é minha intenção mostrar todas elas, mas sim mostrar aquelas que considero as fundamentais para um bom entendimento da pessoa que deseja entrar nesta religião. 

Estas normas devem seguir e ser ajustadas à conduta, tarefas ou atividades para atingir um objetivo. Este conjunto de regras são de grande importância porque pretendem preparar o Iyawó ou iniciado no cumprimento estrito das regras e do seu Itá, para que alcance a sua harmonia e o equilíbrio na sua existência no plano terreno da vida. Serve também para desenvolver a disciplina, para que alcance, hábitos sáudaveis para conduzir o seu comportamento, para que aprenda a governar a sua maneira de ser, para que conheça através de estes princípios fundamentais de Ocha.

MUITO IMPORTANTE:

O Iyawó deve saber que a iniciação tem uma importância extraordinária, e que significa nascer de novo noutra forma de vida, de onde ele adquire uma nova perspetiva da realidade, devido aos novos conhecimentos, poderes e capacidades que irá adquirir. Isso acontece como consequência da sua estreita vinculação ao sistema oracular, com o anjo da guarda e com as mais distintas consagrações, cerimónias e rituais que se enfrenta. A etapa de Iyawó é de um ano de limpeza e sacrifícios.

 

1 - Yawo durante o seu primeiro ano está proibido pelas regras do santo das seguintes coisas: 

a) Durante os primeiros três meses não pode ter a cabeça descoberta.

b) Durante os primeiros três meses não pode comer na mesa, só sobre a sua esteira e no solo.

c) Não pode estar depois das 18:00h da tarde na rua.

d) Não pode manter relações sexuais depois dos 6 dias de fazer o Santo.

e) Não se permite que aperte a mão a ninguém durante um ano.

f) Não se pode alimentar senão na sua esteira durante os 3 meses iniciais.

g) Deve atirar-se (saudar) no chão diante de todos os Santeiros maiores.

h) Deve comer com o seu prato, colher e beber no seu copo.

i) Não é permitido que se toque na sua cabeça.

J) Não pode passear ou andar em grupos, nem estar em lugares públicos, onde haja muitas pessoas.

k) Evitar não molhar a cabeça com chuva e com a neblina.

l) Reger-se pelo seu Itá ao pé da sua letra.

m) Cumprir com a visita aos Santeiros que foram ao seu santo, acompanhado pela sua yibbona.

n) Cumprir a visita aos seus Padrinhos uma vez por mês.

o) Não pode estar ou assistir a toques, se não está diante do tambor.

p) Quando vai cumprir os 3 meses de santo tem que apresentar um prato, coco, velas e os direitos acordados pelo padrinho para a cerimónia dos seus 3 meses.

q) Se o Iyawo faz o ebbometa o direito é acordado com o Padrinho.

r) Depois da cerimónia dos 3 meses, onde se entrega ao Iyawo a mesa, tira-se à mulher o turbante e o xaile, e no caso do homem, tirar-se o gorro. Depois desta cerimónia, o Iyawo fica livre destes atributos até ao ano, podendo usá-los em cerimónias religiosas dentro do mesmo. Um Iyawo não se atira (sauda) a outro Iyawo ainda que seja maior, nem deposita dinheiro na chávena de direitos do santo. Tudo isto é para depois do ano. Deve saber que depois o Santeiro menor deverá sempre saudar o Santeiro maior.

  

2 - Quando o Iyawo vai cumprir o seu ano tem que apresentar o prato, coco, velas e um direito diante do Santo dos seus maiores, para que os seus padrinhos possam assistir aos seus cumprimentos. A rogação de cabeça e o coco ao santo pertence a sua Yibbona, à qual cobra um direito por esta cerimónia.

 

3 - Depois do ano, quando deixa de ser Iyawo pelo qual é chamado o Santeiro, deve seguir guiando-se pelo seu itamalé por toda a sua vida.

 

4 - Caso o Santeiro tenha que receber santos marcados por itamalé, deve ser da mão do seu padrinho.

 

5 - Quando um Santeiro faz a entrega de santos pela primeira vez, os diretos do mesmo pertencem ao padrinho para poder entregá-lo ao santo, tal como, os búzios do mesmo. Se o padrinho é falecido tem que ter um representante religioso que lho possa entregar.

 

6 - Quando se cumpre o primeiro ano de santo, o dinheiro que se levanta no prato pertence ao santo do padrinho, como um ramo de flores do trono e algumas frutas, tudo isto leva-se ao outro dia do cumprimento dos anos.

 

7 - Por lei, o santo do padrinho deve ser notificado de todos os passos do afilhado dentro da Regra de Ocha, para que o santo do seu padrinho de onde nasceu o possa cobrir com o seu manto. Se não for desta maneira, o padrinho e o santo não podem ser responsáveis de nada.

 

8 - Quando um Santeiro faz um santo pela primeira vez, os direitos pertencem-lhe ao yibboneo do seu padrinho, e o segundo à sua yibbona.

 

9 - O padrinho dá conselhos sempre baseados no ensinamento do santo, pois, é o Santo na realidade quem guia os seus filhos. Nunca a palavra do santo se põem em dúvida, pois, não escutar pode custar até a morte. Quando um religioso não obedece, é melhor que não conte com o santo.

 

10 - Por regra de Ocha os padrinhos chamam a um sacerdote Oriaté ou Obba, quando tem todos os santos do panteão e conhece as cerimónias de entrega, é ele o encarregado de transmitir através dos búzios a palavra do santo.

 

11 - Somente o Oriaté ou Obba tem a autoridade para guiar as cerimónias da regra de Ocha, são eles os encarregados de consagrar santos e fazer um itamale e guiar cerimónias de santos de adimú como Olokun, guerreiros, santos lavados e outros.

 

12 - Tudo o que tem a haver com a regra de Ocha pertence somente aos Santeiros, e se é necessário um Babalawo (sacerdote de ifá) o próprio santo o orientará.

 

13 - Quando um Iyawo ou Santeiro tem problemas com o seu padrinho por faltas ou pelo itá, e chega-se a um acordo de separar-se da pessoa (e nunca do Santo) a yibbona passará a ocupar esse lugar.

 

14 - A pessoa ainda que esteja separada do seu maior tem a obrigação de ir ao pé do santo duas vezes por ano, no dia de aniversário do santo do Padrinho e do anjo da guarda, e nesse dia o Padrinho não poderá fechar a porta da sua casa nem mesmo aos inimigos.

 

15 - Quando pára alguém diante do santo para perguntar se é bem aceite nesta casa e a letra do coco é Ocana não se retifica, e a partir de esse momento a pessoa tem que procurar outro padrinho ou madrinha. 

 

16 - Pelas regras de santo, um Santeiro pode preparar um iniciado nos colares, guerreiros, Olokun e santos de adimú sem apresentá-lo diante do santo como afilhado de fundamento, e dessa maneira a pessoa tem tempo de conhecer melhor quem vai ser o seu padrinho, pois, esta relação de padrinhos e afilhados deve ser para toda a vida.

 

17 - Para atender uma pessoa, não é obrigado a ser afilhado da casa. Por esse motivo, não se deve pensar que ser o padrinho da pessoa, tem todo o direto de decidir com quem quer fazer consagrações. Por isso, se não está preparado para enfrentar estes problemas não trate de arranjar pessoas e assim não terá desilusões religiosas. São os afilhados que escolhem os padrinhos, e é o santo quem escolhe os seus filhos.

 

18 - O padrinho dentro da casa tem a obrigação de ensinar a lei aos iniciados para que depois não cumpram outra. Se não for desta maneira, por conveniência própria terá que enfrentar a lei da casa e reconhecer o seu erro, caso contrário o maior tomará as decisões.

 

19 - Se não quer passar por isto, tenha essas pessoas fora do alcance, não mostre a sua religião, nem a sua casa de santo.

 

20 - Entrega-se, somente o quarto de santo ao iniciado depois de ter feito o ebbometa, por norma é cumprido depois dos três meses, ainda que haja casas de santo que só entregam depois de um ano.

 

21 - Um Santeiro ganha os primeiros direitos quando lhe é entregue o quarto de santo. Este deve-se ajoelhar diante dos seus maiores e apresentar os direitos, aos mesmos. Devem dizer bem para retirar a maldição que tem o dinheiro em ofún o megua (10), signo do búzio. Depois esse dinheiro é colocado sobre o seu santo e podem usar com fins religiosos ou propósitos, em que o Santo divide com os filhos as suas riquezas.

 

22 - Todos os anos o Santeiro pode dar aves ao seu santo para o aniversário, e se quer dar animais de quatro patas deve perguntar ao santo pois, sempre que necessita de um animal de quatro patas pode resolver grandes problemas na sua vida de religioso, e o Santo pode servir-se quando queira ou entenda.

 

23 - Nenhum Santeiro que não tenha faca está autorizado a matar sobre o santo, por esse motivo os direitos são guardados pelo Oríate ou Obbá.

 

24 - A matança do santo não é secreta e as pessoas que não tem consagração, podem participar ajudando a aguentar os animais e limpar.

 

25 - Os Osainistas (encarregados de levantar as ervas de santo) necessariamente têm que ter santo consagrado e conhecer bem as ervas utilizadas na consagração.

 

26 - Dentro da regra de Ocha, não se utilizam os santos nem os mortos para atemorizar as pessoas e conseguir lucros para fins próprios. Esta é uma religião de fé e amor. As pessoas fazem o que sentem e podem ao santo toda a vida, pois, quando se entra não sai nunca mais.

 

27 - O Santo como o espírito tem a faculdade de criticar os seus filhos e dizer-lhes verdades sem ofender, mais é um dom que só eles têm, por isso os filhos nunca se devem sentirem ofendidos e devem agradecer sempre o conselho.

 

28 - Quando uma pessoa tem um fluido de uma entidade, seja o santo ou um espírito nunca deve burlar os outros, pois, se isto acontecer poderá passar muito mal, então é melhor respeitar para que não tenha problemas. 

 

29 - Dentro da regra de Ocha dá-se o fenómeno da consciência, a semi-inconsciência e da inconsciência. Estes três fatores podem dar-se dentro do espiritismo, e não do santo, pois, o santo irradia sem vir, ao qual se chama de barulho, ou vem ao qual se chama de possessão ou “monta o filho”. A partir desse momento o único responsável de tudo, é o santo que está dentro da cerimónia que está a ser realizar.

 

30 - Quando um Santeiro morre, faz-se a cerimónia do Ituto onde se determina os santos que vão com o eggún e os que ficam, somente ficam os santos em obara (6) que ficam com a família, e as pedras em oché (5) ficam com a família de sangue.

 

31 - Quando morre o padrinho faz-se o luto durante 3 meses, quando morre a yibona ou um afilhado faz-se o luto durante 9 dias.    

 

32 - O luto consiste em não fazer nada religioso durante esse tempo com os santos, e devem mesmo permanecer em repouso por esse tempo e cobertos com lençóis.

 

33 - É um dever do afilhado, mesmo que tenha passado o tempo Iyawo a saudar diante do seu padrinho cada vez que o veja, pois, não só saúda o padrinho na verdade, como esta saudando o anjo da guarda.

 

34 - É  importante deixar bem claro, que em caso de queda da saúde é o santo e não o padrinho, e se o santo autoriza uma pessoa consagrada na regra de Ocha, estando doente de qualquer padecimento pode fazer o que deseja, e é somente o santo que tem a autoridade de proibir um filho de não fazer mais santos pela sua saúde e marca-se numa letra do búzio que se chama 5-5 (ochemeyi). Faz-se somente a proibição numa comida do santo de cabeça, com animais de quatro patas ou num lançamento de búzios que pela pessoa o santo traga-lhe osogbo. 

 

É importante conhecer as pessoas que chegam ao santo sabendo qual o motivo principal, pois, o santo é o que dá a vida e a saúde. Como também é um erro, crer que faz-se santo com as pessoas que estão bem economicamente para que lhes transmita sorte. O Aché traz a pessoa consigo, pois os africanos só tem o seu santo e a sua fé.

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 
 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Santeria é um culto?

 

Orichas - Ikú Lobi Ocha

NAÇÃO YORUBá

Santeria é uma religião da nação Yorubá da Nigéria em África Ocidental, que veio através dos escravos que foram trazidos para Cuba para trabalhar nas plantações de açúcar. Esses escravos trouxeram as suas tradições espirituais com eles, e quando forçados pelos donos a converter-se ao catolicismo, engenhosamente esconderam os seus segredos religiosos dentro do imaginário dos Santos Católicos dos seus donos. Santeria, também conhecida como o "caminho dos Santos," é o termo aplicado aos escravos, que adoravam os seus Santos “primitivos” em detrimento dos Santos Católicos. 

 

A religião também é conhecida como “La Regla de Ocha”, ou a religião lucumí. Várias religiões equivalentes praticam-se no Brasil e também em África Ocidental. Hoje, o que antes era um termo pejorativo, é de uso comum, de tal forma que a maioria dos profissionais cubanos se referem como Santeros, e para os Orishas (divindades da religião) como Santos. Pessoas ignorantes, racistas, podiam considerar a Santeria como um culto, ou uma religião sincretista ou animista como uma maneira de diminuir a sua importância e dissipar a profundidade dos seus mistérios. No entanto, a Santeria é uma das grandes religiões do mundo, comparável ao hinduísmo ou à religião do Egito antigo.  

Têm uma teologia completa, uma mentalidade metafísica e uma tradição ancestral elaborada e com muitos rituais. Além disso, é uma religião de mistérios iniciados à semelhança dos célebres mistérios de Elêusis que se celebravam na Grécia antiga, mas com a diferença, que aqueles segredos não se perderam por ser tão bem guardados, os da Santeria sobreviveram por milénios relativamente com poucas mudanças. A maneira de aclarar, apesar de o nome popular como é conhecida, a Santeria não consiste num culto a santos católicos.  

Estas eram só máscaras que os Orishas tiveram que ter para poder sobreviver durante a escravatura nos corações dos seus devotos. Os Orishas são as divindades dos Yorubás, e a palavra “santo” é só utilizada devido à conveniência e à familiaridade. Outras tribos trouxeram as suas religiões, também. A tradição daomeana sobreviveu no que hoje é denominado "Arara" e as práticas do povo Bantu tornou-se aquilo que é referido como "Palo", "Palo Monte" ou "Palo Mayombe." A quarta religião, da tribo Caravali, tornou-se numa sociedade de homens conhecida como AbakuaMatanzas, que fica a 90 km a leste de “La Habana”, e esta cidade é conhecida por ser a província de algumas das maiores plantações de açúcar em Cuba, assim como a população escrava que era bastante grande. A cidade e a província são consideradas por muitos como a fonte ou berço, das tradições religiosas Afro-Cubanas. Muitos Santeros, conhecem Deus como Olorún (Dono dos Céus) ou como Olodumaré, mas cada religião como tendo o seu tempo e lugar, eles estão a adorar um só Deus, não importa o nome ou a linguagem utilizada nesse culto. 

 

TRADIÇÃO ORAL

Santeria e todas as religiões afro-cubanas, são tradições orais. A medicina Yorubá tem os seus livros, geralmente copiados à mão a partir das notas escritas dos mais velhos, mas a maioria aprende através da observação e da escuta durante as cerimónias. As comunidades religiosas são famílias muito únidas, geralmente do mesmo bairro. Crianças de 4 e 5 anos já conhecem os rudimentos dos rituais públicos e as palavras para as canções de louvor. Crianças que apresentam um talento, seja para cantar, tocar bateria, para as ervas ou os rituais próprios, são tomadas sob a asa de um ancião que ensina. Não há salas de aula, o ensino é feito mesmo nos rituais. A religião tem sido tradicionalmente transmitida oralmente, as diferenças, na prática, surgiram entre as famílias alargadas (conhecido como "ramas" ou ramos). Sendo assim, vamos ver as diversas crenças:

 

ASHÉ

Ashe é a energia espiritual ou divina que é o pilar do universo. Cada coisa, animal e pessoa tem axé. Através do poder do seu axé, os seres humanos têm o potencial de se mudar a si mesmo e o seu ambiente. Música, dança e ritual aumenta o nível do axé ao nível da comunidade, às vezes ao ponto que os Orishas “montam” os seus sacerdotes para se juntarem à festa ou cerimónia (ver "Posse" em baixo). Ashe é também "bênção." É a bênção dos Santeros quando pedem em relação a coisas - água, ervas, animais, outras pessoas, tambores, os Orishas em tudo que fazem. 

 

DEUS

Santeros acreditam num Deus, Olodumaré (também chamado de Olorun ou Olofi), o Criador do universo. Deus é tão grande, tão irreconhecível, que a comunicação direta não é possível. Os seres humanos podem comunicar com Deus através dos Orishas. 

 

ORISHAS

Os Orishas são a personificação de todos os aspetos da natureza (oceanos, rios, montanhas, trovão, chuva, ferro) e todos os atributos humanos (tais como inteligência, acarinhar, amor, sexualidade, agressividade, esperteza). Esta personificação, engloba tanto o positivo como o negativo. Assim, o mar pode estar calmo ou violentamente agressivo e ambos são Yemaya. A chuva pode cair suavemente ou em força durante um furacão, e ambos são Oya. A inteligência pode ser forte ou fraca mas ambos são aspetos de Obatalá. A agressividade pode ser manifestada pela defesa dos fracos ou o mal em matar alguém num ajuste de raiva, mas ambos são aspetos de Ogun. O universo é composto de todas as manifestações naturais dos Orishas e os seres humanos são um composto de todos os seus traços pessoais. Os seres humanos, geralmente, apresentam mais traços da personalidade que outros, e assim as pessoas falam de um tipo intelectual como um "filho de Obatalá," ou uma mulher graciosa como uma "filha de Ochun". Finalmente, o objetivo da vida é estar em equilíbrio com todos os aspetos da personalidade e da natureza, para cumprir o seu destino pessoal. Os Santeros apelam a todos os Orishas de uma vez ou outra, para ajudá-los nesse processo. Os Santeros podem comunicar com os Orishas de duas formas: através do Itá ou consulta com os búzios, e através da posse física de uma pessoa pelo seu orixá.

 

ITÁ

Os Orishas falam através de 16 búzios jogados por alguém conhecedor deste método de adivinhação sofisticada. Cada vez que os búzios são lançados, dependendo do número que saiam marcam uma letra ou caminho (oddu). Cada letra tem algumas frases e histórias associadas com ele, existem 16 letras grandes e 246 combinações totais. A primeira vez que os búzios são lançados, eles são lançados duas vezes, para marcar um oddu. Em seguida, eles são lançados várias vezes, para mergulhar mais profundamente no que os Orixás estão a dizer. Um Oloricha ou Santero podem saber especificamente os problemas enfrentados pela pessoa que solicita a consulta, e oferece conselhos sobre como resolver essas questões. As consultas poderão ser procuradas pelos iniciados e os não iniciados (aleyo). A consulta mais importante que uma pessoa recebe na sua vida é a consulta com todos os Orixás principais, depois de uma iniciação em OCHA. Esta consulta fala à pessoa do passado, presente e futuro, e oferece orientação sobre como mudar a sua abordagem à vida, de modo a cumprir o destino da pessoa.

 

POSSE OU POSSESSÃO

Alguns iniciados dizem ser possuídos pelos seus Orixás. Estas pessoas são chamadas de "cavalos", porque o orixá vai montá-los, de modo a comparecer perante uma comunidade. A cerimónia, particularmente uma celebração ou uma iniciação, não está completa até que um ou mais Orishas apareçam aos seus filhos. A sua presença é uma constatação de que as orações dos Santeros chegaram a Deus. Deus envia os Orishas para participarem na festa, para confirmarem o que ocorreu e comunicarem com os Santeros recolhidos e aleyos.

 

ANTEPASSADOS

Os antepassados, também chamados de Eguns, desempenham um papel importante na cosmologia da Santeria. Toda a cerimónia começa com um aviso de orações aos antepassados dos dois anciãos da religião e aos antepassados do indivíduo. Uma pessoa pode ter vários Eguns diferentes, não necessariamente parentes, que o acompanham e atuam como guias espirituais. Algumas pessoas também são possuídas pelos Eguns. Tal como acontece com os Orixás, o Egun vem para validar o que está a acontecer e comunicar  no encontro. O Egun vem mais frequentemente durante as missas espirituais. Estas missas têm mais a ver com os cristãos do que com o Espiritismo Africano, raízes da Santeria, e nem todos os Santeros usam, ou pelo menos, não regularmente. O Egun também vem durante as festas de celebrações dedicadas a eles. Estas celebrações tradicionalmente usam tanto o Cajon (uma caixa de madeira) ou guiro (atabaques e shekeres).

 

ADORAÇÃO

Santeria é uma religião muito pessoal. A principal forma de adoração é a comunicação do indivíduo com o Egun e os Orixás. A adoração comunitária tem lugar durante as celebrações e iniciações. A principal forma de oração nestas circunstâncias é cantar e dançar, acompanhado pelos tambores que funcionam como o "telefone" para os Orixás e Deus. As músicas geralmente elogiam as virtudes de cada orixá ou comunicam ao Oricha que a cerimónia acaba de ter lugar. Caso os Orishas não venham, as músicas podem tornar-se insultos e até mesmo insultuoso como forma de incitá-los a participar da celebração.

 

EBBO OU ADIMÚ

A principal maneira dos Santeros pedirem a intercessão dos Orishas na solução de problemas de um indivíduo é através do ebbo ou sacrifício. O Ebbo pode envolver algo tão simples como uma vela, talvez algumas flores, frutas ou doces, ou pode mesmo envolver um sacrifício animal. O sangue dos animais é geralmente reservado para ocasiões muito importantes: o nascimento de novos iniciados ou a resolução de problemas graves. O conceito por trás do sacrifício é compartilhado por muitas religiões antigas. O sacrifício de animais é a parte mais incompreendida da Santeria, especialmente nos Estados Unidos. Santeros que têm o direito de usar a faca são treinados para fazer isso da forma mais humana possível. Exceto, nos casos em que o animal está a limpar a doença ou a morte da pessoa, partes dele são ritualmente preparados e apresentados para os Orixás e o restante é consumido pela comunidade como uma forma de compartilhar o axé do animal que deu a sua vida para os Orixás.

 

INICIAÇÃO

Existem vários níveis de iniciação na religião. O primeiro nível consiste em receber um ou mais colares nas cores do Orishas. O segundo nível envolve receber um ou mais Orishas, normalmente os guerreiros (Elegua, Ogun, Ochosi, Osun) ou Olokun (o orixá das profundezas do oceano). O terceiro nível envolve ter a cabeça lavada a um orixá particular. Esta cerimónia é geralmente um precursor para a receção de OCHÁ. O iniciado é "coroado" numa complicada série de cerimónias que envolvem toda uma comunidade de Santeros. OCHÁ é presidida por um Obá, ou Oriaté, ou seja, o sumo sacerdote da Santeria quem tem o conhecimento de todas as cerimónias e os segredos da religião. Ao terceiro dia após o início das cerimónias, o sacerdote recém-coroado, chamado de Iyawo, é apresentado ao “bata” (tambores sagrados) e à comunidade. O iniciado está vestido com uma roupa tradicional em cetim nas cores do Orixá coroação. Em seguida, o akpon (vocalista) canta um ciclo completo de músicas para o Orisha, para Deus saber, através dos tambores sagrados, todas as cerimónias que o iniciado tenha sido submetido. Após a iniciação, o Iyawo deve vestir-se de branco durante um ano. Para os três primeiros meses, as mulheres usam um xale em público e homens usam calças compridas e mangas compridas. As refeições são comidas num tapete no chão. A cabeça do Iyawo é sempre coberta, para proteger a coroa delicada. Iyawos não deve beber ou ficar fora depois de escurecer. A vida Iyawo deve ser tão tranquila quanto possível. Em essência, o Iyawo é um bebé, e é tratado como tal pela comunidade, para que ele ou ela sejam amados e acarinhados. 

 

Okanbi

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.

 

 
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Escrito por Okanbi / Omo Aggayú
Categoria:
Sessão ou Boveda Espiritual

Orichas - Ikú Lobi Ocha

COMUNICAÇÃO ESPIRITUAL

Aqui deixo uma breve explicação de como se desenvolve uma sessão espiritual, baseado em testemunhos e por experiência própria. Levanto um pouco do véu do que se passa numa sessão espiritual e como devemos procurar nesta sessão os nossos guias e espíritos do passado. Deixo aqui claro, que isto que descrevo não passa do meu ponto de vista, e não será regra tudo aquilo que escrevo e coloco aqui. Cada médium espírita terá o seu próprio método e como tal poderá variar. Em seguida deixo a explicação das missas existentes.  
 

RESUMO:

Qualquer pessoa que se encontre apto para receber e transmitir as comunicações dos Espíritos é um médium, seja qual o meio utilizado e o grau de desenvolvimento das suas faculdades, desde a mais simples influência oculta até à produção dos mais insólitos fenómenos. No uso corrente, o vocabulário tem uma aceitação restringida e diz-se geralmente que são pessoas dotadas de uma capacidade muito grande para a produção de efeitos físicos, como para a transmissão do pensamento dos Espíritos pela escritura ou pela palavra. (Allan Kardec, Revista Espírita, fevereiro, 1859).

Se o médium é de baixa moral, os Espíritos inferiores vêm agrupar-se ao seu redor e estão sempre prontos para tomar o posto dos bons Espíritos que se tenha chamado. As qualidades que preferencialmente atraem os Espíritos bons são: a bondade, a benevolência, a sensibilidade de coração, o amor ao próximo, o desprendimento das coisas materiais. (Allan Kardec – O Livro dos Médiuns, pergunta 227).

A sessão espiritual é parte de quem desenvolve a regra de Ocha ou o Palo, é como a parte que está no meio entre os santos e a nganga. Não tendo as três que se relacionar entre si. É um centro de poder onde coincide diferentes espíritos servidores de distintas funções e interesses, cujos poderes podem ser evocados por um devoto em benefício próprio, da sua família ou de aqueles a quem deseje realizar uma obra de caridade. É composto por nove copos com água, um copo de cristal transparente com água, um rosário e uma cruz ou crucifixo, preferencialmente de madeira (estes integram o Cristianismo). Outros elementos são: flores, nas ocasiões que indicam, uma vela cuja cor será branca ou outras cores, segundo indicação. Também de acordo com as diferentes missas de investigação que são realizadas agregam-se imagens ou objetos, para que um morto em especial vibre no trabalho e se identifique com ele.

 

A sessão deve ser consagrada, por quem está na capacidade de realizá-lo. “Porque de onde estão dois ou três congregados no meu nome, ali estou no meio de eles." (S. Mateo: 13:2O). A Missa Espiritual começa com a leitura de orações de amor ao Pai Celestial e outras de carácter laudatório e de invocação dos espíritos. Concluídas estas primeiras rezas, em que incluem o Pai-Nosso, Ave-maria, etc., considera-se estabelecida a comunicação e tem o consentimento para a abertura da sessão. Os assistentes sentam-se em torno da mesa que constitui o elo principal do altar. Cobre-se esta com uma toalha branca e em cima coloca-se os objetos que adornam a sessão, dirigida aos espíritos guias que vêm por distintos médiuns presentes na sessão.

 

Em ambos os lados da mesa-altar sentam-se os principais médiuns. A sessão deve ser feita em silêncio e a mesa com a sua parte posterior apoiada contra uma parede. A presença dos copos com água significa a assistência aos espíritos protetores, guias de trabalho e a sua finalidade consiste em erigir esses elementos de comunicação. A vela será acesa no começo da missa e queimará na sua totalidade, mas deverá ser substituída caso termine antes de finalizar a sessão. As orações pelos espíritos que acabam de deixar a Terra, não só têm por objetivo dar-lhes a testemunhar a sua simpatia, como também tem por objetivo ajudá-los ao seu desprendimento, isto é, aliviar a turbulência que se segue à separação do corpo terrestre e dar-lhes mais calma ao despertar.

Por esta ou em qualquer outra circunstância, é considerada a eficácia da oração e a sinceridade do pensamento e não na abundância das palavras ditas com pompa, nas quais muita das vezes o coração não integra nenhuma parte. Cada um rege, segundo as suas convicções e do modo que mais lhe convém, pois, entendo que um bom pensamento vale mais que mil palavras. O objetivo da oração é de elevar as almas a Deus, porque a diversidade das mesmas não estabelece nenhuma diferença. Entendemos que todas as orações são boas quando ditas com o coração e não com a boca, ao que se acrescenta: “Deus é demasiado grande para não ouvir a voz e o lamento de quem implora.”

 

EXISTEM DIFERENTES TIPOS DE MISSAS:  

DESENVOLVIMENTO: é o trabalho que se realiza com pessoas que começam o caminho do espiritismo, com elas pratica-se, instrui-se e desenvolve-se a forma como se realizam as missas, guiando na sua aprendizagem, a forma de trabalhar, a comunicação com os espíritos e a forma mais adequada para comunicar com os seus próprios guias. Estas missas são dirigidas por um espírita com conhecimento do trabalho, as pessoas que integram este tipo de missa, são pessoas que realizam feitos raros internos ou externos que escapa à lógica ou ao logrado sem querer uma comunicação com os espíritos.

 

INVESTIGAÇÃO: como a palavra diz é investigar. No trabalho, os médiuns dizem à pessoa os problemas que têm, os porquês e como evitar certas situações no futuro, dando conselhos e também marcando uma limpeza devido à negatividade que a pessoa possa ter. Se esta negatividade é causada por um espírito, então damos luz através de orações e missas, para assim se elevar. Aqui, mostra-se com o trabalho quais os espíritos que compõem o seu quadro espiritual e os diferentes guias e protetores.

 

A UM FAMILIAR MORTO ou COROAÇÃO: aqui também se apresentam os seus guias e protetores, qual é o motivo da sua missão, e onde recebem uma ordem hierarquia nesta missa, em que todos temos quadros espirituais distintos e nele se coroa um espírito. Para esta coroação coloca-se de pé e determina-se o guia principal que comandará desde este dia o seu quadro espiritual. Existem muitas razões para realizar uma missa espiritual, e estas são algumas delas:

 

1. Dar a conhecer as entidades do Quadro Espiritual da pessoa, dos passos que a pessoa poderá dar e da importância que isto significa e para proporcionar o alcance do seu destino na terra.

2. Proporcionar a organização das energias do Éggun para que trabalhem unidas em forma cooperativa.

3. Investigar se a pessoa tem transtornos espirituais latentes, que estão por manifestar-se.

4. Investigar se a pessoa tem dividas contraídas com o Éggun.

5. Investigar o nível de compromisso que a pessoa pode ter com o Éggun, os Espíritos dos seus antepassados, inclusivamente a longo prazo.

6. Conhecer sobre as entidades principais do seu Quadro Espiritual.

7. Determinar as medidas preliminares ou as medidas básicas que a pessoa deverá tomar, para começar a atender ao Éggun se nunca antes o havia feito, para atualizar esta atenção ou para renová-la.

8. Determinar que medidas são necessárias cumprir para impedir o acesso de energias perturbadoras na pessoa, no período de tempo que fica por diante para Yóko Ósha.

9. Efetuar a cerimónia da “Coroação espiritual” da pessoa.

 

Okanbi,

Com a bênção do meu Pai Aggayú e Yemanjá.

Para qualquer outra questão sobre este texto, pode-nos escrever para o nosso correio eletrónico e darei mais explicações ou retirarei dúvidas.